A POÉTICA ESPACIAL: A POLICROMIA DA CIDADE DE NATAL-RN PELAS CALÇADAS
Calçadas Policromáticas; Poética Espacial; Natal-RN.
Buscamos experimentar as calçadas da cidade de Natal (RN) para além da sua dimensão estritamente material e da sua função como infraestrutura de mobilidade urbana. O estudo problematiza estes locais como espaços vivos de permanência, encontro, tensão e sobrevivência, concebendo-os como um mosaico onde o prosaico e o poético, o material e o imaterial se entrelaçam. Para essa tese, por que retomar um pedaço da cidade que parece estar em desuso, se considerarmos o processo de remodelação dos espaços urbanos, que cada vez mais se adaptam para diminuir a motricidade dos pés e acentuar a mecânica das rodas e dos trilhos? Pontes, túneis, viadutos, ruas de mão única aceleram as passagens dos seres e objetos nos seus deslocamentos cotidianos, criando paisagens matizadas pela continuidade do movimento, enquanto as calçadas parecem obstáculos descontínuos a essa celeridade que tomou conta do viver na cidade. Assim, a questão central que se apresenta é como as calçadas policromáticas manifestam as descontinuidades na trama da paisagem citadina de Natal? O objetivo central consiste em analisar as paisagens emergentes nestes espaços, procurando compreender a multiplicidade de experiências e afetações através do conceito de "calçadas policromáticas". O referencial teórico-metodológico aporta-se no pensamento de Gaston Bachelard (2008) para ativar as imagens e a imaginação conduzindo o raciocínio geográfico; na prática do caminhar para mobilizar a estratégia do método de imersão investigativa; no homo-poíesis para acionar a "Paisagem Lírica" como dispositivo à criação e à significação da narrativa espacial, considerando o recorte empírico, assim identificado: paradas de ônibus, feiras livres, escolas, dunas e a iluminação pública. Adicionalmente, a apresentação do "Caderno Amarelo" se configura um experimento preliminar da pesquisa sistematizado a luz da experiência do homo-poíesis e suas trajetórias pela cidade, registrando a sua experiência em forma de um diário poético atravessado por uma cartográfica sensível. Conclui-se que as calçadas transcendem o mero trânsito pedonal, configurando-se como fontes vitais de constante reinvenção urbana e constituindo um reflexo primordial da poética espacial na cidade de Natal.