PLANEJANDO VIDAS SEGURAS: AS CONTRIBUIÇÕES DOS OBJETIVOS DO DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL PARA A REDUÇÃO DOS ACIDENTES DE TRÂNSITO NO RIO GRANDE DO NORTE
Acidentes de Trânsito; Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS); Segurança Viária; Políticas Públicas; Observatório em Saúde
Os acidentes de trânsito configuram-se como um relevante problema de saúde pública e de desenvolvimento social, impactando diretamente a morbimortalidade, a economia e a qualidade de vida da população. No contexto da Agenda 2030, destaca-se a necessidade de articular a redução dos sinistros viários aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), especialmente à meta 3.6, que prevê a redução de mortes e lesões no trânsito. Este estudo teve como objetivo identificar quais os ODS tem relação direta ou indireta com à redução dos acidentes de trânsito; analisar o cenário estadual do Rio Grande do Norte no que se refere aos sinistros e às políticas públicas de segurança viária; desenvolver um Observatório de Acidentes de Trânsito como ferramenta estratégica de monitoramento; e propor estratégias intersetoriais alinhadas aos ODS. Metodologicamente, trata-se de uma scoping review, associada à análise de dados sobre acidentes de trânsito no estado. Os resultados evidenciaram que a 7ª Região de Saúde apresentou a maior concentração de acidentes, reunindo 71,7% do total de registros (59.488 ocorrências), que de acordo com o a estimativa divulgada pelo Plano Estadual de Saúde (2020-2023) em um universo de 1342500 habitantes, correspondendo a 38,59% da população do estado. Na sequência, a 2ª Região de Saúde aparece com 11,4% (9.474 registros) em um universo de 484631 habitantes, correspondendo a 13,93% da população do estado. Em conjunto, essas duas regiões somam 83,1% dos sinistros de trânsito contabilizados no estado, o que se relaciona ao fato de englobarem os principais centros urbanos potiguares, caracterizados por intenso fluxo de veículos e pessoas. Nesse sentido, há distribuição assimétrica dos sinistros entre as regiões de saúde, com concentração significativa nas áreas urbanas de maior fluxo, além da persistência de desigualdades territoriais e sociais associadas à ocorrência dos acidentes. Como produto técnico-científico, propôs-se a criação do Observatório Vidas no Trânsito, estruturado como painel executivo estratégico alinhado aos ODS, incorporando indicadores de mortalidade, custos econômicos, territórios críticos, perfis prioritários e projeções até 2030. Conclui-se que os acidentes de trânsito não constituem apenas um problema de mobilidade, mas refletem desigualdades estruturais e escolhas políticas. Assim, a integração entre saúde, mobilidade, planejamento urbano, governança e desenvolvimento sustentável mostra-se essencial para a formulação de políticas públicas mais eficazes, equitativas e orientadas por evidências