Dissertações/Teses

Clique aqui para acessar os arquivos diretamente da Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da UFRN

2018
Teses
1
  • GILMARA COUTINHO PEREIRA
  • SABEDORIA DE VIDA PARA UMA VIDA MELHOR: a importância dos Aforismos schopenhauerianos para uma vida sábia

  • Orientador : FERNANDA MACHADO DE BULHOES
  • MEMBROS DA BANCA :
  • FERNANDA MACHADO DE BULHOES
  • LEANDRO PINHEIRO CHEVITARESE
  • MARIA LUCIA MELLO E OLIVEIRA CACCIOLA
  • MARKUS FIGUEIRA DA SILVA
  • MIGUEL ANGEL BARRENECHEA
  • Data: 25/05/2018

  • Mostrar Resumo
  • A vontade é a coisa em si do mundo cujos alguns aspectos são a irracionalidade, a falta de finalidade e a insaciabilidade. Esses aspectos são responsáveis por tornarem a existência sem sentido e ao mesmo tempo imprimir no mundo dor e sofrimento, pois não há nenhum esforço que sacie o querer provocado pela vontade. Ela se dá a conhecer no mundo através das representações, desde o mundo inorgânico até o seu grau mais elevado de expressão: o homem. Distinto dos outros animais, o homem possui uma “clareza de consciência” [Bewusstsein/ Bewuβtseyn] que o leva a ponderar as suas ações e viver uma vida sábia, lhe permitindo avaliar o cenário em que se insere e meditar sobre a escolha entre os motivos das ações a serem praticadas. Dada essa clareza de consciência, questiona-se nessa tese se é possível ao homem sábio, com sua ação iluminada pelo conhecimento, se contrapor à atuação cega da vontade. A defesa é de que, apesar da sentença determinista “TODA VIDA É SOFRIMENTO” [alles Leben Leiden ist], existe no mundo como representação a possibilidade de se sofrer menos, a partir da sabedoria de vida, sobre a qual Schopenhauer fala especialmente em Aforismos para a sabedoria de vida. Diante disso não é anulada a visão pessimista de mundo, presente em toda a obra do filósofo, no entanto, aprende-se a viver melhor a partir da pequena liberdade que o homem possui, em contraposição à vontade, verdadeiramente livre. Sendo a sabedoria de vida e sua importância para uma vida menos sofrida a questão central dessa tese, a fim de analisá-la em sua plenitude, esta desenvolver-se-á em torno dos conceitos de pessimismo, moralidade, caráter, autoconhecimento e ética e a relação destes conceitos com a sabedoria de vida para uma vida melhor.


  • Mostrar Abstract
  • .

2017
Teses
1
  • ALBERTO LEOPOLDO BATISTA NETO
  • RACIONALIDADE FILOSÓFICA, RACIONALIDADE CIENTÍFICA E OS LIMITES DA TRADIÇÃO ANALÍTICA:
    UMA CONTRIBUIÇÃO À TEORIA DAS TRADIÇÕES DE PESQUISA RACIONAL DE ALASDAIR MACINTYRE.
  • Orientador : DANIEL DURANTE PEREIRA ALVES
  • MEMBROS DA BANCA :
  • DANIEL DURANTE PEREIRA ALVES
  • GIOVANNI DA SILVA DE QUEIROZ
  • GLENN WALTER ERICKSON
  • HELDER BUENOS AIRES DE CARVALHO
  • IVANALDO OLIVEIRA DOS SANTOS FILHO
  • Data: 27/04/2017

  • Mostrar Resumo
  •   A teoria das tradições de pesquisa racional de Alasdair MacIntyre elabora uma perspectiva metafilosófica em que se pode avaliar os méritos relativos de enquadramentos rivais da racionalidade em filosofia, de uma maneira que se assemelha a algumas abordagens canônicas na filosofia da ciência, evadindo-se, porém, tanto aos problemas relativos à compreensão do progresso teórico, quanto às restrições próprias das posições relativista e perspectivista, de modo a permitir, por um lado, uma percepção dos condicionamentos que operam sobre a investigação e, por outro, assumir uma postura filosoficamente realista, amparada numa concepção da verdade como adequação da mente à realidade. Com efeito, encontra-se vinculada à sua defesa de uma compreensão “clássica” da razão filosófica, especificamente um alinhamento junto à tradição aristotélico-tomista. A partir dela, procedendo a ajustes sobre algumas posições de MacIntyre, é possível considerar lançar um olhar sobre os compromissos da racionalidade filosófica analítica que permitirá estabelecer uma crítica compreensiva a essa tradição. Será preciso distinguir entre os aspectos definidores de uma racionalidade filosófica e de uma racionalidade científica, apontando que esta última é incapaz de oferecer recursos para a edificação de uma racionalidade filosófica substantiva. Depois se considerará de que modo o modelo de uma racionalidade científica é definidor do modo de investigação da filosofia analítica, sem que se manifeste diretamente como tese comum ou metodologia unitária e se mostrará porque o resultado será uma racionalidade filosófica essencialmente defeituosa.


  • Mostrar Abstract
  •      Alasdair MacIntyre’s theory of the traditions of rational enquiry elaborates a metaphilosophical perspective from which one can evaluate the relative merits of rival frameworks of rationality within philosophy in a way that resembles some canonical approaches in the philosophy of science, however in such a way as to avoid as much as possible the problems relating to the understanding of theoretic progress as the restrictions proper to relativist and perspectivist positions, so that it allows, on the one hand, a clear sight of the conditionings which operate on the investigation and, on the other, to assume a strictly realist posture anchored in a conception of truth as adequation of mind to reality. As a matter of fact, it finds itself associated to his defense of a “classical” understanding of philosophical reason, specifically an alignment to the Thomist-Aristotelian tradition. From this departure point, through some adjustments made on some of MacIntyre’s theses, it is possible to consider casting an eye on the commitments of analytic philosophy which shall allow for a comprehensive critique of such tradition. It will be necessary to distinguish between the defining aspects of philosophical and of a scientific rationality, pointing out that the latter is incapable of exhibiting the needed resources for building a substantive account of philosophical rationality. Thence the matter shall be considered of how could the scientific rationality model be defining of the mode of enquiry within the analytic philosophical tradition, without it thereby turning out to be directly assumed as a common thesis or unitary methodology and it will be shown why the resulting view ends up being an essentially defective kind of philosophical rationality.

2
  • WANDERLAN SANTOS PORTO
  • O MÉNON E SEU DIÁLOGO COM A COMÉDIA DE ARISTÓFANES: ANAMNESIS E O DESLOCAMENTO DO TROPOS E TOPOS DA PAIDEIA

  • Orientador : MARKUS FIGUEIRA DA SILVA
  • MEMBROS DA BANCA :
  • FERNANDA MACHADO DE BULHOES
  • LUISA SEVERO BUARQUE DE HOLANDA
  • MARIA DAS GRAÇAS DE MORAES AUGUSTO
  • MARKUS FIGUEIRA DA SILVA
  • MONALISA CARRILHO DE MACEDO
  • Data: 06/10/2017

  • Mostrar Resumo
  • A nossa tese avalia o deslocamento do lugar (τόπος) e do modo (τρόπος ) na relação entre quem aprende (μαθητής) e quem ensina (διδάσκαλος), que Platão apresenta no Ménon, e sua ligação com a comédia de Aristófanes. A tensão entre διδάσκαλος e μαθητής, significativa na obra platônica, ocupa um papel central neste diálogo, cuja composição expõe a relação supostamente infrutífera entre o jovem sofista Menon e o mestre Sócrates. Foram analisados os elementos que podem substanciar a tentativa de leitura do Ménon como um diálogo com a crise da παιδεία ateniense explicitada pela Comédia, em especial por Aristófanes. Desse modo, demonstramos que a ἀνάμνησις serve como solução para este problema, tendo em vista a emergência do deslocamento do τρόπος e do τόπος da παιδεία. O deslocamento do papel de quem ensina/aprende é uma proposta radical e se coaduna com o projeto onto-epistemológico expresso no Ménon. Por sua vez, exige do διδάσκαλος que não seja detentor e transmissor de sabedoria, mas que permita a si e ao μαθητής perceber na alteridade, o caminhar em busca do conhecimento. Assim como a urgência de se envolver num processo que é colaborativo, cooperativo e compartilhado, que visa ο conhecimento a partir da investigação, que admite a utilidade e necessidade de persistir prazerosamente pelo caminho da opinião.


  • Mostrar Abstract
  • Our thesis evaluates the displacement of the place (τόπος) and the mode (τρόπος) in the relation between the learner (μαθητής) and the one who teaches (διδάσκαλος), which Plato presents in the Ménon, and its connection with Aristophanes comedy. The tension between διδάσκαλος and μαθητής, significant in Plato's work, plays a central role in this dialogue, whose composition exposes the supposedly fruitless relationship between the sophist young Menon and the master Socrates. We analyzed the elements that can substantiate the attempt to read the Ménon as a dialogue with the crisis of the Athenian παιδεία explained by Comedy, especially by Aristophanes. Thus, we show that ἀνάμνησις serves as a solution to this problem, in view of the emergence of displacement of τρόπος and τόπος of παιδεία. The displacement of the role of the one who teaches / learns is a radical proposal and is in line with the onto-epistemological project expressed in the Ménon. In turn, it demands of the διδάσκαλος that it is not a holder and transmitter of wisdom, but that allows itself and the μαθητής to perceive in otherness, the walk in search of knowledge. As well as the urgency of being involved in a process that is collaborative, cooperative and shared, which aims at knowledge from research, which admits the utility and need to persist pleasantly along the path of opinion.

3
  • CARLOS MOISÉS DE OLIVEIRA
  • Análise do conceito de natureza na obra de Kant

  • Orientador : CINARA MARIA LEITE NAHRA
  • MEMBROS DA BANCA :
  • CINARA MARIA LEITE NAHRA
  • JOEL THIAGO KLEIN
  • JOZIVAN GUEDES
  • NURIA SÁNCHEZ MADRID
  • ROGÉRIO EMILIANO GUEDES ALCOFORADO
  • Data: 01/12/2017

  • Mostrar Resumo
  •        O presente trabalho busca analisar o conceito de natureza na obra de Immanuel Kant, para tanto iniciaremos com o conceito mecânico-causal, estabelecido na crítica da razão pura, como pressuposição fundamental para lidar com questões como a da possibilidade do conhecimento e da ciência, posteriormente abordamos o conceito de natureza suprassensível expresso na crítica da razão prática, com o qual Kant demonstra que determinadas formas naturais de comportamentos não podem ser circunscritas ou reduzidas a um esquema mecânico-causal, conclusão que se não compreendida adequadamente pode levar à separação entre os mundos sensível e suprassensível. Na segunda crítica é-nos apresentado apenas que esses mundos não são contraditórios, mas a resolução a essa aparente ambiguidade será desenvolvida por intermédio do conceito de natureza como totalidade orgânica presente na crítica da faculdade do juízo que se apresenta como um princípio regulativo do entendimento capaz de unificar os anteriores sentidos de natureza ou os mundos sensível e inteligível. Com esses conceitos estabelecidos indagamos sobre a possibilidade de um quarto conceito presente na complexidade da relação todo organizante entre homem e natureza, decorrente dessa análise compreendemos que um quarto conceito não poderia se sustentar a partir da ideia de complexidade, mas que por intermédio dessa ideia somos orientados a defender um conceito de natureza que construímos moldando o caráter da espécie para agir em conformidade com os ideias da razão pura prática, isto é, o ser humano (espécie) apresenta um caráter que ele mesmo forma e se ele mesmo forma, então pode ser modificado, pode melhorar em vista ao aprimoramento moral. Uma natureza que se articula com o homem para produzir nele uma natureza moral digna de felicidade.


  • Mostrar Abstract
  •          The present work seeks to analyze the concept of nature in Immanuel Kant's work, for this, we are going to initiate with the mechanical-causal concept, which is established in the critique of pure reason, as a fundamental presupposition to deal with issues such as the possibility of knowledge and the science, afterwards we address the concept of suprasensible nature expressed in the critique of practical reason, with which Kant demonstrates that certain natural forms of behavior cannot be circumscribed or reduced to a mechanical-causal schema, conclusion which if is not properly understood can lead to the separation between the sensible and supersensible worlds. In the second critique, it is presented to us only that these worlds are not contradictory, but the resolution to this apparent ambiguity will be developed through of the concept of nature as organic totality that is present in the critique of the Power of Judgment, which presents itself as a regulative principle of the understanding capable of unifying the previous meanings of nature or the sensible and intelligible worlds. With these established concepts we inquire about the possibility of a fourth concept present in the complexity of the all organizing relationship between man and nature ,resulting from this analysis we understand that a fourth concept could not sustain itself from the idea of complexity, but through this idea, we are directed to defend a concept of nature that we construct by molding the character of the species to act in accordance with the ideas of the pure practical reason, that is, the human being (species) presents a character which is formed by himself and if it is formed by him, so it can be modified, it can be improve aiming at the moral enhancement. One nature which is articulate with the man to produce in him one moral nature worthy of happiness.

