Nova variante patogênica no gene cav1 associada à lipodistrofia gene- ralizada congênita do tipo 3: caracterização molecular, fenotípica e bioinformática
tecido adiposo, Síndrome de Berardinelli-Seip, distúrbio metabólico, caveolina-1, caveola.
A lipodistrofia generalizada congênita do tipo 3 (LGC3) tem sido descrita como molecularmente associada a variantes patogênicas no gene CAV1, responsável pela produção da proteína caveolina-1, componente estrutural das caveola. De modo geral, essa síndrome causa perda generalizada de tecido adiposo subcutâneo (TAS), principalmente nos membros inferiores e superiores, além de frequentemente estar associada a distúrbios metabólicos, como diabetes mellitus tipo 2 (DM2), resistência à insulina (RI), hipertrigliceridemia e alterações hepáticas. Por conseguinte, o objetivo deste trabalho foi caracterizar molecularmente e fenotipicamente uma paciente com diagnóstico clínico prévio de LGC3, comparando seu caso com outros previamente descritos na literatura, bem como realizar análises de bioinformática da variante identificada, confrontando-a com as demais variantes já relatadas para essa lipodistrofia. Para tal, foram conduzidos avaliação clínica, coleta de swab oral e amostra de sangue. A técnica de sequenciamento de nova geração (NGS) foi empregada para a detecção da variante por meio de um painel de genes relacionados às lipodistrofias. A confirmação dos achados obtidos por NGS foi realizada por PCR convencional, utilizando primers desenhados especificamente para esse estudo. As ferramentas utilizadas para análise bioinformática das variantes genéticas incluíram o T-Coffee, Mutation Taster, DEEPLOC 2.0, STRING, Cytoscape, AlphaFold e ChimeraX. Observou-se que a paciente apresentava características clínicas compatíveis à LGC3, tais como perda generalizada de tecido adiposo (TA) em extremidades, aumento do abdômen decorrente de alterações hepáticas, baixa estatura e baixo peso. Em nível molecular, foi identificada e confirmada uma nova variante homozigótica que promove perda total do éxon 3 do gene CAV1, denominada como c.196_537del. A relação genótipo-fenótipo da paciente foi estabelecida em comparação com os casos já descritos na literatura. As análises de bioinformática incluíram predições de potencial patogênico, alinhamento comparativo com a sequência do tipo selvagem, predição de localização subcelular da proteína selvagem e variante, modelagem tridimensional e avaliação das interações proteína-proteína homotípicas e heterotípicas da caveolina-1 selvagem e de suas variantes patogênicas. Os resultados obtidos forma consistentes com o fenótipo observado clinicamente em pacientes com LGC3, reforçando a classificação dessas variantes como deletérias. Esse é o primeiro estudo a caracterizar molecularmente e fenotipicamente um caso de LGC3 associado à variante c.196_537del, contribuindo de forma inédita para a literatura científica.