EFEITO DE AGONISTAS SELETIVOS PARA O ADRENOCEPTOR α1A SOBRE A MEMÓRIA DE CAMUNDONGOS
Agonistas, Adrenoceptor α1A, Cirazolina, Oximetazolina, Memória.
Vários estudos relatam que a memória e a plasticidade sináptica são facilitadas em camundongos geneticamente modificados que expressam uma forma constitutivamente ativa do subtipo de adrenoceptor α1A (α1A-AR). No entanto, há uma escassez de pesquisas que empregam ferramentas farmacológicas para investigar o papel deste tipo de adrenoceptor em processos cognitivos, possivelmente devido à falta evidências farmacocinéticas que auxiliem na compreensão da distribuição de ligantes dos α1A-AR pelos tecidos, incluindo passagem pela Barreira Hematoencefálica (BHE). O objetivo deste trabalho foi, portanto, avaliar o efeito dos agonistas α1A-AR, Cirazolina e Oximetazolina, sobre a consolidação da memória de reconhecimento em camundongos. Inicialmente, foi realizada uma análise in silico para predizer a permeabilidade dos compostos na BHE. Subsequentemente, camundongos Swiss machos receberam tratamento agudo, por via oral, com veículo, Cirazolina (0,0001, 0,001, 0,01, 0,1 e 1 mg/kg) ou Oximetazolina (0,01, 0,1 e 1 mg/kg) imediatamente após a sessão de treino do Teste de Reconhecimento de Objetos (TRO) para avaliação da memória. A análise in silico previu que ambos os compostos possuem perfil favorável para atravessar a BHE. Nos ensaios comportamentais, o tratamento com Oximetazolina, nas condições testadas, não promoveu melhora na memória de reconhecimento. Em contraste, a Cirazolina, nas doses de 0,01 e 0,1 mg/kg, aumentou significativamente a exploração do objeto novo em comparação ao familiar, indicando um robusto efeito pró-mnemônico. Nenhum dos tratamentos alterou a atividade exploratória total dos animais, descartando a interferência de efeitos motores. Conclui-se que a ativação farmacológica do α1A-AR, especificamente pela Cirazolina, representa uma estratégia eficaz para o aprimoramento da consolidação da memória de reconhecimento de longo prazo.