Projeto Pedagógico do Curso

     

     Espera-se que ao fim do curso o bacharel em Ciências Atuariais, formado pela UFRN, seja um profissional multidisciplinar, com domínio de cálculos e conceitos atuariais, tanto do ramo vida (seguros de vida, previdência, etc.) quanto do ramo não vida (seguros transportes, imóveis, etc.), e com noções de legislação, contabilidade e finanças, estatística e demografia que o permita atuar no mercado de forma satisfatória. O egresso do curso terá como perfil o preparo para:

a) Dar continuidade aos estudos em cursos de pós-graduação, para atuação em universidades, centros de pesquisa e instituições similares, que enseje uma formação mais acadêmica e formal;
b) Atuar na iniciativa pública e privada na resolução de problemas que envolvam a gestão, mensuração e acompanhamento de riscos, a sistematização e a análise de dados, frequentemente em colaboração com profissionais de outras áreas;
c) Aplicar os conhecimentos e as metodologias da Ciência Atuarial;
d) Interpretar dados e cálculos relativos à área;
e) Reconhecer as possibilidades de aplicação da Ciência Atuarial em variados contextos;
f) Trabalhar, de forma integrada, com profissionais da sua área e de outras áreas;
g) Expressar-se escrita e oralmente com clareza, precisão e objetividade, sobretudo em relação aos conhecimentos de sua área;
h) Exercer sua prática profissional baseada na ética, autonomia e criatividade visando buscar soluções para as questões atualmente colocadas pela sociedade;
i) Aprender continuamente e adquirir novas tecnologias, fazendo de sua prática profissional uma fonte de produção de conhecimento.


     

     Os profissionais de Atuária formados nesta instituição estarão aptos a atuar no mercado de trabalho dotados de competências profissionais, no sentido mais amplo do profissionalismo, e de competências específicas do bacharel em Ciências Atuariais.  Ao longo do curso, o discente desenvolverá, pelo menos, as seguintes competências e habilidades:

a.    Compreender as questões científicas, técnicas, sociais, econômicas e financeiras, em âmbito nacional e internacional no campo das Ciências Atuariais;

b.    Apresentar raciocínio lógico e analítico aprofundado, com o domínio de análise estatística e modelagem atuarial, com o uso de banco de dados e sistemas de informações atuariais;

c.    Dominar métodos e técnicas de análise de dados, especialmente no tocante à utilização de ferramentas computacionais de armazenamento e consulta de dados;

d.    Revelar capacidade crítico-analítica de avaliação quanto às implicações de alterações em cenários demográficos, econômicos e sociais no campo das Ciências Atuariais;

e.    Interpretar e utilizar adequadamente métodos estatísticos e indicadores demográficos nos campos de previdência, saúde e seguros;

f.     Utilizar adequadamente a terminologia e a linguagem das Ciências Atuariais;

g.    Demonstrar visão sistêmica e interdisciplinar da atividade atuarial;

h.    Elaborar avaliações, pareceres e relatórios que contribuam para o desempenho eficiente e eficaz de seus usuários, quaisquer que sejam os ramos de atuação;

i.      Aplicar adequadamente a legislação inerente à atividade atuarial;

j.      Reconhecer as possibilidades de aplicação da Ciência Atuarial em variados contextos;

k.    Trabalhar, de forma integrada, com profissionais da sua área e de outras áreas;

l.      Possuir capacidade crítica para analisar os conhecimentos adquiridos, assimilar novos conhecimentos científicos e/ou tecnológicos, além de capacidade de trabalhar em equipe multidisciplinar.

m.  Ser reconhecido junto ao IBA e outras entidades atuariais.

     Além disso, também serão desenvolvidas competências referentes ao comprometimento com a sociedade democrática:

a.    Pautar-se por princípios da ética democrática: dignidade humana, justiça, respeito mútuo, participação, responsabilidade, diálogo e solidariedade, para atuação como profissionais e como cidadãos;

b.    Reconhecer e respeitar a diversidade em seus aspectos sociais, culturais e físicos, detectando e combatendo todas as formas de discriminação;

c.    Valorizar a verdade e a solidariedade, como princípios norteadores de suas ações;

d.    Compreender humanisticamente as vulnerabilidades sociais;

e.    Valorizar o conhecimento e o saber comunitário na construção do conhecimento;

f.     Ter visão crítica sobre a realidade brasileira e nordestina;

g.    Realizar a crítica ao conhecimento científico de sua própria área e do contexto social no qual está inserido.