2016
Teses
1
  • LAURO ERICKSEN CAVALCANTI DE OLIVEIRA
  • UMA ABORDAGEM CULTURALISTA DE KIERKEGAARD: O EXISTENCIALISMO CRISTÃO E A VERDADE DA SUBJETIVIDADE

  • Orientador : GLENN WALTER ERICKSON
  • MEMBROS DA BANCA :
  • GLENN WALTER ERICKSON
  • JORDI CARMONA HURTADO
  • JORGE DOS SANTOS LIMA
  • PABLO MORENO PAIVA CAPISTRANO
  • TASSOS LYCURGO GALVAO NUNES
  • Data: 17/11/2016

  • Mostrar Resumo
  • Aborda o pensamento de Søren Kierkegaard em seus vários aspectos, eminentemente na questão da subjetividade e da verdade. Faz interconexões teóricas entre o pensamento de alguns autores contemporâneos como Friedrich Nietzsche, Martin Heidegger, Ludwig Wittgenstein e Jacques Rancière e as ideias de Kierkegaard. Destaca o caráter anti-metafísico do existencialismo cristão de Kierkegaard como uma posição teológica relevante para a compreensão da filosofia contemporânea atual. Objetiva, de modo mais geral, abordar a possibilidade de uma hermenêutica existencial centrada na subjetividade e como essa compreensão interna e sua relação com Deus fornece elementos formadores da verdade. Objetiva, de maneira mais específica, discorrer sobre a dialética hegeliana utilizada por Kierkegaard em oposição ao sistema conceitual de Hegel e as noções políticas e estéticas decorrentes; aprofundar a perspectiva culturalista dos estádios da vida em Kierkegaard; verificar a apropriação da influência kierkegaardiana em Heidegger e Wittgeinstein. Metodologicamente, recorre-se a uma revisão bibliográfica qualitativa das obras de Kierkegaard, fazendo análises comparativas com outros pensadores contemporâneos. Resulta em determinações pós-filosóficas de cunho subjetivista como forma de compreensão da realidade. Conclui que o estudo do pensamento kierkegaardiano não se resume apenas a um viés histórico de sua abordagem, contribuindo tal adensamento para uma melhor compreensão da realidade cultural hodierna sob um ponto de vista múltiplo e relativista.


  • Mostrar Abstract
  • This work discuss the ideas of Søren Kierkegaard in many aspects, mainly positing the question of subjectivity and truth. It makes theoretical interconections between Kierkegaard’s thought and some contemporary thinkers, such as Friedrich Nietzsche, Martin Heidegger, Ludwig Wittgenstein and Jacques Rancière. It points out the anti-metaphysical element of Kierkegaard’s Christian existentialism as a relevant theological position to contemporary philosophy. It aims, in general, to verify the possibility of a existential hermeneutic  focused on subjectivity and how its internal comprehension and its relationship with God provide important elements to truth’s formation. It tries, in specific, to debate the Hegelian dialetic used by Kierkegaard in oposition to his rejection of a systematic and conceptual philosophy of Hegel. These ideas shall be discussed in order to state some possible political and aesthetical derivations of a non-conpectual and non-systematic way of thinking. It also gets deeper in Kierkegaard’s life stadiums and then verifies kierkegaardian influence or appropriation in Heidegger’s and Wittgestein’s works.  Methodologically, it uses qualitative research to review Kierkegaard’s texts, and then it compares to other contemporary authors. It results in post-philosophical determinations of subjective order as a form of comprehension of reality. It concludes that the study of Kierkegaard’s work shall not be reduced only to an historical approach. This study should contribute to the enhacement of today’s cultural reality from a pluralistic and relativistic point of view.

2015
Teses
1
  • LEONARDO OLIVEIRA FREIRE
  • Justificação da pena a partir de Kant

  • Orientador : DANIEL DURANTE PEREIRA ALVES
  • MEMBROS DA BANCA :
  • ANDRÉ LUIZ HOLANDA DE OLIVEIRA
  • DELAMAR JOSE VOLPATO DUTRA
  • JUAN ADOLFO BONACCINI
  • KARL HEINZ EFKEN
  • MICHEL ZAIDAN FILHO
  • Data: 24/02/2015

  • Mostrar Resumo
  • A tese que defendemos constitui uma justificação da aplicação da pena a partir da filosofia de Kant. Defendemos, contrariando a maioria dos críticos do direito de punir em Kant, que a teoria penal kantiana envolve três critérios essenciais, o da retribuição, o da prevenção e da reabilitação, (exceto no caso de pena capital) mas somente o primeiro constitui a justificativa para aplicação da pena criminal, ao passo que o segundo e o terceiro como complementos ao direito de punir como direito de retribuir. Essa perspectiva compreende a retribuição como critério de justificação prima facie para a definição da pena, enquanto a prevenção, especial e geral, e a reabilitação, sendo critérios complementares diversos do direito de punir. A reabilitação, na execução da privação temporária da liberdade, e a prevenção, como elemento de coerção, o qual para Kant está inserido no Direito como um todo possibilitam enxergar a punibilidade como algo maior que a retribuição. Assim, sustentamos a ideia de compatibilidade entre as teorias da retribuição, da prevenção e da reabilitação na perspectiva do direito de punir em Kant. O primeiro capítulo trata da teoria do direito penal em Kant, cujo alicerce teórico é retirado da Doutrina do Direito da Metafísica dos Costumes, parágrafo 49, da seção E, "Do direito de punir e conceder clemência". Neste, tratamos da construção teórica da retribuição e das bases de sustentação para a justa punição a partir de Kant. Também neste capítulo defendemos que a limitação ou extinção da liberdade do criminoso pela punição se sustenta racionalmente na restauração da coexistência recíproca da liberdade de todos. No segundo capítulo abordamos as teorias punitivas, esclarecendo como Kant desenvolve uma teoria não restrita ao retribucinonismo. Fazemos uma releitura da teoria do ius puniendi defendemos que para Kant a liberdade é o fundamento que sustenta a punição. Além disso, nesse mesmo capítulo, dialogamos com alguns intérpretes contemporâneos de Kant, especialmente J. C. Merle, crítico da retribuição de Kant e defensor da reabilitação a partir de Kant, bem como discorremos sobre a coerência racional da proposta de pena capital na tese de Kant sem que isso possa inviabilizar a aceitação de punições específicas em outros casos visando à reabilitação. No terceiro e último capítulo tratamos da execução da pena de privação temporária da liberdade como possibilidade reabilitação a partir da ideia do aprimoramento moral. Discorremos sobre processo de aprimoramento através da educação, bem como sobre a possibilidade do aprimoramento moral biotecnológico no âmbito do sistema de execução penal atual e futuro. Ao final fazemos uma síntese do que defendemos e colocamos os pontos de destaque que justificam racionalmente a teoria do direito de punir em Kant conforme a entendemos.


  • Mostrar Abstract
  • A tese que defendemos constitui uma justificação da aplicação da pena a partir da filosofia de Kant. Defendemos, contrariando a maioria dos críticos do direito de punir em Kant, que a teoria penal kantiana envolve três critérios essenciais, o da retribuição, o da prevenção e da reabilitação, (exceto no caso de pena capital) mas somente o primeiro constitui a justificativa para aplicação da pena criminal, ao passo que o segundo e o terceiro como complementos ao direito de punir como direito de retribuir. Essa perspectiva compreende a retribuição como critério de justificação prima facie para a definição da pena, enquanto a prevenção, especial e geral, e a reabilitação, sendo critérios complementares diversos do direito de punir. A reabilitação, na execução da privação temporária da liberdade, e a prevenção, como elemento de coerção, o qual para Kant está inserido no Direito como um todo possibilitam enxergar a punibilidade como algo maior que a retribuição. Assim, sustentamos a ideia de compatibilidade entre as teorias da retribuição, da prevenção e da reabilitação na perspectiva do direito de punir em Kant. O primeiro capítulo trata da teoria do direito penal em Kant, cujo alicerce teórico é retirado da Doutrina do Direito da Metafísica dos Costumes, parágrafo 49, da seção E, "Do direito de punir e conceder clemência". Neste, tratamos da construção teórica da retribuição e das bases de sustentação para a justa punição a partir de Kant. Também neste capítulo defendemos que a limitação ou extinção da liberdade do criminoso pela punição se sustenta racionalmente na restauração da coexistência recíproca da liberdade de todos. No segundo capítulo abordamos as teorias punitivas, esclarecendo como Kant desenvolve uma teoria não restrita ao retribucinonismo. Fazemos uma releitura da teoria do ius puniendi defendemos que para Kant a liberdade é o fundamento que sustenta a punição. Além disso, nesse mesmo capítulo, dialogamos com alguns intérpretes contemporâneos de Kant, especialmente J. C. Merle, crítico da retribuição de Kant e defensor da reabilitação a partir de Kant, bem como discorremos sobre a coerência racional da proposta de pena capital na tese de Kant sem que isso possa inviabilizar a aceitação de punições específicas em outros casos visando à reabilitação. No terceiro e último capítulo tratamos da execução da pena de privação temporária da liberdade como possibilidade reabilitação a partir da ideia do aprimoramento moral. Discorremos sobre processo de aprimoramento através da educação, bem como sobre a possibilidade do aprimoramento moral biotecnológico no âmbito do sistema de execução penal atual e futuro. Ao final fazemos uma síntese do que defendemos e colocamos os pontos de destaque que justificam racionalmente a teoria do direito de punir em Kant conforme a entendemos.

2
  • RENATO DE MEDEIROS JOTA
  • SENSUALISMO E INFERÊNCIA CAUSAL NA FILOSOFIA MORAL DE HUME

  • Orientador : DANIEL DURANTE PEREIRA ALVES
  • MEMBROS DA BANCA :
  • JUAN ADOLFO BONACCINI
  • DANIEL DURANTE PEREIRA ALVES
  • MARIA CRISTINA LONGO CARDOSO DIAS
  • JAIMIR CONTE
  • LIVIA MARA GUIMARAES
  • Data: 27/02/2015

  • Mostrar Resumo
  • Considerando que a filosofia moral de Hume pode ser entendida como sendo “sensualista”, alguém poderia objetar que essa afirmação se mostra incompatível com o empirismo humeano, na medida em que o sensualismo pareceria restringir o agente moral aos limites dos sentidos, enquanto que o 6 empirismo humeano estenderia suas conclusões para além dos mesmos. Para responder a essa possível objeção, defendemos uma interpretação que visa compatibilizar o sensualismo moral com o empirismo de Hume. Pois enquanto o primeiro é a fonte de nosso conhecimento moral, o segundo nos leva a estender as conclusões de nossas inferências morais para o futuro, mostrando que esse seu “projecionismo” não seria incompatível com o sensualismo. Nossa hipótese de trabalho permite mostrar que essa relação entre sensualismo e empirismo é garantida pela relação entre o hábito e a imaginação. Nesse sentido, a tese é dividida em três capítulos. No primeiro, discutimos o contexto em que a filosofia moral de Hume está inserida. No segundo capítulo apresentamos uma discussão de algumas interpretações recentes da filosofia moral de Hume e propomos uma alternativa. No terceiro, por fim, explicamos como fazer generalizações é indispensável para nossas inferências morais e como a relação entre hábito e imaginação desempenha um papel central neste processo, ao associar causalmente as percepções dos sentidos e estender nossas conclusões até o futuro.


  • Mostrar Abstract
  • SENSUALISMO E INFERÊNCIA CAUSAL NA FILOSOFIA MORAL DE HUME

3
  • RAFAEL LUCAS DE LIMA
  • John Stuart Mill e o Cultivo da Individualidade

  • Orientador : CINARA MARIA LEITE NAHRA
  • MEMBROS DA BANCA :
  • CINARA MARIA LEITE NAHRA
  • ERICO ANDRADE MARQUES DE OLIVEIRA
  • MARIA CRISTINA LONGO CARDOSO DIAS
  • MARKUS FIGUEIRA DA SILVA
  • Milene Consenso Tonetto
  • Data: 17/04/2015

  • Mostrar Resumo
  • O desenvolvimento do indivíduo humano foi objeto de investigação de muitos pensadores ao longo da história da filosofia. Os sentidos que esse desenvolvimento adquiriu, no entanto, foram muito variados, abrangendo aspectos morais, políticos, epistemológicos, estéticos, econômicos, e mesmo religiosos. O objetivo desta tese é investigar o sentido que esse desenvolvimento adquiriu para o filósofo utilitarista John Stuart Mill, partindo, para isso, de sua concepção de individualidade.


  • Mostrar Abstract
  • O desenvolvimento do indivíduo humano foi objeto de investigação de muitos pensadores ao longo da história da filosofia. Os sentidos que esse desenvolvimento adquiriu, no entanto, foram muito variados, abrangendo aspectos morais, políticos, epistemológicos, estéticos, econômicos, e mesmo religiosos. O objetivo desta tese é investigar o sentido que esse desenvolvimento adquiriu para o filósofo utilitarista John Stuart Mill, partindo, para isso, de sua concepção de individualidade.

