CONTROLE TERRITORIAL DAS ORGANIZAÇÕES CRIMINOSAS NO MUNICÍPIO DE BAYEUX-PB
Controle; Território; Vigilância.
O presente trabalho analisa as formas de controle territorial exercidas por organizações
criminosas no município de Bayeux, localizado na Região Metropolitana de João Pessoa
(PB). Parte-se da compreensão de que o território constitui uma construção social dinâmica,
atravessada por relações de poder que extrapolam a atuação exclusiva do Estado,
incorporando a ação de atores não estatais, como organizações cirminosas. Nesse contexto,
investiga-se de que maneira essas organizações se territorializam e quais dispositivos, técnicas
e estratégias mobilizam para exercer controle sobre o espaço urbano. Do ponto de vista
teórico, a pesquisa se ancora em discussões sobre território, territorialidade e poder,
evidenciando que o território não se limita a uma dimensão físico-material, mas envolve
também práticas simbólicas, normativas e relacionais. Considera-se, ainda, as limitações do
monopólio estatal da violência frente à emergência de territorialidades ilegais e paraestatais
que disputam o controle do espaço. No plano empírico, o município de Bayeux é analisado
como um território marcado por dinâmicas de violência e disputas entre diferentes
organizações criminosas. Essas organizações atuam por meio de estratégias que incluem o uso
de dispositivos materiais e imateriais de vigilância e controle territorial, como olheiros,
câmeras de monitoramento, bloqueios, sistemas de comunicação e tecnologias digitais. A
pesquisa, de abordagem qualitativa e caráter exploratório, baseia-se em revisão bibliográfica,
análise documental e observação in loco. Os resultados indicam que essas organizações
exercem formas sistemáticas de controle territorial, que envolvem não apenas o uso da
violência, mas também a imposição de normas, a regulação da vida cotidiana e a construção
de formas de legitimidade local, configurando territorialidades que tensionam e, por vezes,
substituem a presença estatal.