     Cada uma dessas competências será estimulada nos componentes curriculares do curso, de forma que, ao final do curso, o aluno tenha a possibilidade de desenvolver todas elas conjuntamente.

      Quanto aos princípios éticos, pretende-se valorizar:

a) Verdade: a valorização da verdade deve ser objeto de todos os componentes curriculares. Práticas como plágio, cola, cópia e falsificação de documentos não serão aceitas no curso. Em contrapartida, o reconhecimento de problemas e limitações, por parte dos alunos e dos professores, será valorizado. O diálogo sincero ajuda a identificar problemas metodológicos e conceituais que possam atrapalhar o aprendizado. Na presença de algum desses obstáculos o Colegiado do Curso deve agir de forma a sanar ou minimizar o problema. Como resultado dessa política, espera-se ensinar aos alunos a valorização da verdade mesmo diante das dificuldades e a importância de se enfrentar os problemas cotidianos. Os frutos esperados são profissionais éticos e responsáveis;

b) Solidariedade: um dos princípios utilizados constantemente pelos atuários é o mutualismo, sem o qual seria impossível a implantação de um sistema de seguridade social ou privado. Contudo, riscos diferentes podem ser tratados de formas diferentes, de modo a não onerar demasiadamente indivíduos com risco mais baixo. As decisões quanto aos grupos de risco ou oferta de produtos, contudo, devem ser pautadas segundo uma visão de valorização da pessoa humana e não de supervalorização do lucro. Para o aluno ter base para uma atuação consciente no mercado de trabalho, esse princípio deve ser desenvolvido durante o curso de graduação. Nesse sentido, pretende-se incentivar o aprendizado horizontal por meio da elaboração de trabalhos em equipe, grupos de estudo e resolução conjunta de exercícios.


     

     A matriz curricular do Bacharelado em Ciências Atuariais está organizada em conformidade com a Lei Federal nº 9.394/96, que estabelece as diretrizes e bases da educação nacional, na Resolução CNE/CES nº 2, de 18 de junho de 2007, que dispõe sobre carga horária mínima e procedimentos relativos à integralização e duração dos cursos de graduação, bacharelados, na modalidade presencial.

     No âmbito da UFRN, esse PPC observa e atende a RESOLUÇÃO CONSEPE Nº 048/2020 que aprova a política de melhoria da qualidade dos cursos de graduação e pós-graduação oferecidos pela UFRN, a Resolução Conjunta 002/2022-CONSEPE/CONSAD atualiza a Política de Inclusão e Acessibilidade para as Pessoas com Necessidades Específicas na UFRN; a Resolução nº 038/2019-CONSEPE, que regulamenta a inserção curricular das ações de extensão universitária nos cursos de Graduação da UFRN e a Resolução nº 006/2022-CONSEPE, que aprova o Regulamento de Extensão da UFRN.

    A matriz curricular procura contemplar as demandas do perfil profissional exigido pela sociedade, em que o papel desempenhado pela graduação perpassa a compreensão de que o processo ensino-aprendizagem é dinâmico e sua prática deve pautar-se nos princípios da flexibilidade, interdisciplinaridade, articulação teoria e prática e indissociabilidade entre ensino, pesquisa e extensão. Essa última é uma preocupação central deste projeto, considerando que a UFRN tem, como instituição pública, a missão de “educar, produzir e disseminar o saber universal, contribuindo para o desenvolvimento humano e comprometendo-se com a justiça social, a democracia e a cidadania” (Plano de Desenvolvimento Institucional - PDI).

