EFEITOS DO USO DA TERRA NA QUALIDADE DO SOLO RIPÁRIO E NO POTENCIAL DE CONTRIBUIÇÃO DA POLUIÇÃO DIFUSA DE RESERVATÓRIOS TROPICAIS
Mapeamento; Eutrofização; Caatinga; Qualidade da água, Qualidade do solo
As Áreas de Preservação Permanente são essenciais na conservação dos ecossistemas e na
manutenção da qualidade do solo e das águas superficiais. Este estudo avaliou os efeitos de
diferentes usos da terra na qualidade do solo ripário e sua influência na poluição difusa nos
reservatórios Dourado e Cruzeta, no semiárido brasileiro. A hipótese é que os usos antrópicos
degradam a qualidade do solo e ampliam sua capacidade em contribuir com a poluição difusa
em corpos d’água. Foram analisados solos sob vegetação, pecuária, agricultura e solo exposto,
selecionados a partir do mapeamento do uso da terra em uma faixa de 100 metros ao redor dos
reservatórios. Os atributos do solo avaliados incluíram teores de areia, silte, argila, densidade
do solo, pH, condutividade elétrica, teor de matéria orgânica e fósforo disponível. A qualidade
da água foi analisada por meio de variáveis limnológicas, como temperatura, pH, turbidez,
condutividade elétrica, fósforo e nitrogênio total, carbono orgânico e inorgânico, sólidos
suspensos totais, orgânicos e inorgânicos e clorofila-a. A estatística envolveu análise
descritiva, teste de Kruskal-Wallis e Análise de Componentes Principais. Os resultados
indicam que a qualidade da água e do solo ripário de ambos os reservatórios estão degradadas,
independente do uso da terra. Mesmo áreas mapeadas como cobertura natural possuem
vegetação incapaz de atuar como filtro ecológico, comprometidas por fatores antrópicos,
como o acesso do gado para pastejo, evidenciando a necessidade de aprimorar o sistema de
classificação para essa região. Os teores de areia, silte e pH do solo, e variáveis de qualidade
da água, como temperatura, condutividade elétrica, carbono inorgânico e orgânico, fósforo
total, sólidos suspensos orgânicos e clorofila-a, apresentaram diferenças estatísticas entre os
reservatórios, refletindo variações ambientais influenciadas por características dos solos
predominantes. Em Dourado, o Neossolo Litólico é raso e altamente suscetível à erosão. Em
Cruzeta, o Luvissolo Crômico, embora mais estruturado, possui mudança textural abrupta, e
também apresenta vulnerabilidade à erosão. Assim, os usos antrópicos ampliam a capacidade
dos solos em contribuir com sólidos e nutrientes para os reservatórios. Entretanto, enquanto
no Dourado o excesso de nutrientes favorece o crescimento de cianobactérias, em Cruzeta a
alta turbidez restringe a biomassa aquática, mas mantém a condição eutrófica da água. Diante
desse cenário, estratégias como reflorestamento com espécies nativas, práticas agrícolas
sustentáveis e controle do pastejo são fundamentais para a recuperação das APPs, redução da
poluição difusa e garantia da sustentabilidade dos recursos hídricos no semiárido.