ENTRE GINGAS E MULHERES: RESISTÊNCIAS E PERFORMANCES EM TRAJETÓRIAS DE ANGOLEIRAS EM NATAL/RN E OLINDA/PE.
Mulheres, Capoeira Angola, Resistências, Antropologia Performance Cultural.
Esta pesquisa busca discutir como se dão os processos de resistência em torno das discussões sobre gênero, raça-etnia e classe, que têm crescido nas últimas décadas dentro da Capoeira Angola, a partir da agência das mulheres. Aborda a formação de uma rede de mulheres capoeiristas no Nordeste que buscam fortalecer a autonomia das mulheres na Capoeira Angola e partem da experiência e da construção coletiva de afetos e controvérsias inerentes à prática. Pensamos gênero, condição étnico-racial, classe e sexualidades não apenas como subjetividades, mas como construções que são cotidianas, praticadas e discutidas por agentes culturais. Através da observação e da vivência junto ao Grupo de Estudos Dona Cora, em Natal/RN, e ao grupo Luz Di Angola, em Olinda/PE, além de mulheres lideranças em Lisboa, nos grupos Dendê de Maré e Irmãos Guerreiros, apresentamos resultados etnográficos baseados em registros de diário de campo e gravações de alguns treinos e eventos de ambos os grupos. Quanto aos grupos de Lisboa, contamos com os registros divulgados pelos grupos no Instagram e com minha vivência na cidade durante o estágio doutoral. Como resultado, surgiram novas formas de conduzir espaços da Capoeira Angola, que, mesmo atreladas à hierarquia e tradição, demonstram maior preocupação com a construção de espaços seguros para mulheres e pessoas com gêneros dissidentes, além de promover a estética como fundamento, especialmente em Natal. As narrativas das mulheres angoleiras revelam que a Capoeira não é apenas um espaço cultural, mas um espaço formativo, político e estético, fundamental para elaboração de identidades e de (re)existências. Por meio da Capoeira Angola, constroem-se discursos e práticas sobre conceitos caros à antropologia, como ancestralidade, estética e performance, os quais são acionados no jogo e na vivência de mulheres angoleiras.