4
  • SONIA SOARES
  • Ética da alimentação: porque devemos, segundo Kant, escolher uma alimentação adequada e saudável

  • Orientador : CINARA MARIA LEITE NAHRA
  • MEMBROS DA BANCA :
  • CINARA MARIA LEITE NAHRA
  • JOEL THIAGO KLEIN
  • PAULO SERGIO MARINHO LUCIO
  • ALESSANDRO PINZANI
  • MARCO ANTONIO OLIVEIRA DE AZEVEDO
  • Data: 20/11/2015

  • Mostrar Resumo
  • Esta tese defende a adoção de uma perspectiva filosófico-prática para o debate sobre o tema da alimentação saudável, tendo em vista os problemas atuais de saúde (da fome à obesidade) que afetam a segurança alimentar e nutricional e constituem objeto de políticas públicas. Utiliza, para isso, elementos políticos, éticos, pedagógicos e antropológicos da filosofia de Immanuel Kant, como contribuições à prática do profissional Nutricionista comprometido com a defesa e a realização do direito humano à alimentação adequada (DHAA). Pressuposto este direito, pretende avançar em relação à perspectiva dominante nas políticas e programas sociais que utilizam o argumento da utilidade, propondo considerar a alimentação saudável também um dever de virtude, segundo a doutrina kantiana dos deveres para consigo. Apresenta o caso da liberação de sementes transgênicas no Brasil como um exemplo de violação do direito à alimentação que afeta negativamente a segurança alimentar, fruto do desacordo entre a política e a moral na atuação do governo. Conclui que a realização do DHAA exige o compromisso tanto do Estado como de cada cidadão e que a filosofia de Kant pode trazer importantes contribuições para a fundamentação da prática do profissional Nutricionista que precisa estar esclarecido acerca do tema.


  • Mostrar Abstract
  • Esta tese defende a adoção de uma perspectiva filosófico-prática para o debate sobre o tema da alimentação saudável, tendo em vista os problemas atuais de saúde (da fome à obesidade) que afetam a segurança alimentar e nutricional e constituem objeto de políticas públicas. Utiliza, para isso, elementos políticos, éticos, pedagógicos e antropológicos da filosofia de Immanuel Kant, como contribuições à prática do profissional Nutricionista comprometido com a defesa e a realização do direito humano à alimentação adequada (DHAA). Pressuposto este direito, pretende avançar em relação à perspectiva dominante nas políticas e programas sociais que utilizam o argumento da utilidade, propondo considerar a alimentação saudável também um dever de virtude, segundo a doutrina kantiana dos deveres para consigo. Apresenta o caso da liberação de sementes transgênicas no Brasil como um exemplo de violação do direito à alimentação que afeta negativamente a segurança alimentar, fruto do desacordo entre a política e a moral na atuação do governo. Conclui que a realização do DHAA exige o compromisso tanto do Estado como de cada cidadão e que a filosofia de Kant pode trazer importantes contribuições para a fundamentação da prática do profissional Nutricionista que precisa estar esclarecido acerca do tema.

5
  • ROGÉRIO EMILIANO GUEDES ALCOFORADO
  • DA CONDIÇÃO MORAL DO HOMEM EM KANT À UMA TESE EMPÍRICA SOBRE A ORIGEM DA MORAL NA HUMANIDADE

  • Orientador : CINARA MARIA LEITE NAHRA
  • MEMBROS DA BANCA :
  • BRUNO RAFAELO LOPES VAZ
  • CINARA MARIA LEITE NAHRA
  • DELAMAR JOSE VOLPATO DUTRA
  • JOEL THIAGO KLEIN
  • MARIA JOSE DA CONCEICAO SOUZA VIDAL
  • Data: 03/12/2015

  • Mostrar Resumo
  • A presente tese se propõe a investigar o que seja a moral a partir de sua funcionalidade para a espécie humana. E é aí onde residirá a discussão acerca da condição moral do homem, a qual pode ser entendida e estudada por múltiplas perspectivas. Além dessa funcionalidade que aponta para a viabilidade da cooperação humana, investigaremos um segundo nível de funcionalidade da moral que pode sugerir uma funcionalidade que transcende a espécie humana. O objetivo é a articulação de um diálogo construtivo que acreditamos ser capaz de nos ajudar a propor uma tese empírica sobre a genealogia da moral.


  • Mostrar Abstract
  • A presente tese se propõe a investigar o que seja a moral a partir de sua funcionalidade para a espécie humana. E é aí onde residirá a discussão acerca da condição moral do homem, a qual pode ser entendida e estudada por múltiplas perspectivas. Além dessa funcionalidade que aponta para a viabilidade da cooperação humana, investigaremos um segundo nível de funcionalidade da moral que pode sugerir uma funcionalidade que transcende a espécie humana. O objetivo é a articulação de um diálogo construtivo que acreditamos ser capaz de nos ajudar a propor uma tese empírica sobre a genealogia da moral.

6
  • FORTUNATO MONGE DE OLIVEIRA NETO
  • O aprimoramento cognitivo como bem primário em Rawls

  • Orientador : CINARA MARIA LEITE NAHRA
  • MEMBROS DA BANCA :
  • CINARA MARIA LEITE NAHRA
  • DANIEL DURANTE PEREIRA ALVES
  • ERICO ANDRADE MARQUES DE OLIVEIRA
  • DELAMAR JOSE VOLPATO DUTRA
  • NYTHAMAR HILARIO FERNANDES DE OLIVEIRA JUNIOR
  • Data: 04/12/2015

  • Mostrar Resumo
  • A tese principal a ser demonstrada neste trabalho é a de que o aprimoramento cognitivo por meio do uso de fármacos pode ser incluído como um bem primário dentro do pensamento de Rawls. Para isso, o texto estrutura-se em duas partes. A primeira parte pretende descrever a teoria da justiça como equidade em seus elementos diretamente relacionados com os bens primários. A primeira informação a ser constatada é a unidade da noção de bens primários em toda a obra de Rawls. Alguns elementos são modificados, como por exemplo a distinção entre bens primários naturais e sociais. Os bens primários naturais são: a inteligência, a saúde, a imaginação, o vigor e a oportunidade (sorte) e os bens primários sociais são: direito e liberdade, oportunidades e poder, renda e riqueza e as bases sociais do autorrespeito. A percepção de alguns talentos como a inteligência também sofreu alteração, passando de ‘maior inteligência’ para uma ‘inteligência educada’. Isso ressalta a educação como bem primário que perpassa toda a obra de Rawls em perspectivas diferentes. A liberdade e o autorrespeito são bens-primários sociais que também serão aprofundados. Na segunda parte apresenta-se a definição de aprimoramento e como a distinção entre aprimoramento e tratamento é polêmica. da parte apresenta-se a definição de aprimoramento e como a distinção entre aprimoramento e tratamento é polêmica. Assim aprofundamos os problemas relacionados a prática do aprimoramento (enhancement) mostrando como os conceitos de bens primários de Rawls como a liberdade e o autorrespeito não estão em oposição a prática do aprimoramento, particularmente do aprimoramento cognitivo (cognitive enhancement) . Mostramos, ao contrário, que a proibição do aprimoramento cognitivo poderia levar a negação desses bens primários. Mas como poderíamos considerar o aprimoramento cognitivo como um bem primário social? O que fazemos nesta tese é mostrar como o aprimoramento cognitivo é importante para garantir que os bens primários sejam acessíveis aos cidadãos, bem como reconstituímos o processo que Rawls utiliza para a escolha de seus bens primários e verificarmos que o aprimoramento cognitivo através de fármacos poderia perfeitamente ser inserido como tal.


  • Mostrar Abstract
  • A tese principal a ser demonstrada neste trabalho é a de que o aprimoramento cognitivo por meio do uso de fármacos pode ser incluído como um bem primário dentro do pensamento de Rawls. Para isso, o texto estrutura-se em duas partes. A primeira parte pretende descrever a teoria da justiça como equidade em seus elementos diretamente relacionados com os bens primários. A primeira informação a ser constatada é a unidade da noção de bens primários em toda a obra de Rawls. Alguns elementos são modificados, como por exemplo a distinção entre bens primários naturais e sociais. Os bens primários naturais são: a inteligência, a saúde, a imaginação, o vigor e a oportunidade (sorte) e os bens primários sociais são: direito e liberdade, oportunidades e poder, renda e riqueza e as bases sociais do autorrespeito. A percepção de alguns talentos como a inteligência também sofreu alteração, passando de ‘maior inteligência’ para uma ‘inteligência educada’. Isso ressalta a educação como bem primário que perpassa toda a obra de Rawls em perspectivas diferentes. A liberdade e o autorrespeito são bens-primários sociais que também serão aprofundados. Na segunda parte apresenta-se a definição de aprimoramento e como a distinção entre aprimoramento e tratamento é polêmica. da parte apresenta-se a definição de aprimoramento e como a distinção entre aprimoramento e tratamento é polêmica. Assim aprofundamos os problemas relacionados a prática do aprimoramento (enhancement) mostrando como os conceitos de bens primários de Rawls como a liberdade e o autorrespeito não estão em oposição a prática do aprimoramento, particularmente do aprimoramento cognitivo (cognitive enhancement) . Mostramos, ao contrário, que a proibição do aprimoramento cognitivo poderia levar a negação desses bens primários. Mas como poderíamos considerar o aprimoramento cognitivo como um bem primário social? O que fazemos nesta tese é mostrar como o aprimoramento cognitivo é importante para garantir que os bens primários sejam acessíveis aos cidadãos, bem como reconstituímos o processo que Rawls utiliza para a escolha de seus bens primários e verificarmos que o aprimoramento cognitivo através de fármacos poderia perfeitamente ser inserido como tal.

7
  • ALAN MARINHO LOPES
  • O OUTRO COMEÇO: EREIGNIS COMO TRANSIÇÃO NO PENSAMENTO DE HEIDEGGER

  • Orientador : OSCAR FEDERICO BAUCHWITZ
  • MEMBROS DA BANCA :
  • OSCAR FEDERICO BAUCHWITZ
  • DAX FONSECA MORAES PAES NASCIMENTO
  • SERGIO EDUARDO LIMA DA SILVA
  • JOSE NICOLAO JULIAO
  • LUIZ ROBERTO ALVES DOS SANTOS
  • Data: 21/12/2015

  • Mostrar Resumo
  • O objetivo principal deste trabalho é o de apresentar algumas das mais importantes ideias presentes em Contribuições à Filosofia (do Ereignis) de Martin Heidegger. Esta obra de publicação póstuma foi escrita entre 1936 e 1938, marca um importante movimento de Heidegger e da filosofia do século XX, uma virada em seu pensamento que trouxe novas e importantes noções incorporadas a partir de então. Para compreender melhor o conteúdo de Contribuições, faz-se necessário um retorno desde Ser e Tempo (1927), obra mais disseminada de Heidegger, para entender quais as mudanças importantes que o levaram a perguntar pelo ser outra vez através de um pensamento profundamente transformado pelo acolhimento de novas e determinantes influências. Uma das principais diferenças está na palavra-guia de seu pensamento, o “conceito” central que prescreve toda a obra, no caso de Ser e Tempo, o Dasein e em Contribuições, o Ereignis. Essa diferença é fundamental para o movimento de virada que permeia a filosofia de Heidegger nos anos 30, pois o Ereignis é apresentado no livro como um acontecimento anterior e mais originário que o próprio Dasein. Sendo assim, Heidegger passa a incorporar o Ereignis em sua obra posterior a virada, inaugurando com o termo um Outro Começo para seu pensamento e também para a filosofia no século XX. A ideia de Outro Começo presente em Contribuições é o cerne deste trabalho. A partir de uma suficiente investigação sobre o Ereignis, o Outro Começo pode se tornar mais claro. Desta forma, o ser ganha também outro olhar e outra grafia (Seyn) para expressar uma nova tentativa de aproximação a partir do Ereignis. Por fim, o Outro Começo culmina na apresentação do Último Deus de Heidegger, expressão cunhada nas Contribuições para expressar uma relação mais íntima entre o homem e o sagrado fora de qualquer religião, mas que traga a ideia de Deus para a discussão filosófica. O Último Deus surge em um período de indigência contemporânea do pensamento, uma época onde a principal diretriz do conhecimento se dá pela ciência e sua essência de Maquinação. Influenciado pela mística neoplatônica, mais especificamente Mestre Eckhart, o Último Deus de Heidegger entrega a profunda expressão do silêncio e da meditação como via de acesso ao ser (Seyn) das coisas.


  • Mostrar Abstract
  • O objetivo principal deste trabalho é o de apresentar algumas das mais importantes ideias presentes em Contribuições à Filosofia (do Ereignis) de Martin Heidegger. Esta obra de publicação póstuma foi escrita entre 1936 e 1938, marca um importante movimento de Heidegger e da filosofia do século XX, uma virada em seu pensamento que trouxe novas e importantes noções incorporadas a partir de então. Para compreender melhor o conteúdo de Contribuições, faz-se necessário um retorno desde Ser e Tempo (1927), obra mais disseminada de Heidegger, para entender quais as mudanças importantes que o levaram a perguntar pelo ser outra vez através de um pensamento profundamente transformado pelo acolhimento de novas e determinantes influências. Uma das principais diferenças está na palavra-guia de seu pensamento, o “conceito” central que prescreve toda a obra, no caso de Ser e Tempo, o Dasein e em Contribuições, o Ereignis. Essa diferença é fundamental para o movimento de virada que permeia a filosofia de Heidegger nos anos 30, pois o Ereignis é apresentado no livro como um acontecimento anterior e mais originário que o próprio Dasein. Sendo assim, Heidegger passa a incorporar o Ereignis em sua obra posterior a virada, inaugurando com o termo um Outro Começo para seu pensamento e também para a filosofia no século XX. A ideia de Outro Começo presente em Contribuições é o cerne deste trabalho. A partir de uma suficiente investigação sobre o Ereignis, o Outro Começo pode se tornar mais claro. Desta forma, o ser ganha também outro olhar e outra grafia (Seyn) para expressar uma nova tentativa de aproximação a partir do Ereignis. Por fim, o Outro Começo culmina na apresentação do Último Deus de Heidegger, expressão cunhada nas Contribuições para expressar uma relação mais íntima entre o homem e o sagrado fora de qualquer religião, mas que traga a ideia de Deus para a discussão filosófica. O Último Deus surge em um período de indigência contemporânea do pensamento, uma época onde a principal diretriz do conhecimento se dá pela ciência e sua essência de Maquinação. Influenciado pela mística neoplatônica, mais especificamente Mestre Eckhart, o Último Deus de Heidegger entrega a profunda expressão do silêncio e da meditação como via de acesso ao ser (Seyn) das coisas.