     No que se refere à articulação teoria e prática será necessário que os docentes e discentes ajustem-se em práticas pedagógicas subsidiadas pelos estudos de caso e contato com empresas e entidades da área para conhecer e pesquisar metodologias aplicadas. Estimula-se, também, o engajamento em projetos de pesquisa e extensão, especialmente os ligados ao Departamento de Demografia e Ciências Atuariais.

     O princípio de flexibilidade e interdisciplinaridade nesta estrutura curricular deve possibilitar ao aluno desenvolver a autonomia para realizar um percurso acadêmico de acordo com os seus interesses e vocações, bem como propiciar uma formação tendo como base o diálogo com as várias áreas do conhecimento.

     Desse modo, alunos e professores devem realizar aulas dialogadas, seminários, listas de exercícios, trabalhos em grupo, pesquisas e projetos envolvendo variados componentes curriculares, criando oportunidades para que todos possam exercitar, praticar e aprender os conceitos e ideias afins dos componentes curriculares. Essas e outras estratégias devem fazer parte do cotidiano pedagógico de alunos e professores, incitando a capacidade de solucionar e resolver problemas da área de atuária.

     Considerando o princípio da interdisciplinaridade, o elenco dos componentes curriculares optativos aborda e aprofunda áreas específicas e importantes da Atuária, mas também apontam componentes curriculares de outras áreas que possibilitam ampliar a visão de universalidade do conhecimento.

     Quando se pensa a metodologia também é importante considerar os recursos a serem utilizados uma vez que estes são auxílios fundamentais, sobretudo aqueles que se referem à área de informática. Nesse sentido, ressalta-se o incentivo ao uso de softwares livres como alternativas de qualidade ao acesso de todos.



AVALIAÇÃO DO PROCESSO DE ENSINO-APRENDIZAGEM

    A avaliação do processo de ensino-aprendizagem discente será orientada pela resolução vigente que regulamenta o sistema de avaliação na UFRN (Resolução Nº 171/2013-CONSEPE, de 5 de novembro de 2013). De todo modo, pressupõe-se uma reflexão permanente do professor sobre o processo de aprendizagem, que tem o aluno como sujeito. A razão de ser desse processo é identificar as possibilidades e fragilidades para o (re)planejamento do trabalho docente.

     Considerando as orientações metodológicas anteriormente apresentadas, é necessário que as atividades avaliativas sejam coerentes com os princípios propostos. Por isso mesmo, as atividades devem proporcionar aos alunos a reflexão dos conhecimentos transmitidos e das habilidades adquiridas, sempre que convir deve-se extrapolar os instrumentos excessivamente objetivos, pontuais, individuais, dissociados das práticas, fechados em sua própria área de conhecimento.

   Na avaliação, a preocupação não deve ser com o produto, mas com o processo de desenvolvimento de habilidades, com a compreensão, apropriação e construção do conhecimento. É ainda fundamental, após a apreciação da avaliação, que os professores realizem uma discussão ampla para identificar os avanços do processo e as fragilidades que possibilitem a reafirmação do compromisso de aprendizagem do grupo. Para assegurar a autonomia do/da docente, este projeto ressalta-se a importância deste decidir as formas mais adequadas de avaliação em cada componente curricular sob sua responsabilidade.

    Os instrumentos de avaliação são diversos, a título de exemplo, citamos: avaliação escrita individual e presencial, trabalho escrito individual ou em grupo, trabalhos de campo acompanhados de relatório individual ou em grupo, Seminários, dentre outros. Ressalte-se que, em obediência à Resolução nº 171/2013 – CONSEPE-UFRN em pelo menos uma das unidades é obrigatória a realização de uma avaliação escrita, que deve ser realizada individualmente e de forma presencial.

     A avaliação de aprendizagem também deve refletir as individualidades dos discentes, tais como especificidades socioeconômicas, físicas, cognitivas, sensoriais, mentais e necessidades específicas. Registra-se, assim, o caráter estruturalmente flexível da avaliação da aprendizagem a ser adotada neste PPC.

