Bioinseticidas Derivados de Vigna unguiculata: Uma Alternativa Biotecnológica para o Controle de Vetores de Arboviroses
Culicidae. Fabaceae. extratos vegetais. atividade biológica. vetores.
Doenças transmitidas por Aedes aegypti e Aedes albopictus, como dengue, chikungunya e zika, constituem importantes problemas de saúde pública em regiões tropicais. O uso contínuo de inseticidas sintéticos tem favorecido a seleção de populações resistentes e gerado impactos ambientais graves, reforçando a necessidade de alternativas sustentáveis. Vigna unguiculata é uma leguminosa amplamente cultivada no Nordeste brasileiro, bem adaptada a condições adversas e apresenta potencial como fonte de compostos bioativos contra insetos. Este estudo avaliou a atividade larvicida, pupicida e adulticida, bem como a ecotoxicidade, de extratos metanólico, etanólico e aquoso das sementes de V. unguiculata. As sementes foram descascadas e pulverizadas para obtenção de uma farinha fina. Em seguida, diferentes alíquotas da farinha foram submetidas à extração com etanol, com metanol e com água destilada, na proporção 1:5 (m/v). A atividade biológica dos extratos foi avaliada via bioensaios com larvas (L3/L4), pupas e adultos de Ae. aegypti e Ae. albopictus em condições de laboratório, 25 C e 60% de umidade relativa. A ecotoxicidade aguda foi investigada utilizando o microcrustáceo Ceriodaphnia silvestrii como organismo não alvo. Nos ensaios larvicidas foram testadas concentrações entre 5 e 500 ppm de extrato diluído em água destilada, com avaliações em diferentes períodos de exposição. Para os ensaios pupicidas, as doses variaram entre 50 a 500 ppm, enquanto os testes adulticidas foram realizados na concentração de 500 ppm. A ecotoxicidade foi investigada em todas as concentrações testadas. Os extratos alcoólicos apresentaram elevada atividade larvicida, com mortalidade dose-dependente e tempo-dependente, alcançando até 100% nas maiores concentrações, enquanto o extrato aquoso demonstrou efeito moderado. Nos ensaios pupicidas, a mortalidade foi inferior à observada na fase larval, porém também mostrou-se dose-dependente. Os extratos alcoólicos foram larvicidas mais eficazes e Ae. albopictus apresentou maior suscetibilidade que Ae. aegypti. Nos testes adulticidas, os extratos alcoólicos promoveram mortalidade total a 500 ppm para ambas as espécies, enquanto o extrato aquoso apresentou baixa eficácia. Alterações morfológicas e comportamentais nas larvas sugerem danos ao sistema neuromuscular e à fisiologia intestinal. A avaliação ecotoxicológica revelou toxicidade aguda variável entre os extratos, com elevada toxicidade dos extratos alcoólicos mesmo em baixas concentrações e efeito moderado do extrato aquoso em concentrações mais elevadas, indicando potenciais impactos sobre organismos não-alvo. Os resultados indicam que, embora os extratos alcoólicos de V. unguiculata possuam alto potencial no controle de vetores, sua aplicação requer o estudo de formulação que minimizem impactos em organismos não-alvo, consolidando-os como candidatos a bioinseticidas.