2014
Teses
1
  • MARIA JOSE DA CONCEICAO SOUZA VIDAL
  • Sobre o problema da mentira na filosofia prática de Kant

  • Orientador : JUAN ADOLFO BONACCINI
  • MEMBROS DA BANCA :
  • JUAN ADOLFO BONACCINI
  • ERICO ANDRADE MARQUES DE OLIVEIRA
  • JOEL THIAGO KLEIN
  • DELAMAR JOSE VOLPATO DUTRA
  • LEONEL RIBEIRO DOS SANTOS
  • Data: 23/04/2014

  • Mostrar Resumo
  • A pesquisa examina o problema da mentira no pensamento de Immanuel Kant.
    Trata no campo do direito, da política, da história, da moral, busca-se investigar a rejeição
    kantiana à mentira e o dever incondicionado de ser veraz. Defende-se a tese da exceção para
    mentir e não ser reprovável em dois casos, a saber: na tortura e diante do assassino. Assim,
    demonstra-se que é possível a exceção para mentir no âmbito do direito, da política e da
    história, considerando a perspectiva da harmonia das liberdades externas e a ideia do
    progresso moral. Nesse sentido, defende-se que a fonte do direito se estabelece com a garantia
    das liberdades externas. Do ponto de vista da moral, reafirma-se a incondicionalidade que é
    para Kant o dever de veracidade, mas aponta-se a possibilidade de uma regra prática que
    permita a mentira com base na dignidade humana, ponderando valores como igualdade
    política, o respeito pelos agentes racionais, bem como, o princípio da humanidade que ensina
    a tratar o outro sempre como fim em si mesmo.


  • Mostrar Abstract
  • A pesquisa examina o problema da mentira no pensamento de Immanuel Kant.
    Trata no campo do direito, da política, da história, da moral, busca-se investigar a rejeição
    kantiana à mentira e o dever incondicionado de ser veraz. Defende-se a tese da exceção para
    mentir e não ser reprovável em dois casos, a saber: na tortura e diante do assassino. Assim,
    demonstra-se que é possível a exceção para mentir no âmbito do direito, da política e da
    história, considerando a perspectiva da harmonia das liberdades externas e a ideia do
    progresso moral. Nesse sentido, defende-se que a fonte do direito se estabelece com a garantia
    das liberdades externas. Do ponto de vista da moral, reafirma-se a incondicionalidade que é
    para Kant o dever de veracidade, mas aponta-se a possibilidade de uma regra prática que
    permita a mentira com base na dignidade humana, ponderando valores como igualdade
    política, o respeito pelos agentes racionais, bem como, o princípio da humanidade que ensina
    a tratar o outro sempre como fim em si mesmo.

2
  • ANTONIO JÚLIO GARCIA FREIRE
  • A NATUREZA DA ALMA E O CLINAMEN: AÇÃO E LIBERDADE EM LUCRÉCIO



  • Orientador : MARKUS FIGUEIRA DA SILVA
  • MEMBROS DA BANCA :
  • CELSO MARTINS AZAR FILHO
  • EDRISI DE ARAUJO FERNANDES
  • FERNANDA MACHADO DE BULHOES
  • MARCUS REIS PINHEIRO
  • MARKUS FIGUEIRA DA SILVA
  • Data: 09/05/2014

  • Mostrar Resumo
  • A noção de liberdade – e o seu pressuposto, a vontade livre ou libera voluntas - em Lucrécio se apóia na noção de clinamen (declinação), um movimento ocasional e fortuito dos átomos, inacessível á experiência. Trata-se de um movimento complexo dotado de espontaneidade, sem a necessidade de causas mecânicas. A ação de perceber (sensus) é a consciência de si, em função de qual, esta vontade, iluminada por experiências anteriores (sensitivas, intelectuais ou afetivas) da alma, tira proveito da liberdade ou espontaneidade própria dos movimentos atômicos, para dirigir ou não estes últimos, a uma direção percebida e escolhida. Por outro lado, atribuir à declinação um papel predominate para os atos da vontade encerram outros problemas. Sempre existe a escolha sobre uma dada ação, e portanto, mesmo que o indivíduo se encontre frente a uma necessidade do agir, é possível escolher não prosseguir e concluir a ação. Nesse sentido, a vontade encontra-se associada a afecções que são originadas, em última análise, das imagens que que se formam de maneira aleatória no espaço e impressionam o alma: os simulacros do desejo e do prazer. A declinação investe-se de importância na presente pesquisa a fim de enfatizar as relações entre a liberdade e a cinética dos elementos. Neste sentido, a abordagem desenvolvida neste trabalho teve como objetivos principais investigar a filosofia da natureza do mundo e da alma em Lucrécio, seus constituintes e movimento, além de demonstrar como a noção do clinamen se articula com as imagens, o desejo e o prazer, propondo uma interpretação possível para a declinação como fundamento indeterminado e ético da liberdade.


  • Mostrar Abstract
  • A noção de liberdade – e o seu pressuposto, a vontade livre ou libera voluntas - em Lucrécio se apóia na noção de clinamen (declinação), um movimento ocasional e fortuito dos átomos, inacessível á experiência. Trata-se de um movimento complexo dotado de espontaneidade, sem a necessidade de causas mecânicas. A ação de perceber (sensus) é a consciência de si, em função de qual, esta vontade, iluminada por experiências anteriores (sensitivas, intelectuais ou afetivas) da alma, tira proveito da liberdade ou espontaneidade própria dos movimentos atômicos, para dirigir ou não estes últimos, a uma direção percebida e escolhida. Por outro lado, atribuir à declinação um papel predominate para os atos da vontade encerram outros problemas. Sempre existe a escolha sobre uma dada ação, e portanto, mesmo que o indivíduo se encontre frente a uma necessidade do agir, é possível escolher não prosseguir e concluir a ação. Nesse sentido, a vontade encontra-se associada a afecções que são originadas, em última análise, das imagens que que se formam de maneira aleatória no espaço e impressionam o alma: os simulacros do desejo e do prazer. A declinação investe-se de importância na presente pesquisa a fim de enfatizar as relações entre a liberdade e a cinética dos elementos. Neste sentido, a abordagem desenvolvida neste trabalho teve como objetivos principais investigar a filosofia da natureza do mundo e da alma em Lucrécio, seus constituintes e movimento, além de demonstrar como a noção do clinamen se articula com as imagens, o desejo e o prazer, propondo uma interpretação possível para a declinação como fundamento indeterminado e ético da liberdade.

3
  • LUIZ FERNANDO FONTES TEIXEIRA
  • O CONFLITO DAS FRONTEIRAS

  • Orientador : OSCAR FEDERICO BAUCHWITZ
  • MEMBROS DA BANCA :
  • CLAUDIA D''''AMICO - UNIVERSIDAD DE BUENOS AIRES
  • EDRISI DE ARAUJO FERNANDES
  • GISELE AMARAL DOS SANTOS
  • LEONEL RIBEIRO DOS SANTOS
  • OSCAR FEDERICO BAUCHWITZ
  • Data: 30/05/2014

  • Mostrar Resumo
  • O conflito das fronteiras se desdobra como um percurso natural da história do pensamento humano. Torna-se manifesto todavia apenas mediante um explícito choque cultural, que evidencia distintas formatações conceituais. Pensar este conflito pode esclarecer os enlaces responsáveis pelo desenvolvimento do pensamento contemporâneo. Esta tese pretende analisar, em um primeiro momento, a história do pensamento enquanto metafísica, apresentando um diagnóstico da maneira pela qual o Ocidente impinge sua lógica categórica. Por conseguinte, apresenta a tradição da negatividade, evidenciando um pensamento para além da ontologia clássica mediante uma henologia e uma meontologia no neoplatonismo e na mística medieval. Por fim, expõe o pensamento do Extremo Oriente como possiblidade de recepção contemporânea da negatividade e escapatória para a formatação ocidentalizante da filosofia vigente.


  • Mostrar Abstract
  • O conflito das fronteiras se desdobra como um percurso natural da história do pensamento humano. Torna-se manifesto todavia apenas mediante um explícito choque cultural, que evidencia distintas formatações conceituais. Pensar este conflito pode esclarecer os enlaces responsáveis pelo desenvolvimento do pensamento contemporâneo. Esta tese pretende analisar, em um primeiro momento, a história do pensamento enquanto metafísica, apresentando um diagnóstico da maneira pela qual o Ocidente impinge sua lógica categórica. Por conseguinte, apresenta a tradição da negatividade, evidenciando um pensamento para além da ontologia clássica mediante uma henologia e uma meontologia no neoplatonismo e na mística medieval. Por fim, expõe o pensamento do Extremo Oriente como possiblidade de recepção contemporânea da negatividade e escapatória para a formatação ocidentalizante da filosofia vigente.

4
  • FRANCISCO RAMOS NEVES
  • METAFÍSICA DO TEMPO PRESENTE: Sobre o programa de Walter Benjamin a uma Filosofia vindoura.

  • Orientador : JUAN ADOLFO BONACCINI
  • MEMBROS DA BANCA :
  • ALFREDO DE OLIVEIRA MORAIS
  • JESUS VAZQUEZ TORREZ
  • JUAN ADOLFO BONACCINI
  • MICHEL ZAIDAN FILHO
  • Data: 22/12/2014

  • Mostrar Resumo
  • Nossa tese desenvolve um método de leitura sobre a proposta de Walter Benjamin a uma filosofia vindoura, especificando a importância do conceito de experiência (Erfahrung) para a fundamentação de uma metafísica do tempo presente. Partimos do estudo de como se deve ler Benjamin e depois analisamos o que se pretende resgatar do legado kantiano conforme indicado em um texto de sua juventude “Über das programm der kommenden philosophie” escrito entre 1917-1918, a fim de suscitar o debate sobre a vitalidade de uma “filosofia vindoura” enquanto “metafísica do presente”. A pesquisa parte da releitura dos textos juvenis de Benjamin comparado com outros textos da maturidade que propõem um novo conceito de experiência como base estético-histórica a uma filosofia do “tempo-presente”. A tese discute o desafio de uma metafísica na atualidade em face da crise da ciência e de falência dos modelos explicativos da realidade na filosofia, por analogia com a atitude do criticismo kantiano em sua contraposição à metafísica dogmática de seu tempo.


  • Mostrar Abstract
  • Nossa tese desenvolve um método de leitura sobre a proposta de Walter Benjamin a uma filosofia vindoura, especificando a importância do conceito de experiência (Erfahrung) para a fundamentação de uma metafísica do tempo presente. Partimos do estudo de como se deve ler Benjamin e depois analisamos o que se pretende resgatar do legado kantiano conforme indicado em um texto de sua juventude “Über das programm der kommenden philosophie” escrito entre 1917-1918, a fim de suscitar o debate sobre a vitalidade de uma “filosofia vindoura” enquanto “metafísica do presente”. A pesquisa parte da releitura dos textos juvenis de Benjamin comparado com outros textos da maturidade que propõem um novo conceito de experiência como base estético-histórica a uma filosofia do “tempo-presente”. A tese discute o desafio de uma metafísica na atualidade em face da crise da ciência e de falência dos modelos explicativos da realidade na filosofia, por analogia com a atitude do criticismo kantiano em sua contraposição à metafísica dogmática de seu tempo.

2013
Teses
1
  • SERGIO EDUARDO LIMA DA SILVA
  • HERMENÊUTICA EXISTENCIAL EM AGOSTINHO DE HIPONA E MARTIN HEIDEGGER

  • Orientador : GLENN WALTER ERICKSON
  • MEMBROS DA BANCA :
  • CELSO MARTINS AZAR FILHO
  • GISELE AMARAL DOS SANTOS
  • GLENN WALTER ERICKSON
  • MARCOS ROBERTO NUNES COSTA
  • NOELI DUTRA ROSSATTO
  • Data: 22/04/2013

  • Mostrar Resumo
  • A tese apresenta as interpretações de Agostinho de Hipona acerca dos três primeiros capítulos do Gênesis, o primeiro livro da Bíblia. Estas interpretações se encontram nas obras Comentário Literal ao Gênesis, Sobre o Gênesis Contra os Maniqueus, Comentário Literal ao Gênesis- Inacabado e As Confissões - livros XI-XIII além da breve exposição contida na obra Cidade de Deus, livros XI-XIV. A exposição destes comentários agostinianos visa demonstrar as variadas interpretações realizadas pelo autor a um mesmo conjunto de textos, revelando uma hermenêutica centrada no hermeneuta e não em regras interpretativas estabelecidas. Em seguida descreve-se, de forma sucinta, a evolução da hermenêutica textual durante o período moderno até as reflexões realizadas por Martin Heidegger na primeira metade dos anos vinte do século passado. A partir dos comentários existenciais feitos por Heidegger às epístolas de Paulo de Tarso (Gálatas e I e II Tessalonicenses) e ao livro X das Confissões, manifesta-se um retorno a uma hermenêutica baseada no intérprete, tal qual praticada por Agostinho. As preocupações manifestadas por Heidegger acerca dos fundamentos prévios existentes no Dasein e que poderiam influenciar sua autocompreensão, se constituem em possibilidades de explicação tanto para as variações interpretativas agostinianas como para a abordagem existencial praticada por Heidegger às epístolas paulinas e ao texto agostiniano. 


