BIBLIOTECAS ALTERNATIVAS E O PENSAMENTO CONTRA-COLONIAL: uma confluência para uma virada teórica e prática da Biblioteconomia
Bibliotecas popular; Biblioteca comunitária; Biblioteca Pública Tradicional; Anarquismo epistêmico; Palavras germinantes; Contra-colonialismo.
Reconhecer a biblioteca como dispositivo político é fundamental para avançarmos enquanto campo teórico e profissional, com vistas na humanização da nossa sociedade, que é injusta e desigual. Para Marx e Engels, a sociedade é dividida em dois polos que se opõem: de um lado, a classe burguesa – a que detém os meios de produção – e do outro, a classe trabalhadora, a que vende sua força de trabalho em troca de um salário, que, em grande parte, é insuficiente e não supre as necessidades básicas das pessoas. Este trabalho de cunho teórico tem como objetivo geral discutir como o pensamento contra-colonial contribui para a ampliação do alcance da Biblioteca Popular e Comunitária em termos de conceituação e atuação na sociedade. Além disso, como objetivos específicos: a) Evidenciar o viés conservador da Biblioteconomia a partir da biblioteca pública tradicional, que, historicamente, tem estado ao lado do poder dominante e colonialista; b) analisar as contribuições teóricas da perspectiva contra-colonial, visando relacionar com os estudos da Biblioteconomia a partir das bibliotecas alternativas (populares e comunitárias); e c) elaborar uma cartilha informativa que promova a valorização e disseminação das bibliotecas alternativas (populares e comunitárias) como dispositivos de atuação crítica, política e social. Em relação a uma tessitura metodológica para construirmos e desenvolvermos nossa linguagem a partir da ideia que o filósofo Paul Feyerabend aborda em seus textos, o anarquismo epistêmico, uma crítica ao racionalismo e positivismo da ciência e que promove a pluralidade epistêmica, produzindo, portanto, um encontro neste texto entre saberes tradicionais (filosofias do Sul) e a Biblioteconomia. Por fim, concluímos que uma Biblioteconomia contra-colonial está, conceitualmente, colocada dentro das chamadas palavras germinantes, que formam as quatro premissas fundamentais: confluência, compartilhamento, envolvimento e biointeração – essas premissas gestam uma série de produtos e serviços que podem ser prestados pelas bibliotecas de modo geral. Além disso, necessita-se formar quadros profissionais nessa mesma perspectiva. Dessa forma, se faz necessária a produção de uma cartilha que apresenta essa Biblioteconomia contra-colonial, para que se possa promover a práxis dentro do paradigma contra-colonial.