Potencial terapêutico e efeitos indesejáveis de carotenoides e retinóides na urolitíase, uma abordagem in vitro, e análise in sílico de riscos em diferentes sistemas fisiológicos
Antioxidantes; Estresse oxidativo; Cristais de oxalato de cálcio; ADMET, Swiss Target Prediction
O estresse oxidativo pode causar diversos danos ao organismo e em moléculas, um exemplo das consequências desse estresse é a urolitíase, formação de cálculo renal, contribuindo para a formação de cristais, sendo eles principalmente os cristais de oxalato de cálcio, monoidratados (COM) e diidratados (COD). O beta-caroteno (BCAR), astaxantina (AST) e retinol (RET), são descritos como moléculas antioxidantes que podem ser utilizadas no combate a danos provocados ao estresse oxidativo. Porém, não há dados referentes de como essas três moléculas agem para evitar ou combater especificamente a urolitíase. Dentro deste contexto, neste trabalho, inicialmente, avaliou-se in vitro, o potencial do BCAR, da AST e do RET, conhecidos antioxidantes, como agentes inibidores da formação de cálculo renal. BCAR, AST ou RET (10 e 15 µg/mL) não foram tóxicos para células renais de linhagem canina (MDCK), mas também não foram capazes de proteger estas células de danos causados pela presença de H2O2. Já com relação a formação direta de cristais de oxalato de cálcio, verificou-se que compostos aqui avaliados afetaram igualmente o equilíbrio entre a quantidade dos tipos de cristais de oxalato de cálcio formados, induzindo a formação de uma maior quantidade de cristais COD, que são mais danosos. Estes dados, apesar de iniciais, demonstram um efeito indesejado ainda não descrito para essa classe de moléculas. Diante desse novo contexto, utilizou-se técnicas in silico para avaliar carotenos (BCAR e licopeno), retinóides (RET e isotretinoína) e xantofilas (AST, fucoxantina, zeaxantina, beta-criptoxantina, cantaxantina e luteína) e identificar outros possíveis efeitos adversos. Dentro dos seus respectivos grupos, pode-se ver similaridades no perfil ADMET (Absorção, Distribuição, Metabolismo, Excreção e Toxicidade) dos compostos avaliados. Com o uso da plataforma PredHerg identificou-se potencial cardiotóxico fraco para licopeno, beta-criptoxantina, fucoxantina e moderado para luteína. Com uso da plataforma PredSkin identificou-se que o licopeno e as xantofilas testadas, exceto a cantaxantina, têm potencial para causar reações alérgicas na pele. Os resultados deste estudo sugerem que, embora BCAR, AST e RET sejam antioxidantes conhecidos, eles podem ter efeitos negativos indesejados na formação de cálculos renais, promovendo a formação de cristais de oxalato de cálcio mais prejudiciais. Além disso, a análise in silico revelou potenciais riscos de cardiotoxicidade e reações alérgicas na pele para alguns dos compostos avaliados. Esses resultados iniciais destacam a necessidade de mais investigações sobre a segurança e eficácia dessas moléculas antioxidantes, especialmente no contexto da saúde renal e do estresse oxidativo.