  • Mostrar Abstract
  • A tese apresenta as interpretações de Agostinho de Hipona acerca dos três primeiros capítulos do Gênesis, o primeiro livro da Bíblia. Estas interpretações se encontram nas obras Comentário Literal ao Gênesis, Sobre o Gênesis Contra os Maniqueus, Comentário Literal ao Gênesis- Inacabado e As Confissões - livros XI-XIII além da breve exposição contida na obra Cidade de Deus, livros XI-XIV. A exposição destes comentários agostinianos visa demonstrar as variadas interpretações realizadas pelo autor a um mesmo conjunto de textos, revelando uma hermenêutica centrada no hermeneuta e não em regras interpretativas estabelecidas. Em seguida descreve-se, de forma sucinta, a evolução da hermenêutica textual durante o período moderno até as reflexões realizadas por Martin Heidegger na primeira metade dos anos vinte do século passado. A partir dos comentários existenciais feitos por Heidegger às epístolas de Paulo de Tarso (Gálatas e I e II Tessalonicenses) e ao livro X das Confissões, manifesta-se um retorno a uma hermenêutica baseada no intérprete, tal qual praticada por Agostinho. As preocupações manifestadas por Heidegger acerca dos fundamentos prévios existentes no Dasein e que poderiam influenciar sua autocompreensão, se constituem em possibilidades de explicação tanto para as variações interpretativas agostinianas como para a abordagem existencial praticada por Heidegger às epístolas paulinas e ao texto agostiniano. 

2
  • IRIS FATIMA DA SILVA URIBE
  • FORMATIVIDADE E INTERPRETAÇÃO: A Filosofia Estética de Luigi Pareyson

  • Orientador : OSCAR FEDERICO BAUCHWITZ
  • MEMBROS DA BANCA :
  • OSCAR FEDERICO BAUCHWITZ
  • CÍCERO CUNHA BEZERRA
  • EDRISI DE ARAUJO FERNANDES
  • GIANLUCA CUOZZO
  • PAULO AFONSO ARAUJO
  • Data: 05/11/2013

  • Mostrar Resumo
  • O conceito de formatividade, cunhado por Luigi Pareyson, é a chave para o desenvolvimento de importantes estudos contemporâneos no campo da Estética. O escopo deste trabalho é apresentar uma compreensão das noções de Formatividade e Interpretação, como se evidencia no título da tese: Formatividade e Interpretação: a filosofia estética de Luigi Pareyson. A obra Estética - Teoria da Formatividade, publicada pela primeira vez em 1954, é considerada um marco do renascimento da estética. Nesta tese, examinamos o conceito de formatividade como um componente aplicável a toda e qualquer ação humana, não limitada a práticas pré-determinadas nem à aplicação de procedimentos preexistentes. Investigamos a tríade conceitual fazer-inventar-interpretar, que simultaneamente funda a formatividade. No primeiro capítulo, apresentamos a Propedêutica Estética; no segundo, analisamos a Teoria da Formatividade: o caráter estético da inteira experiência humana; e, no terceiro, exploramos A Estética da Forma e a Metafísica da Figuração no caráter formativo do conhecimento. A nossa reflexão enxerga a operabilidade humana como busca e tentativa, figuração e invenção à procura do êxito. O problema da formação da obra, a ideia de Obra-forma, abordados nesta tese, especula a inexorabilidade de invenção e interpretação numa tentativa de estabelecer um novo ponto de partida para os estudos da estética pareysoniana no Brasil.


  • Mostrar Abstract
  • O conceito de formatividade, cunhado por Luigi Pareyson, é a chave para o desenvolvimento de importantes estudos contemporâneos no campo da Estética. O escopo deste trabalho é apresentar uma compreensão das noções de Formatividade e Interpretação, como se evidencia no título da tese: Formatividade e Interpretação: a filosofia estética de Luigi Pareyson. A obra Estética - Teoria da Formatividade, publicada pela primeira vez em 1954, é considerada um marco do renascimento da estética. Nesta tese, examinamos o conceito de formatividade como um componente aplicável a toda e qualquer ação humana, não limitada a práticas pré-determinadas nem à aplicação de procedimentos preexistentes. Investigamos a tríade conceitual fazer-inventar-interpretar, que simultaneamente funda a formatividade. No primeiro capítulo, apresentamos a Propedêutica Estética; no segundo, analisamos a Teoria da Formatividade: o caráter estético da inteira experiência humana; e, no terceiro, exploramos A Estética da Forma e a Metafísica da Figuração no caráter formativo do conhecimento. A nossa reflexão enxerga a operabilidade humana como busca e tentativa, figuração e invenção à procura do êxito. O problema da formação da obra, a ideia de Obra-forma, abordados nesta tese, especula a inexorabilidade de invenção e interpretação numa tentativa de estabelecer um novo ponto de partida para os estudos da estética pareysoniana no Brasil.

3
  • JORGE DOS SANTOS LIMA
  • CONVENIENCIA E PLAUSIBILIDAE DA PROPOSIÇÃO DE QUE JUSTIÇA É HARMONIA N’A REPÚBLICA DE PLATÃO

  • Orientador : GLENN WALTER ERICKSON
  • MEMBROS DA BANCA :
  • GLENN WALTER ERICKSON
  • GISELE AMARAL DOS SANTOS
  • MARKUS FIGUEIRA DA SILVA
  • ALICE BITENCOURT HADDAD
  • ZORAIDA MARIA LOPES FEITOSA
  • Data: 05/11/2013

  • Mostrar Resumo
  • Essa tese de doutorado defende a interpretação de que n’A República de Platão o
    argumento elaborado por Trasímaco, no qual justiça é a conveniência do mais forte,
    está implicitamente aceito por Sócrates. Apesar da defesa enfatizada por Trasímaco
    não demonstrar nenhuma afinidade com o argumento de Sócrates, ela propõe um
    comentário irônico e sarcástico sobre vida política. Sócrates aceita esse comentário
    para derivar dele uma noção mais refinada da categoria dos mais poderosos.
    Enquanto Trasímaco assume que a conveniência dos mais poderosos inclui o poder
    de submeter todos e tudo a seus prazeres individuais, Sócrates admite que os mais
    poderosos estejam definidos apenas pela sua característica de ser capaz de manter
    o poder em perpetuidade. Nesse contexto, o tema principal d’A República é que a
    harmonia entre as classes funcionais da cidade é conveniente para poder perpétuo.
    Para conservação dessa harmonia, a classe funcional dos mais poderosos vê como
    conveniente renunciar um possível monopólio sobre prazer em prol de uma
    redistribuição que promova a harmonia, o que também se torna conveniente para as
    demais classes. Assim, pode-se dizer que os mais poderosos divulgam o sentido de
    justiça como sendo a conveniência de todos, mas que implicitamente acreditam
    somente no argumento de que a justiça é o que lhes é conveniente. Uma vez que a
    conveniência é o que promove a harmonia entre as classes funcionais, torna-se
    conveniente para Sócrates a crença de que a compreensão de justiça dos mais
    poderosos não seja divulgada publicamente. Também faz parte do argumento
    central d’A República a noção de que toda a especulação presente no diálogo entre
    seus personagens não pode ser verdadeira, mas, na melhor das hipóteses, apenas
    plausível e conveniente. Sócrates precisa modificar a natureza das classes
    funcionais através de um programa direcionado de reprodução sexual e um
    programa de doutrinação ideológica para que a proposta de promover a harmonia
    através dos elementos da cidade, sob a alegação de que a justiça está a favor do
    mais fraco, torne-se o discurso mais plausível e conveniente. Para fazer o novo
    regime mais plausível, Sócrates desenvolve uma metafísica fundamentada na noção
    matemática de harmonia, tal metafísica a serviço da retórica oficial do regime político
    apresentado por Sócrates.


  • Mostrar Abstract
  • Essa tese de doutorado defende a interpretação de que n’A República de Platão o
    argumento elaborado por Trasímaco, no qual justiça é a conveniência do mais forte,
    está implicitamente aceito por Sócrates. Apesar da defesa enfatizada por Trasímaco
    não demonstrar nenhuma afinidade com o argumento de Sócrates, ela propõe um
    comentário irônico e sarcástico sobre vida política. Sócrates aceita esse comentário
    para derivar dele uma noção mais refinada da categoria dos mais poderosos.
    Enquanto Trasímaco assume que a conveniência dos mais poderosos inclui o poder
    de submeter todos e tudo a seus prazeres individuais, Sócrates admite que os mais
    poderosos estejam definidos apenas pela sua característica de ser capaz de manter
    o poder em perpetuidade. Nesse contexto, o tema principal d’A República é que a
    harmonia entre as classes funcionais da cidade é conveniente para poder perpétuo.
    Para conservação dessa harmonia, a classe funcional dos mais poderosos vê como
    conveniente renunciar um possível monopólio sobre prazer em prol de uma
    redistribuição que promova a harmonia, o que também se torna conveniente para as
    demais classes. Assim, pode-se dizer que os mais poderosos divulgam o sentido de
    justiça como sendo a conveniência de todos, mas que implicitamente acreditam
    somente no argumento de que a justiça é o que lhes é conveniente. Uma vez que a
    conveniência é o que promove a harmonia entre as classes funcionais, torna-se
    conveniente para Sócrates a crença de que a compreensão de justiça dos mais
    poderosos não seja divulgada publicamente. Também faz parte do argumento
    central d’A República a noção de que toda a especulação presente no diálogo entre
    seus personagens não pode ser verdadeira, mas, na melhor das hipóteses, apenas
    plausível e conveniente. Sócrates precisa modificar a natureza das classes
    funcionais através de um programa direcionado de reprodução sexual e um
    programa de doutrinação ideológica para que a proposta de promover a harmonia
    através dos elementos da cidade, sob a alegação de que a justiça está a favor do
    mais fraco, torne-se o discurso mais plausível e conveniente. Para fazer o novo
    regime mais plausível, Sócrates desenvolve uma metafísica fundamentada na noção
    matemática de harmonia, tal metafísica a serviço da retórica oficial do regime político
    apresentado por Sócrates.

4
  • LOURIVAL BEZERRA DA COSTA JUNIOR
  • O Argumento dos Contrários e a Hipótese Sobre Imortalidade no Fédon de Platão

  • Orientador : MARKUS FIGUEIRA DA SILVA
  • MEMBROS DA BANCA :
  • MARKUS FIGUEIRA DA SILVA
  • EDRISI DE ARAUJO FERNANDES
  • JOSE GABRIEL TRINDADE SANTOS
  • ADMAR ALMEIDA DA COSTA
  • MARIA DAS GRAÇAS DE MORAES AUGUSTO
  • Data: 11/11/2013

  • Mostrar Resumo
  • Este trabalho tem como objetivo geral mostrar que no Fédon de Platão, a associação entre o argumento dos contrários e o argumento da reminiscência (72e – 77e) seguida da analogia da investigação do eclipse do sol (99d-102a), que serve de modelo ao método de investigação ideal mostra que o método naturalista de investigação direta dos fenômenos (99c-100b) não conduz, necessariamente, ao verdadeiro conhecimento. Como método, adotou-se uma leitura comparativa e uma interpretação por aproximação do texto fonte. O resultado aqui obtido é a noção de como se dá o conhecimento no referido diálogo. Como conclusão se afirma que, nessa obra o conhecimento é uma espécie de recordação que se dá como reciprocidade entre um processo negativo de cognição e o estado cognitivo inato.


  • Mostrar Abstract
  • Este trabalho tem como objetivo geral mostrar que no Fédon de Platão, a associação entre o argumento dos contrários e o argumento da reminiscência (72e – 77e) seguida da analogia da investigação do eclipse do sol (99d-102a), que serve de modelo ao método de investigação ideal mostra que o método naturalista de investigação direta dos fenômenos (99c-100b) não conduz, necessariamente, ao verdadeiro conhecimento. Como método, adotou-se uma leitura comparativa e uma interpretação por aproximação do texto fonte. O resultado aqui obtido é a noção de como se dá o conhecimento no referido diálogo. Como conclusão se afirma que, nessa obra o conhecimento é uma espécie de recordação que se dá como reciprocidade entre um processo negativo de cognição e o estado cognitivo inato.

