INFLUÊNCIA DA VARIABILIDADE HIDROCLIMÁTICA NO DESEMPENHO DA PROTEÇÃO CATÓDICA E NA INTEGRIDADE DE DUTOS ENTERRADOS EM AMBIENTE SEMIÁRIDO
Dutos enterrados. Proteção catódica. Corrosão externa. Resistividade elétrica do solo. Seca. Semiárido.
A integridade de dutos enterrados em regiões semiáridas depende da interação entre revestimento externo, proteção catódica, propriedades elétricas do solo e variabilidade hidroclimática. Em ambientes sujeitos a longos períodos secos e chuvas concentradas, a umidade do solo varia de forma significativa, alterando sua resistividade elétrica e, consequentemente, o desempenho dos sistemas de proteção catódica por corrente impressa. Nesse contexto, esta tese teve como objetivo investigar a influência da variabilidade hidroclimática, especialmente dos períodos de seca, sobre a resistividade do solo, a estabilidade operacional de sistemas de proteção catódica e o risco de corrosão externa em dutos enterrados localizados em ambiente semiárido. A pesquisa adotou uma abordagem integrada, combinando fundamentação teórica, inspeções indiretas de integridade, análise de dados operacionais de sistemas de proteção catódica, avaliação de defeitos de revestimento, medições de potencial tubo-solo, resistividade elétrica do solo, pH, monitoramento de estações retificadoras e séries de precipitação. Em um gasoduto enterrado com cerca de 40 anos de operação e aproximadamente 140 km de extensão, as técnicas CIPS e DCVG permitiram avaliar a distribuição espacial da proteção catódica, identificar falhas de revestimento e estabelecer prioridades de intervenção. Em outro sistema, monitorado ao longo de 36 meses, observou-se que a resistência do circuito aumentou durante os períodos secos, evidenciando a sensibilidade de leitos anódicos rasos às variações sazonais de umidade do solo. O agravamento da resistência, que atingiu valor crítico de 4,40 Ω, indicou perda de eficiência do leito anódico raso. A substituição por um leito anódico profundo, instalado a 80 m de profundidade e composto por anodos MMO, reduziu a resistência do circuito para 0,42 Ω, demonstrando maior estabilidade operacional em condições semiáridas. Os resultados indicam que a seca não deve ser tratada apenas como uma condição ambiental externa, mas como um modo operacional capaz de modificar a distribuição de corrente, a eficiência da proteção catódica e a vulnerabilidade à corrosão externa. Conclui-se que a gestão da integridade de dutos enterrados em regiões semiáridas deve incorporar a variabilidade hidroclimática como variável dinâmica de projeto, operação, monitoramento e tomada de decisão.