Banca de DEFESA: PEDRO JULIO CASTRO DOS SANTOS

Uma banca de DEFESA de MESTRADO foi cadastrada pelo programa.
DISCENTE : PEDRO JULIO CASTRO DOS SANTOS
DATA : 09/02/2026
HORA: 10:00
LOCAL: Sala de Aula do PEC
TÍTULO:

VARIABILIDADE ESPACIAL DAS PROPRIEDADES MECÂNICAS DE SEDIMENTOS DA FORMAÇÃO BARREIRAS EM QUATRO ÁREAS NOS ESTADOS DA PARAÍBA E RIO GRANDE DO NORTE


PALAVRAS-CHAVES:

Compressão triaxial. Granulometria. Adensamento. Permeabilidade. Químicas e mineralógicas. Óxidos de ferro.


PÁGINAS: 158
RESUMO:

A Formação Barreiras representa uma das unidades geológicas mais expressivas do norte e leste do nordeste brasileiro, sendo amplamente utilizada como suporte natural para fundações, taludes e encostas costeiras. No entanto, sua marcada heterogeneidade litológica e a presença variável de diferentes minerais conferem elevada variabilidade geotécnica, tornando essencial a compreensão de seu comportamento mecânico para fins de engenharia. Nesse contexto, este estudo teve como objetivo quantificar e comparar a variabilidade das propriedades mecânicas dos solos da Formação Barreiras, provenientes de distintos contextos geotécnicos e geomorfológicos, por meio da correlação entre mineralogia, propriedades físico-químicas e comportamento mecânico. Foram investigadas quatro áreas de estudo: (i) Caaporã/PB, com solo associado ao eixo de fundação da barragem de Cupissura; (ii) Bananeiras/PB, a partir de material coletado em talude com histórico de instabilidade; (iii) Tibau do Sul/RN, em amostras retiradas do topo de uma falésia litorânea sujeita a risco de ruptura; e (iv) Natal/RN, na Praia de Areia Preta, em subsuperfície destinada à implantação de edificação próxima à linha de costa. A metodologia contemplou ensaios laboratoriais de caracterização física (granulometria, limites de consistência e massa específica), análises químicas e mineralógicas por fluorescência e difratometria de raios X, ensaios de compactação, adensamento unidirecional, permeabilidade e compressão triaxial adensada não drenada (CU). A partir desses procedimentos, buscou-se identificar relações entre o comportamento tensão–deformação e a micro e macroestrutura dos materiais. Os resultados indicaram que o material de Bananeiras/PB apresentou o maior teor de finos, com predominância de silte, e os maiores teores de óxidos de ferro, fatores que se mostraram diretamente associados à elevada coesão, exponencialmente superior à das demais amostras, conforme evidenciado na relação entre coesão e teor de óxido de ferro. Além disso, esse solo apresentou o menor coeficiente de permeabilidade e as menores deformações verticais específicas nos ensaios de adensamento, refletindo também um comportamento sobreadensado nos ensaios de compressão triaxial. O solo de Caaporã/PB, por sua vez, destacou-se pela baixa coesão e pelo menor teor de ferro em comparação às demais amostras. Entretanto, apesar de apresentar elevado conteúdo de argila, exibiu alta resistência ao cisalhamento, em termos de tensão desviadora, de caráter predominantemente friccional, além de elevada tensão de pré-adensamento e baixa compressibilidade. Esse comportamento pode estar associado ao ambiente deposicional, no qual a interação entre sedimentos quaternários e materiais da Formação Barreiras, especialmente nas camadas mais superficiais e em contato direto com o rio, pode ter influenciado sua composição química, mineralogia e propriedades mecânicas. Em contraste, os solos de Natal/RN e Tibau do Sul/RN apresentaram maior fração arenosa, maiores coeficientes de permeabilidade e menor resistência ao cisalhamento, em termos de tensão desviadora, comportamento possivelmente relacionado à menor cimentação desses materiais e, consequentemente, à maior suscetibilidade a deformações e rupturas. No caso de Natal/RN, observou-se elevada heterogeneidade textural em um único ponto de coleta, o que pode estar associado a combinação do solo do barreiras com antigas camadas de depósitos eólicos sobrejacentes que podem ter sofrido processos erosivos ao longo do tempo. Para Tibau do Sul/RN, as amostras provenientes do topo da falésia apresentaram comportamento típico de solo normalmente adensado, com baixa resistência ao cisalhamento e alta compressibilidade, levantando questionamentos quanto à estabilidade e aos cuidados necessários frente à possibilidade de movimentos de massa e deslocamentos de blocos em campo. Destaca-se ainda que o solo de Bananeiras/PB não foi avaliado sob a ótica da mecânica dos solos não saturados, de modo que variações abruptas de resistência associadas à transição do regime não saturado para o saturado permanecem desconhecidas, assim como seu potencial de colapsividade, configurando uma importante perspectiva para estudos futuros. Dessa forma, conclui-se que a variabilidade geotécnica da Formação Barreiras impõe e continuará impondo grandes desafios ao dimensionamento seguro de obras civis, reforçando a importância da consideração do ambiente de sedimentação e da integração entre propriedades físico-químicas, mineralógicas e mecânicas na caracterização desses solos.


MEMBROS DA BANCA:
Presidente - 1149451 - OLAVO FRANCISCO DOS SANTOS JUNIOR
Interna - 1284389 - MARIA DEL PILAR DURANTE INGUNZA
Interno - 1692497 - OSVALDO DE FREITAS NETO
Externo à Instituição - RICARDO NASCIMENTO FLORES SEVERO - IFRN
Notícia cadastrada em: 26/01/2026 15:09
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