5
  • NOEMI FAVASSA ALVES
  • A ONTOLOGIA DA COR NA FENOMENOLOGIA ESTÉTICA BACHELARDIANA


  • Orientador : OSCAR FEDERICO BAUCHWITZ
  • MEMBROS DA BANCA :
  • OSCAR FEDERICO BAUCHWITZ
  • CÍCERO CUNHA BEZERRA
  • EDRISI DE ARAUJO FERNANDES
  • CELSO MARTINS AZAR FILHO
  • OLIVIER MARTIN LOUIS ALBERT RENE FERON
  • Data: 16/12/2013

  • Mostrar Resumo
  • A filosofia de Gaston Bachelard se fundamenta numa tensão ontológica, abrangendo tanto a ciência como a poética, e nesta pesquisa, se desenvolve pelo entendimento da possibilidade de se pensar uma ontologia da cor, termo bachelardiano citado em O Direito de Sonhar. Seguimos, então, mediante o diálogo entre a ciência e poesia estabelecendo parâmetros para elucidar, de um lado, a cor conceitual da ciência que não só matiza os objetos através da experiência químico-física, bem como, estabelece na relação entre o observador e o objeto uma compreensão sobre a existência da cor invisível, esta, que habita a imaginação criadora e surge como um tipo de ontologia da cor. Neste sentido, a cor é uma imagem que surge na consciência do homem, como um produto direto da alma em sua própria atualidade. Assim, a cor seria na imaginação criadora uma imagem autógena destituída de substancialidade.


  • Mostrar Abstract
  • A filosofia de Gaston Bachelard se fundamenta numa tensão ontológica, abrangendo tanto a ciência como a poética, e nesta pesquisa, se desenvolve pelo entendimento da possibilidade de se pensar uma ontologia da cor, termo bachelardiano citado em O Direito de Sonhar. Seguimos, então, mediante o diálogo entre a ciência e poesia estabelecendo parâmetros para elucidar, de um lado, a cor conceitual da ciência que não só matiza os objetos através da experiência químico-física, bem como, estabelece na relação entre o observador e o objeto uma compreensão sobre a existência da cor invisível, esta, que habita a imaginação criadora e surge como um tipo de ontologia da cor. Neste sentido, a cor é uma imagem que surge na consciência do homem, como um produto direto da alma em sua própria atualidade. Assim, a cor seria na imaginação criadora uma imagem autógena destituída de substancialidade.

6
  • LUIZ ROBERTO ALVES DOS SANTOS
  • SLOTERDIJK E O LUGAR DO HOMEM NO HUMANISMO PÓS-METAFÍSICO

  • Orientador : OSCAR FEDERICO BAUCHWITZ
  • MEMBROS DA BANCA :
  • CÍCERO CUNHA BEZERRA
  • EDRISI DE ARAUJO FERNANDES
  • EMANUEL ANGELO DA ROCHA FRAGOSO
  • JOSE NICOLAO JULIAO
  • OSCAR FEDERICO BAUCHWITZ
  • Data: 17/12/2013

  • Mostrar Resumo
  • O labor aqui apresentado parte do princípio de que o termo humanismo é usado
    hodiernamente para salvaguardar certos comportamentos ou formas de agir constituídas
    há mais de 2500 anos, sobretudo no que tange aos valores humanos mais básicos, os
    quais são axiomaticamente validados, sem quaisquer contestações. O humanismo é
    visto continuamente como pedra de toque da civilidade. Destarte, em 1999, o filósofo
    Peter Sloterdijk apresentou uma conferência na Baviera, intitulada Regras para o
    Parque Humano, cujo subtítulo deixava claro que se tratava de uma resposta ao texto de
    Martin Heidegger, Carta sobre o Humanismo, basicamente mostrando que a civilidade
    está estritamente vinculada à domesticação humana. Nestes termos, o presente trabalho
    é dividido em três capítulos. No primeiro, pretende estabelecer os fundamentos culturais
    e metafísicos do humanismo, bem como também fazer uma abordagem sobre aquilo que
    chamaremos de humanismo epistolar e seus corolários. Ademais, no terceiro capítulo,
    teceremos asserções teóricas à crítica heideggeriana ao humanismo e à proposta póshumanista
    contemporânea, assim como a respeito da relação entre convergência
    midiática e antropotécnicas. Esses dois elementos tomados como fundamentos
    antropológicos do humanismo e do pós-humanismo e entendendo a citada relação
    historicamente, a partir de seus pressupostos biológicos e ontológicos. Portanto, o
    trabalho aqui apresentado, ao tentar mapear o humanismo sob a influência teórica de
    Sloterdijk, distingue-se precisamente por conseguir perceber a coerência com que ele
    pretende diagnosticar os rumos do humanismo contemporâneo.


  • Mostrar Abstract
  • O labor aqui apresentado parte do princípio de que o termo humanismo é usado
    hodiernamente para salvaguardar certos comportamentos ou formas de agir constituídas
    há mais de 2500 anos, sobretudo no que tange aos valores humanos mais básicos, os
    quais são axiomaticamente validados, sem quaisquer contestações. O humanismo é
    visto continuamente como pedra de toque da civilidade. Destarte, em 1999, o filósofo
    Peter Sloterdijk apresentou uma conferência na Baviera, intitulada Regras para o
    Parque Humano, cujo subtítulo deixava claro que se tratava de uma resposta ao texto de
    Martin Heidegger, Carta sobre o Humanismo, basicamente mostrando que a civilidade
    está estritamente vinculada à domesticação humana. Nestes termos, o presente trabalho
    é dividido em três capítulos. No primeiro, pretende estabelecer os fundamentos culturais
    e metafísicos do humanismo, bem como também fazer uma abordagem sobre aquilo que
    chamaremos de humanismo epistolar e seus corolários. Ademais, no terceiro capítulo,
    teceremos asserções teóricas à crítica heideggeriana ao humanismo e à proposta póshumanista
    contemporânea, assim como a respeito da relação entre convergência
    midiática e antropotécnicas. Esses dois elementos tomados como fundamentos
    antropológicos do humanismo e do pós-humanismo e entendendo a citada relação
    historicamente, a partir de seus pressupostos biológicos e ontológicos. Portanto, o
    trabalho aqui apresentado, ao tentar mapear o humanismo sob a influência teórica de
    Sloterdijk, distingue-se precisamente por conseguir perceber a coerência com que ele
    pretende diagnosticar os rumos do humanismo contemporâneo.

2012
Teses
1
  • JOSE TEIXEIRA NETO
  • NEXUS: da relacionalidade do princípio à "metafísica do inominável" em Nicolau de Cusa

  • Orientador : OSCAR FEDERICO BAUCHWITZ
  • MEMBROS DA BANCA :
  • OSCAR FEDERICO BAUCHWITZ
  • CÍCERO CUNHA BEZERRA
  • GISELE AMARAL DOS SANTOS
  • CELSO MARTINS AZAR FILHO
  • CLAUDIA D'AMICO
  • Data: 23/04/2012

  • Mostrar Resumo
  • Indicamos com a ideia de nexus ou conexio, pensada como conexão do inteligível com o inteligente, o fundamento no qual a razão pode compreender e nomear, mesmo que inadequadamente, o que o intelecto vê incompreensível e inominável. Assim, abre-se um caminho para a nossa investigação: tomaremos a ideia de nexus como fundamental para a interpretação dos nomes divinos e para a “metafísica do inominável” e mostraremos como nos nomes divinos, principalmente no posset, espelha-se a Trindade, a relacionalidade do princípio e, portanto, também o nexus. Para tanto será necessário pensarmos algumas questões prévias: situaremos Nicolau de Cusa na tradição medieval do neoplatonismo cristão, retomaremos algumas discussões sobre o problema da nomeação e da filosofia da linguagem de seu pensamento, refletiremos como esse pensamento se molda a partir do diálogo ativo com a tradição e como a sua especulação se constitui a partir da relação dialética e dinâmica entre filosofia e teologia que será pensada em nosso texto por meio da relação entre fé e conhecimento intelectual (intellectus). Após esclarecermos essas questões introdutórias passaremos a considerar a compreensão trinitária do princípio fundante e a especulação sobre o nexus tomando como ponto de partida o De venatione sapientiae em que o nexus ou conexio é pensado como um campo de caça da sabedoria e o Primeiro Livro do De docta ignorantia no qual o Máximo é já pensado como uno e trino. A partir do Segundo Livro dessa mesma obra e do Idiota. De mente mostraremos em que sentido o universo e a mens, enquanto imago dei, imitam a Trindade eterna. Por último, retomaremos a noção de scientia aenigmatica do De beryllo e algumas indicações que esclarecerão que Nicolau assume os nomes divinos como enigmas. Finalmente, tentaremos mostrar que os nomes enigmáticos também espelharão o princípio unitrino. Assim, retomaremos previamente alguns traços desse aspecto em alguns nomes divinos e em textos do “peíodo tardio” para depois concluirmos com aquele que em si mesmo já indicava o nexus e, portanto, a trindade: possest.


  • Mostrar Abstract
  • Indicamos com a ideia de nexus ou conexio, pensada como conexão do inteligível com o inteligente, o fundamento no qual a razão pode compreender e nomear, mesmo que inadequadamente, o que o intelecto vê incompreensível e inominável. Assim, abre-se um caminho para a nossa investigação: tomaremos a ideia de nexus como fundamental para a interpretação dos nomes divinos e para a “metafísica do inominável” e mostraremos como nos nomes divinos, principalmente no posset, espelha-se a Trindade, a relacionalidade do princípio e, portanto, também o nexus. Para tanto será necessário pensarmos algumas questões prévias: situaremos Nicolau de Cusa na tradição medieval do neoplatonismo cristão, retomaremos algumas discussões sobre o problema da nomeação e da filosofia da linguagem de seu pensamento, refletiremos como esse pensamento se molda a partir do diálogo ativo com a tradição e como a sua especulação se constitui a partir da relação dialética e dinâmica entre filosofia e teologia que será pensada em nosso texto por meio da relação entre fé e conhecimento intelectual (intellectus). Após esclarecermos essas questões introdutórias passaremos a considerar a compreensão trinitária do princípio fundante e a especulação sobre o nexus tomando como ponto de partida o De venatione sapientiae em que o nexus ou conexio é pensado como um campo de caça da sabedoria e o Primeiro Livro do De docta ignorantia no qual o Máximo é já pensado como uno e trino. A partir do Segundo Livro dessa mesma obra e do Idiota. De mente mostraremos em que sentido o universo e a mens, enquanto imago dei, imitam a Trindade eterna. Por último, retomaremos a noção de scientia aenigmatica do De beryllo e algumas indicações que esclarecerão que Nicolau assume os nomes divinos como enigmas. Finalmente, tentaremos mostrar que os nomes enigmáticos também espelharão o princípio unitrino. Assim, retomaremos previamente alguns traços desse aspecto em alguns nomes divinos e em textos do “peíodo tardio” para depois concluirmos com aquele que em si mesmo já indicava o nexus e, portanto, a trindade: possest.

2011
Teses
1
  • RODRIGO VIDAL DO NASCIMENTO
  • O Corpo no pensamento de Epicuro: limites e possibilidades

  • Orientador : MARKUS FIGUEIRA DA SILVA
  • MEMBROS DA BANCA :
  • MARKUS FIGUEIRA DA SILVA
  • CINARA MARIA LEITE NAHRA
  • MONALISA CARRILHO DE MACEDO
  • CELSO MARTINS AZAR FILHO
  • ELENA MORAES GARCIA
  • Data: 09/06/2011

  • Mostrar Resumo
  • A temática que se insere na perspectiva do presente trabalho parte do interesse de tratar, no corpus epicúreo, acerca da interferência do corpo e os seus modos de realização. Tendo principalmente por base as inferências contidas nos textos que restaram de Epicuro, pretende-se realizar uma análise dos aspectos que caracterizam o epicurismo como sendo um pensamento que faz referências recorrentes ao corpo como principal instância da sensibilidade. Faz-se necessário, portanto, discutir porque o corpo está dado como principal via para a possibilidade do conhecimento. Entendendo ainda que a física atomista converge para a tendência de compreender os fenômenos naturais como possíveis de serem contidos e explicados com base nas observações advindas do sentidos. Por essa razão é igualmente importante a reflexão sobre os critérios adotados para validar as opiniões inferidas a respeito dos fenômenos naturais. O que Epicuro construiu de imagem acerca do corpo pode servir para a interpretação e a problematização das dinâmicas entre os indivíduos, marcando as diversidades como fator necessário, entretanto, não como obstáculo a conformação de uma sociedade harmoniosa. Esse ponto pretende investigar a ressonância do pensamento epicúreo na filosofia contemporânea partindo da analogia do corpo.


  • Mostrar Abstract
  • A temática que se insere na perspectiva do presente trabalho parte do interesse de tratar, no corpus epicúreo, acerca da interferência do corpo e os seus modos de realização. Tendo principalmente por base as inferências contidas nos textos que restaram de Epicuro, pretende-se realizar uma análise dos aspectos que caracterizam o epicurismo como sendo um pensamento que faz referências recorrentes ao corpo como principal instância da sensibilidade. Faz-se necessário, portanto, discutir porque o corpo está dado como principal via para a possibilidade do conhecimento. Entendendo ainda que a física atomista converge para a tendência de compreender os fenômenos naturais como possíveis de serem contidos e explicados com base nas observações advindas do sentidos. Por essa razão é igualmente importante a reflexão sobre os critérios adotados para validar as opiniões inferidas a respeito dos fenômenos naturais. O que Epicuro construiu de imagem acerca do corpo pode servir para a interpretação e a problematização das dinâmicas entre os indivíduos, marcando as diversidades como fator necessário, entretanto, não como obstáculo a conformação de uma sociedade harmoniosa. Esse ponto pretende investigar a ressonância do pensamento epicúreo na filosofia contemporânea partindo da analogia do corpo.

