IMPACTO DE TECNOLOGIAS SOCIAIS DE SANEAMENTO EM COMUNIDADES RURAIS DO SEMIÁRIDO BRASILEIRO
Saneamento rural, Tecnologias sociais, Dejetos orgânicos, Reúso, Sustentabilidade no Semiárido.
O déficit de saneamento básico é um dos principais desafios socioambientais do Brasil, sobretudo em áreas rurais, onde a carência desses serviços é mais acentuada. Nas regiões semiáridas, essa situação se agrava devido às particularidades socioterritoriais e à escassez hídrica. Nesse contexto, o reúso de esgoto doméstico tratado surge como estratégia capaz de integrar os setores agrícola e de saneamento, fornecendo água e nutrientes essenciais à produção agrícola. Soma-se a isso o aproveitamento de dejetos orgânicos da pecuária, que favorece a reciclagem de nutrientes e estimula à bioeconomia circular.O objetivo deste estudo foi analisar os impactos ambientais e socioeconômicos de tecnologias sociais voltadas ao reúso agrícola de esgoto doméstico tratado - a Fossa Séptica Biodigestora (FSB) e o Bioágua Familiar (BF) - e à biodigestão de dejetos animais, por meio do Biodigestor Sertanejo, instaladas em cinco propriedades da comunidade rural Catolé, localizada no município de em Lajes Pintadas, Rio Grande do Norte/RN, Brasil.A metodologia baseou-se em duas abordagens complementares. A primeira consistiu no desenvolvimento de indicadores de sustentabilidade distribuídos em três dimensões (ambiental, social e econômica), resultando em um Índice de Sustentabilidade Global (ISG) de 2,64 - considerado elevado. A segunda abordagem envolveu a análise técnico-laboratorial dos efluentes produzidos pelas tecnologias.Os resultados indicaram que os efluentes da FSB e do BF representam alternativas promissoras para o reúso agrícola, embora apresentem valores elevados de RAS, condutividade elétrica e coliformes termotolerantes, apontando a necessidade de aprimoramento dos sistemas e de manejo adequado da fertirrigação. O Biodigestor Sertanejo, por sua vez,mostrou-se eficiente na produção de biogás, com teor de metano (CH4) superior a 55%, utilizado na cocção de alimentos em substituição à lenha e ao gás tradicional de cozinha (GLP). Além disso, o digestato gerado no processo, com macro e micronutrientes, demonstrou alta viabilidade como biofertilizante.