A CULINÁRIA QUILOMBOLA NO MUNDO NOVO (PE): política, cultura e patrimônio
culinária; estratégias políticas; tanajura; patrimônio; quilombo.
A culinária produzida pelas comunidades quilombolas tem sido publicizada a partir de ações da sociedade civil organizada e de ações governamentais, colocando a alimentação no centro do debate político no Brasil. Entre essas ações, destaca-se a culinária quilombola, categoria que passou a designar um conjunto de saber-fazer gastronomizado, mobilizado em afirmações identitárias, reivindicações de direitos e demandas por políticas públicas. Também, revelou ser uma estratégia para o turismo de base comunitária. Este estudo descreve e analisa os contextos nos quais alguns itens alimentícios passam a ser identificados como quilombolas. A pesquisa de campo foi realizada entre 2023 e 2025 no quilombo Mundo Novo, em Buíque, região do agreste pernambucano. A tese objetiva compreender como a categoria culinária quilombola revela estratégias políticas e informa sobre o sistema simbólico que organiza a comida (Gonzalez, 2020; Geertz, 2019). Apresento ainda um alimento que se destacou durante o trabalho de campo: a tanajura. Trata-se de uma iguaria consumida amplamente pelos moradores da zona urbana e rural da cidade, mas que não faz parte do que se considera culinária quilombola. O manejo da tanajura revela conhecimentos locais, além de uma tradição alimentar vivenciada em ciclos anuais. Para a construção deste estudo, no qual a culinária foi tratada como uma categoria cultural, recorri a diversos instrumentos da pesquisa qualitativa: realizei entrevistas semiestruturada, frequentei os eventos culturais e políticos, mapeei as produções audiovisuais e escritas realizadas sobre os quilombolas no Mundo Novo e mantive um diário de campo. Entre outros resultados, mostrei que a produção culinária em territórios quilombolas passou a ser tratada como tema da política cultural e de ações governamentais, inclusive a partir da patrimonialização desses itens.