2
  • EVERTON DA SILVA ROCHA
  • A MORTE PODE SER CONHECIDA: PERCURSO EM TORNO DA COMPREENSÃO DA MORTALIDADE NA FILOSOFIA DE EPICURO

  • Orientador : MARKUS FIGUEIRA DA SILVA
  • MEMBROS DA BANCA :
  • CELSO MARTINS AZAR FILHO
  • FERNANDA MACHADO DE BULHOES
  • ENRIQUE MURACHCO
  • MARKUS FIGUEIRA DA SILVA
  • MIRIAM CAMPOLINA DINIZ PEIXOTO
  • Data: 10/06/2011

  • Mostrar Resumo
  • Este texto pretende investigar o percurso necessário para a formação do conhecimento adequado da morte com base na análise da filosofia de Epicuro. A hipótese central consiste em demonstrar que a compreensão da morte só pode ser alcançada por meio de um processo contínuo de investigação em torno da natureza das coisas...


  • Mostrar Abstract
  • Este texto pretende investigar o percurso necessário para a formação do conhecimento adequado da morte com base na análise da filosofia de Epicuro. A hipótese central consiste em demonstrar que a compreensão da morte só pode ser alcançada por meio de um processo contínuo de investigação em torno da natureza das coisas...

3
  • SORAYA GUIMARAES DA SILVA
  • Filosofar em tempos de Informação

  • Orientador : OSCAR FEDERICO BAUCHWITZ
  • MEMBROS DA BANCA :
  • ALFREDO DE OLIVEIRA MORAIS
  • CELSO MARTINS AZAR FILHO
  • GILVAN LUIZ FOGEL
  • GISELE AMARAL DOS SANTOS
  • OSCAR FEDERICO BAUCHWITZ
  • Data: 17/06/2011

  • Mostrar Resumo
  • Filosofar em tempos de informação é como a autora apresenta uma proposta de como a
    filosofia deve se pensar a contemporaneidade, baseada na ideia de que esta não somente é
    legítima uma tarefa filosófica, como, em nossa atualidade, tornou-se decisiva para a filosofia. A
    reivindicação do hoje pelo pensamento filosófico se dará à maneira de uma análise
    fenomenológica da contemporaneidade, representada sinteticamente pela autora pelo fenômeno
    da Tecnologia da Informação. A presente tese é eminentemente inspirada no pensamento de
    Martin Heidegge, na maneira pela qual o filósofo apropriou-se de sua facticidade e nesta
    apropriação tornou possível a tarefa da filosofia como um pensar o sentido de ser. Em sua
    revisão e interpretação, a autora sintetiza o pensamento heideggeriano soba forma de uma
    trilogia: Técnica, História e Linguagem. A partir da releitura de conceitos-chave e do
    estabelecimento de inter-relações entre as palavras-guia desta tríade, a autora compõe a
    fundamentação teórica com a qual constrói sua própria análise original da contemporaneidade,
    esta onde, aparentemente, a questão da filosofia como pergunta pelo sentido de ser perdeu
    completamente o sentido. Em sua análise, determinadas manifestações do fenômeno da
    Tecnologia da Informação, ao serem diretamente relacionadas com a tríade da questão
    heideggeriana, se mostrarão de fato como 'vestígios' de ser, e é precisamente na evidenciação
    desta relação que a autora encaminhará sua conclusão de que filosofar em tempos de informação
    é possível e preciso.


  • Mostrar Abstract
  • Filosofar em tempos de informação é como a autora apresenta uma proposta de como a
    filosofia deve se pensar a contemporaneidade, baseada na ideia de que esta não somente é
    legítima uma tarefa filosófica, como, em nossa atualidade, tornou-se decisiva para a filosofia. A
    reivindicação do hoje pelo pensamento filosófico se dará à maneira de uma análise
    fenomenológica da contemporaneidade, representada sinteticamente pela autora pelo fenômeno
    da Tecnologia da Informação. A presente tese é eminentemente inspirada no pensamento de
    Martin Heidegge, na maneira pela qual o filósofo apropriou-se de sua facticidade e nesta
    apropriação tornou possível a tarefa da filosofia como um pensar o sentido de ser. Em sua
    revisão e interpretação, a autora sintetiza o pensamento heideggeriano soba forma de uma
    trilogia: Técnica, História e Linguagem. A partir da releitura de conceitos-chave e do
    estabelecimento de inter-relações entre as palavras-guia desta tríade, a autora compõe a
    fundamentação teórica com a qual constrói sua própria análise original da contemporaneidade,
    esta onde, aparentemente, a questão da filosofia como pergunta pelo sentido de ser perdeu
    completamente o sentido. Em sua análise, determinadas manifestações do fenômeno da
    Tecnologia da Informação, ao serem diretamente relacionadas com a tríade da questão
    heideggeriana, se mostrarão de fato como 'vestígios' de ser, e é precisamente na evidenciação
    desta relação que a autora encaminhará sua conclusão de que filosofar em tempos de informação
    é possível e preciso.

4
  • CRISTIANE FIANCO
  • BONJOUR E O COERENTISMO: UMA LEITURA FUNDACIONAL

    

  • Orientador : CLAUDIO FERREIRA COSTA
  • MEMBROS DA BANCA :
  • CLAUDIO FERREIRA COSTA
  • DANIEL DURANTE PEREIRA ALVES
  • ANDRE JOFFILY ABATH
  • ANDRÉ LECLERC
  • JOSÉ MARIA ARRUDA DE SOUSA
  • Data: 22/06/2011

  • Mostrar Resumo
  • Em The Structure of Empirical Knowledge, Laurence BonJour tenta provar a ineficiência de uma explicação fundacional, enquanto solução ao problema cético. A sua compreensão é que não existem crenças básicas no sentido próprio, ou seja, crenças capazes de ter alguma força justificadora que não seja advinda da coerência com outras crenças. Mostraremos que essa proposta não é alcançada por BonJour de forma satisfatória e que, em sua teoria, uma crença ob servacional não-inferencial seria mais plausível se fosse interpretada como sendo básica, nos termos de uma teoria fundacional fraca.


  • Mostrar Abstract
  • Em The Structure of Empirical Knowledge, Laurence BonJour tenta provar a ineficiência de uma explicação fundacional, enquanto solução ao problema cético. A sua compreensão é que não existem crenças básicas no sentido próprio, ou seja, crenças capazes de ter alguma força justificadora que não seja advinda da coerência com outras crenças. Mostraremos que essa proposta não é alcançada por BonJour de forma satisfatória e que, em sua teoria, uma crença ob servacional não-inferencial seria mais plausível se fosse interpretada como sendo básica, nos termos de uma teoria fundacional fraca.

5
  • JOVELINA MARIA RAMOS DE SOUZA
  • MOSTRAÇÃO E DEMONSTRAÇÃO DE ÉROS COMO PHILÓSOPHOS NO BANQUETE DE PLATÃO

  • Orientador : MARKUS FIGUEIRA DA SILVA
  • MEMBROS DA BANCA :
  • MARKUS FIGUEIRA DA SILVA
  • VINCENZO DI MATTEO
  • MONALISA CARRILHO DE MACEDO
  • MARCELO PIMENTA MARQUES
  • MARIA DAS GRAÇAS DE MORAES AUGUSTO
  • Data: 26/08/2011

  • Mostrar Resumo
  • A leitura do Banquete instigou-nos a pensar a imagem de éros identificado a um modo próprio e genuíno de Platão conceber a representação do filósofo. No movimento entre as imagens de éros na tradição e a retomada desse discurso do passado na série de elogios ao amor deste dialógo, pretendemos fixar um aspecto inconteste para Platão, o pensar o amor como a potência que se sobrepõe e até mesmo se confunde com a noção de desejo, a julgar pelo Fedro, onde o amor é definido como desejo. No Banquete, esse desejo é direcionado para apreensão do belo, como observamos na ascese erótico-dialética de Diotima, contudo, isto não significa o rompimento com o desejo inato, como defendem alguns de seus intérpretes. No redirecionamento do desejo da dimensão apetitiva para a dimensão puramente intelectiva da alma, Platão concilia a ambiguidade do filósofo como um ser intermediário entre duas ordens distintas e afins de desejo, o do corpo e o da alma, na representação de éros como um daímon. Nessa circularidade entre as esferas aparentemente inconciliáveis entre si, as imagens de éros transparecem na escrita poético-filosófica de Platão, sob a forma de um discurso de natureza acentuadamente erótica.


  • Mostrar Abstract
  • La lecture du Le Banquet nous a incités à penser à l’image d’éros identifié de manière propre et génuine à Platon de concevoir la représentation du philosophe. Dans le mouvement entre les images d’éros dans la tradition et la reprise de ce discours du passé dans la série d’éloges à l’amour de ce dialogue, nous voulons fixer un aspect absolu pour Platon, penser l’amour comme un pouvoir qui se superpose et même se confond avec la notion de désir, à en juger par Phèdre, dans lequel l’amour est défini comme un désir. Dans Le Banquet, ce désir est dirigé vers l’appréhension du beau, comme nous pouvons remarquer dans l’ascèse érotico-dialectique de Diotime. Par contre cela ne signifie pas la rupture avec le désir inné, comme celui que défendent quelques interprètes. Dans la redirection du désir de la dimension appétitive à la dimension purement intellective de l’âme, Platon concilie l’ambigüité du philosophe comme un être intermédiaire entre deux ordres liés et distincts du désir, du corps et de l’âme, dans la représentation d’éros comme un daímon. Entre ces deux sphères en mouvement apparemment inconciliables entre elles, les images d’éros apparaissent sur l’écrit poético-philosophique de Platon, sous la forme d’un discours de nature fortement érotique.
    Mots-clés:

6
  • DAX FONSECA MORAES PAES NASCIMENTO
  • LIBERDADE E NEGAÇÃO DA VONTADE: Análise do ser-livre como representação e na angústia

  • Orientador : OSCAR FEDERICO BAUCHWITZ
  • MEMBROS DA BANCA :
  • OSCAR FEDERICO BAUCHWITZ
  • EDUARDO ANIBAL PELLEJERO
  • JESUS VAZQUEZ TORREZ
  • MARIA LUCIA MELLO E OLIVEIRA CACCIOLA
  • PAULO CESAR DUQUE ESTRADA
  • Data: 30/09/2011

  • Mostrar Resumo
  • A compreensão usual de “liberdade” sempre esteve mais ou menos vinculada ao poder de efetivação ou realização, de uma intenção, de um desejo, de uma capacidade. Assim, “ser livre” é comumente interpretado à luz do conceito de “livre-arbítrio” e sob a categoria da possibilidade de agir. Embora não sem precedentes na História da Filosofia, Schopenhauer, refutando a tese do livre-arbítrio, propõe a negação da vontade (de viver) como possibilidade máxima, se não única, da liberdade humana. A tese que o deixou famoso foi, contudo, profundamente mal compreendida e mesmo mal recebida um tanto graças à própria forma como é apresentada, por meio de exemplos muitas vezes exóticos envoltos em ares de misticismo e exaltações a tradições orientais que, incapazes de satisfazer filosoficamente o leitor, são antes curiosidades antropológicas. O saldo final do pensamento schopenhaueriano parece ser um pessimismo inimigo da vida. No entanto, examinada de perto, a leitura típica da tese schopenhaueriana se mostra repleta de inconsistências que, deve-se mostrar, não pertencem ao autor, mas a seus intérpretes. Uma nova leitura sobre a negação da vontade como possibilidade máxima da liberdade humana exige uma desconstrução das inconsistências e preconceitos já enraizados. Para tanto, em primeiro lugar, elucida-se as maneiras de se compreender o “nada querer”, que não se reduz à mera recusa ou ao conformismo, podendo ser positivamente interpretado como um modo especial de querer: a admissão de si mesmo pelo que se é. Pouco mais de um século após vir à luz O mundo como vontade e representação, Heidegger propõe em sua ontologia fundamental que o ser-livre próprio diz respeito à decisão originária pela qual, na angústia da suspensão no nada, o Dasein singulariza-se como o ente que é em-um-mundo e para-a-morte, concluindo que a possibilidade extrema da liberdade é ser-livre-para-a-morte. Desenvolvendo a hipótese de que a liberdade, propriamente compreendida, é pertinente ao nada e a possibilidades indeterminadas, busca-se um diálogo entre o pensamento de Schopenhauer e a filosofia existencial em um movimento de reconstituição e superação da tradição metafísica por meio de que o problema da liberdade converte-se em uma questão de Ontologia. Do ponto de vista da “existência de fato”, conforme se mostra em seguida, toda atividade (ou inatividade) humana é ordinariamente mediada por representações, segundo as quais “eu” e “mundo” aparecem como entidades distintas, encontrando-se cada indivíduo dado ligado às “coisas do mundo” pelo interesse, cujo conceito adequado deve ser suficientemente explorado. Partindo-se desta base, procede-se ao exame suficientemente pormenorizado das representações usuais da liberdade em vista de sua destruição pela Ontologia, atingindo-se, enfim, a proposta existencial conforme as formulações de Kierkegaard e Heidegger. Retomando a análise da obra de Schopenhauer, chega-se ao resultado de que a compreensão da liberdade como querer-ser, peculiar às filosofias da existência, também se aplica à filosofia de Schopenhauer. Nesse sentido, a negação da vontade corresponde ao máximo de liberdade na medida em que a Vontade, pela ruptura como o mundo como representação, retorna a si mesma naquilo que tem de mais essencial: a absoluta indeterminância originária da possibilidade extrema para-ser.