  Considerando-se essa singularidade, ressalta-se que o curso de graduação em Ciências Atuariais preservará, como eixo fundamental, a inclusão dos seus alunos com necessidades educacionais específicas, obedecendo a Resolução Nº 193 - CONSEPE, de 21 de setembro de 2010. Para tanto, os meios para o atendimento às necessidades dos estudantes serão providenciados à medida que forem demandados em parceria com a Secretaria de Inclusão e Acessibilidade (SIA), assim como o Serviço de Psicologia Aplicada (SEPA) da UFRN, o qual promove a escuta e o suporte ao discente e aos docentes que com eles interagem. Adicionalmente, com a intenção de sensibilizar ainda mais o corpo docente, essas questões deverão ser pautadas nas reuniões de planejamento do departamento, bem como na Semana de Avaliação e Planejamento (SAP) e na Semana de Integração do Curso.

     Em relação aos registros individuais de atividade docente, utilizados no planejamento e gestão para melhoria contínua, cabe destacar que o Sistema Integrado de Atividades Acadêmicas (Sigaa) tem todas as atividades de ensino, pesquisa e extensão registrados para cada professor. Além disso, todas as turmas têm suas atividades registradas no Sigaa, de acesso ao professor, alunos e coordenação, como mapa de presença, material utilizado em sala de aula, fóruns de discussão, notas, etc. Também há uma avaliação institucional que os alunos fazem dos professores e o professor faz da turma.

     A avaliação institucional referente ao professor é utilizada para as discussões no NDE de melhorias do ensino e aprendizagem, também é utilizada para a progressão institucional. 

 

AVALIAÇÃO DO PROJETO PEDAGÓGICO

     O processo de avaliação do projeto deve ser contínuo visando seu aperfeiçoamento. Por isso, o NDE e Colegiado do Curso, deverão promover a avaliação do projeto através de reuniões específicas para discutir os avanços e descontinuidades, bem como apresentar as experiências vivenciadas de modo a contribuir para aprimorar as atividades e ações inerentes ao processo de gestão do curso.

   Anualmente será reservado um momento para que os membros do NDE, professores que atuam no curso e representantes discentes possam analisar o desenvolvimento do presente PPC, assim como os avanços e dificuldades em relação à infraestrutura física e de pessoal, aos equipamentos, à gestão, às metodologias adotadas e às necessidades de capacitação com o intuito de propor soluções no âmbito das atividades da Semana de Avaliação e Planejamento (SAP) do Curso e do Departamento de Demografia e Ciências Atuariais, realizada uma semana antes do início do primeiro semestre letivo de cada ano.  Além disso, serão utilizados os resultados das autoavaliações, das avaliações institucionais da UFRN e das avaliações externas (como a última avaliação in loco do INEP/MEC) para avaliar se os pontos a serem melhorados no que tange ao ensino de graduação estão sendo atendidos, buscando um aprimoramento contínuo do planejamento do curso. 

     Ainda em relação aos processos de avaliação será considerado a atuação conjunta entre o curso, a Comissão Própria de Avaliação (CPA) e a Pró-Reitoria de Graduação (PROGRAD) por meio da Diretoria de Desenvolvimento Pedagógico (DDPed). Tudo isso na perspectiva de um planejamento estratégico, sempre com foco no que está sendo proposto quanto aos objetivos do curso de Ciências Atuariais, perfil do egresso, competências e habilidades esperadas, bem como as ações implementadas. O coordenador do curso deverá participar, ainda, do Seminário de Melhoria da Qualidade dos cursos de Graduação promovido anualmente pela Comissão de Graduação.

     As informações obtidas com essa ação também subsidiarão à elaboração e acompanhamento do Plano de Ação Trienal – PATCG do curso, em conformidade com a Resolução 181/2017 – CONSEPE. O PATCG constitui-se numa ferramenta fundamental para estabelecimento dos objetivos e metas que o curso deverá atingir no triênio e para estabelecer, através do diagnóstico da situação do curso, quais as ações estratégicas que devem ser implementadas para serem atingidas as metas estabelecidas.

     O presente PPC passará por uma revisão geral após 3 (três) anos da sua implantação, sem prejuízo de ajustes pontuais que possam ser realizados a qualquer momento pelo Colegiado do Curso, ouvido o NDE, para correção de imperfeições detectadas.

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