  • Mostrar Abstract
  • A compreensão usual de “liberdade” sempre esteve mais ou menos vinculada ao poder de efetivação ou realização, de uma intenção, de um desejo, de uma capacidade. Assim, “ser livre” é comumente interpretado à luz do conceito de “livre-arbítrio” e sob a categoria da possibilidade de agir. Embora não sem precedentes na História da Filosofia, Schopenhauer, refutando a tese do livre-arbítrio, propõe a negação da vontade (de viver) como possibilidade máxima, se não única, da liberdade humana. A tese que o deixou famoso foi, contudo, profundamente mal compreendida e mesmo mal recebida um tanto graças à própria forma como é apresentada, por meio de exemplos muitas vezes exóticos envoltos em ares de misticismo e exaltações a tradições orientais que, incapazes de satisfazer filosoficamente o leitor, são antes curiosidades antropológicas. O saldo final do pensamento schopenhaueriano parece ser um pessimismo inimigo da vida. No entanto, examinada de perto, a leitura típica da tese schopenhaueriana se mostra repleta de inconsistências que, deve-se mostrar, não pertencem ao autor, mas a seus intérpretes. Uma nova leitura sobre a negação da vontade como possibilidade máxima da liberdade humana exige uma desconstrução das inconsistências e preconceitos já enraizados. Para tanto, em primeiro lugar, elucida-se as maneiras de se compreender o “nada querer”, que não se reduz à mera recusa ou ao conformismo, podendo ser positivamente interpretado como um modo especial de querer: a admissão de si mesmo pelo que se é. Pouco mais de um século após vir à luz O mundo como vontade e representação, Heidegger propõe em sua ontologia fundamental que o ser-livre próprio diz respeito à decisão originária pela qual, na angústia da suspensão no nada, o Dasein singulariza-se como o ente que é em-um-mundo e para-a-morte, concluindo que a possibilidade extrema da liberdade é ser-livre-para-a-morte. Desenvolvendo a hipótese de que a liberdade, propriamente compreendida, é pertinente ao nada e a possibilidades indeterminadas, busca-se um diálogo entre o pensamento de Schopenhauer e a filosofia existencial em um movimento de reconstituição e superação da tradição metafísica por meio de que o problema da liberdade converte-se em uma questão de Ontologia. Do ponto de vista da “existência de fato”, conforme se mostra em seguida, toda atividade (ou inatividade) humana é ordinariamente mediada por representações, segundo as quais “eu” e “mundo” aparecem como entidades distintas, encontrando-se cada indivíduo dado ligado às “coisas do mundo” pelo interesse, cujo conceito adequado deve ser suficientemente explorado. Partindo-se desta base, procede-se ao exame suficientemente pormenorizado das representações usuais da liberdade em vista de sua destruição pela Ontologia, atingindo-se, enfim, a proposta existencial conforme as formulações de Kierkegaard e Heidegger. Retomando a análise da obra de Schopenhauer, chega-se ao resultado de que a compreensão da liberdade como querer-ser, peculiar às filosofias da existência, também se aplica à filosofia de Schopenhauer. Nesse sentido, a negação da vontade corresponde ao máximo de liberdade na medida em que a Vontade, pela ruptura como o mundo como representação, retorna a si mesma naquilo que tem de mais essencial: a absoluta indeterminância originária da possibilidade extrema para-ser.

2010
Teses
1
  • TULIO SALES SOUZA LIMA
  • OS ARGUMENTOS TRANSCENDENTAIS: KANT E O PROBLEMA DE HUME

  • Orientador : JUAN ADOLFO BONACCINI
  • MEMBROS DA BANCA :
  • JUAN ADOLFO BONACCINI
  • DANIEL DURANTE PEREIRA ALVES
  • ANDREA BUCCHILE FAGGION
  • DANIEL OMAR PEREZ
  • FERNANDO RAUL DE ASSIS NETO
  • Data: 11/05/2010

  • Mostrar Resumo
  • O presente trabalho - "Os argumentos transcendentais: Kant e o problema de Hume" -, tem como seu objetivo geral interpretar a resposta de Kant ao problema de Hume à luz da conjunção das temáticas de causalidade e indução o que equivale a uma leitura cético-naturalista deste. Neste sentido, tal iniciativa complementa o tratamento anterior visto em nossa dissertação de mestrado, onde a mesma temática fora examinada a partir de uma leitura meramente cética que Kant fez do pensamento humeano e onde foi analisada apenas a causalidade. Dentre os objetivos específicos, listamos os seguintes: a) a filosofia crítica cumpre três funções básicas, uma fundante, uma negativa e uma que defenderia o uso prático da razão, aqui nomeada de defensiva; b) a solução kantiana do problema de Hume na primeira crítica cumpriria as funções fundante e negativa da crítica da razão; c) o tratamento kantiano da temática da indução nas demais críticas cumpriria a função defensiva da crítica da razão; d) que as provas da resposta de Kant ao problema de Hume são mais consistentes quando se consideram cumpridas estas três funções ou momentos da crítica. A estrutura básica do trabalho comporta três partes: na primeira - A gênese do problema de Hume -, nossa pretensão é reconstituir o problema de Hume, analisando-o sob a ótica das duas definições de causa, onde a diluição da primeira definição na segunda corresponde à redução psicológica do conhecimento à probabilidade, do que se segue a chamada naturalização das relações causais; na segunda - Legalidade e Causalidade -, menciona-se que quando se considera Hume na opção cético-naturalista, Kant não está habilitado a lhe responder através do argumento transcendental "A

    ��B; A⊢B" da segunda Analogia, prova que está embasada na posição de pensadores contemporâneos como Strawson e Allison; na terceira parte - Finalidade e Indução -, admite-se que Kant responde a Hume no nível do uso regulativo da razão, embora o desenvolvimento dessa prova exceda os limites da função fundante da crítica. E isto fica articulado tanto na Introdução quanto nas Considerações Finais, através do cumprimento da função defensiva [e negativa] da crítica. Neste contexto, com base no recurso aos ditos argumentos transcendentais que se projetam por toda a trilogia crítica, procuramos estabelecer solução para uma questão recorrente que reaparece em várias passagens de nossa apresentação e que diz respeito a "existência e/ou a necessidade das leis causais empíricas". Diante disso, nossa tese é que os argumentos transcendentais somente constituem uma solução apodítica para o problema cético-naturalista de Hume quando está em pauta um projeto prático em que o interesse da razão esteja assegurado, conforme será, enfim, provado em nossas Considerações Finais.


  • Mostrar Abstract
  • O presente trabalho - "Os argumentos transcendentais: Kant e o problema de Hume" -, tem como seu objetivo geral interpretar a resposta de Kant ao problema de Hume à luz da conjunção das temáticas de causalidade e indução o que equivale a uma leitura cético-naturalista deste. Neste sentido, tal iniciativa complementa o tratamento anterior visto em nossa dissertação de mestrado, onde a mesma temática fora examinada a partir de uma leitura meramente cética que Kant fez do pensamento humeano e onde foi analisada apenas a causalidade. Dentre os objetivos específicos, listamos os seguintes: a) a filosofia crítica cumpre três funções básicas, uma fundante, uma negativa e uma que defenderia o uso prático da razão, aqui nomeada de defensiva; b) a solução kantiana do problema de Hume na primeira crítica cumpriria as funções fundante e negativa da crítica da razão; c) o tratamento kantiano da temática da indução nas demais críticas cumpriria a função defensiva da crítica da razão; d) que as provas da resposta de Kant ao problema de Hume são mais consistentes quando se consideram cumpridas estas três funções ou momentos da crítica. A estrutura básica do trabalho comporta três partes: na primeira - A gênese do problema de Hume -, nossa pretensão é reconstituir o problema de Hume, analisando-o sob a ótica das duas definições de causa, onde a diluição da primeira definição na segunda corresponde à redução psicológica do conhecimento à probabilidade, do que se segue a chamada naturalização das relações causais; na segunda - Legalidade e Causalidade -, menciona-se que quando se considera Hume na opção cético-naturalista, Kant não está habilitado a lhe responder através do argumento transcendental "A

    ��B; A⊢B" da segunda Analogia, prova que está embasada na posição de pensadores contemporâneos como Strawson e Allison; na terceira parte - Finalidade e Indução -, admite-se que Kant responde a Hume no nível do uso regulativo da razão, embora o desenvolvimento dessa prova exceda os limites da função fundante da crítica. E isto fica articulado tanto na Introdução quanto nas Considerações Finais, através do cumprimento da função defensiva [e negativa] da crítica. Neste contexto, com base no recurso aos ditos argumentos transcendentais que se projetam por toda a trilogia crítica, procuramos estabelecer solução para uma questão recorrente que reaparece em várias passagens de nossa apresentação e que diz respeito a "existência e/ou a necessidade das leis causais empíricas". Diante disso, nossa tese é que os argumentos transcendentais somente constituem uma solução apodítica para o problema cético-naturalista de Hume quando está em pauta um projeto prático em que o interesse da razão esteja assegurado, conforme será, enfim, provado em nossas Considerações Finais.

2
  • EDRISI DE ARAUJO FERNANDES
  •  

    ANTECEDENTES HISTÓRICO-FILOSÓFICOS DA PROBLEMÁTICA DO TEMPO E DO MAL NO FREIHEITSSCHRIFT DE SCHELLING: APROXIMAÇÕES GNÓSTICAS

     

  • Orientador : JUAN ADOLFO BONACCINI
  • MEMBROS DA BANCA :
  • DRANCE ELIAS DA SILVA
  • GLENN WALTER ERICKSON
  • JUAN ADOLFO BONACCINI
  • KLEBER CARNEIRO AMORA
  • MONALISA CARRILHO DE MACEDO
  • Data: 14/06/2010

  • Mostrar Resumo
  • Esta tese objetiva contribuir para um melhor entendimento das relações entre o tempo e o mal no

    Freiheitsschrift a partir de aproximações desde o Gnosticismo. Para tanto, antes de começar a tratar da relação entre o tempo e o mal no Freiheitsschrift far-se-á uma revisão da questão do Gnosticismo (capítulo I) – corrente de pensamento essencialmente preocupada com a questão do tempo e permeada pela crença em uma natureza má da criação, e que alegadamente teria influenciado de modo significativo algumas concepções de Schelling. Seguir-se-á uma avaliação das aproximações entre Gnosticismo, gnose e pensamento alemão (capítulo II) e outra particularmente dedicada às aproximações schellinguianas ao Gnosticismo (capítulo III). Analisar-se-á então o Freiheitsschrift como texto onde Schelling, tendo feito uma apropriação muito particular do Gnosticismo, vai além da teodicéia kantiana (capítulo IV). Interrogar-se á então (capítulo V) se algumas ideias-chave do pensamento schellinguiano (sobre a gnose, a criação, a dualidade, o tempo, o mal) são concebidas de um modo distinto daquele do Gnosticismo histórico, apesar do muito que se disse em contrário. Finalmente, apresentar-se-á a proposta de uma "chave" plotiniana para o entendimento das relações entre o tempo e o mal no Freiheitsschrift (capítulo VI), passando-se logo em seguida às considerações conclusivas (capítulo VII).


  • Mostrar Abstract
  • Esta tese objetiva contribuir para um melhor entendimento das relações entre o tempo e o mal no

    Freiheitsschrift a partir de aproximações desde o Gnosticismo. Para tanto, antes de começar a tratar da relação entre o tempo e o mal no Freiheitsschrift far-se-á uma revisão da questão do Gnosticismo (capítulo I) – corrente de pensamento essencialmente preocupada com a questão do tempo e permeada pela crença em uma natureza má da criação, e que alegadamente teria influenciado de modo significativo algumas concepções de Schelling. Seguir-se-á uma avaliação das aproximações entre Gnosticismo, gnose e pensamento alemão (capítulo II) e outra particularmente dedicada às aproximações schellinguianas ao Gnosticismo (capítulo III). Analisar-se-á então o Freiheitsschrift como texto onde Schelling, tendo feito uma apropriação muito particular do Gnosticismo, vai além da teodicéia kantiana (capítulo IV). Interrogar-se á então (capítulo V) se algumas ideias-chave do pensamento schellinguiano (sobre a gnose, a criação, a dualidade, o tempo, o mal) são concebidas de um modo distinto daquele do Gnosticismo histórico, apesar do muito que se disse em contrário. Finalmente, apresentar-se-á a proposta de uma "chave" plotiniana para o entendimento das relações entre o tempo e o mal no Freiheitsschrift (capítulo VI), passando-se logo em seguida às considerações conclusivas (capítulo VII).

SIGAA | Superintendência de Informática - | | Copyright © 2006-2020 - UFRN - sigaa08-producao.info.ufrn.br.sigaa08-producao