Desde a criação do curso de Radialismo na UFRN, em 2002, verificamos o surgimento de diversas outras graduações em áreas vinculadas ao audiovisual na UERN, no IFRN ou em instituições privadas no Rio Grande do Norte. A digitalização trouxe significativa redução nos custos referentes a equipamentos, facilitando a criação de obras em colaboração, com orçamentos baixos. O cinema de guerrilha ou o cinema de garagem marcaram o trabalho de grupos, nos quais realizadores se reuniram por afinidade. Assim, ainda na universidade, formaram-se coletivos de realizadores. Alguns, conseguiram constituir filmografia expressiva, como é o caso do coletivo Caminhos, comunicação & cultura, fundado em 2005, e do coletivo Caboré Audiovisual, formado em 2013. Surgiram oportunidades de profissionalização decorrentes do novo cenário audiovisual, marcado pela atuação da Ancine, pelo fomento do Fundo Setorial do Audiovisual e pela lei 12.485/2011, que trata da TV por assinatura. Desta forma, produções potiguares foram beneficiadas por investimentos federais, o que favoreceu o aprimoramento técnico, em intercâmbio com realizadores da Paraíba e de Pernambuco. Ao mesmo tempo, verificou-se grande difusão dos curtas potiguares, que têm participado de festivais e mostras pelo Brasil e no exterior. Entretanto, verificamos a necessidade de qualificar os projetos, com intuito de estimular o desenvolvimento obras de maior duração, tais como longas-metragens e narrativas seriadas, com orçamentos mais adequados ao investimento necessário. Notamos ainda uma carência de um aprofundamento estético e conceitual em grande parte das obras realizadas na região. Este curso tem a perspectiva de fortalecer a cadeia produtiva do audiovisual no RN em toda sua dimensão, consequentemente, auxiliando na geração de emprego e renda. Esta também é uma preocupação constante entre os egressos dos cursos de comunicação social, área na qual se verifica diminuição na oferta de empregos. Em contraste, o audiovisual está em franca expansão, adicionando mais de 25 bilhões ao PIB brasileiro. Verifica-se a necessidade de ampliar a participação do RN neste mercado, consolidando o Arranjo Produtivo Audiovisual Potiguar, estabelecendo vínculos mais intensos entre Universidade, empresas, organizações da sociedade civil e Estado, em seus diferentes níveis. De acordo com pesquisa formulada por Dênia Cruz (2016), cerca de 76 filmes foram produzidos no Rio Grande do Norte, na primeira década dos anos 2000. Na década de 2010 houve um crescimento considerável, entre documentários, ficções e animações. Concluímos que o acesso facilitado a novas tecnologias; o aumento no número de cursos de formação e capacitação - seja de graduação ou cursos livres; criação de editais públicos para fomento do cinema, e as leis de incentivo estão promovendo o aumento no número de realizações. Outro dado que ilustra este cenário é que 80% dos realizadores entrevistados pela pesquisa informaram que suas obras participaram de mostras e festivais, concorreram a prêmios em festivais nacionais e internacionais. Sendo que apenas 51% dessas realizações receberam algum tipo de investimento financeiro. Isso revela que entidades, grupos e movimentos como o APL, ABDeC/RN, Rede Nordeste Audiovisual fortalecem a cena e auxiliam na ampliação da cadeia produtiva. Esse foi um dos motivos para que a composição do Corpo Docente do curso fosse integrada por pós-graduados, com experiência expressiva em pesquisa e produção audiovisual, aproximando atividade instrumental do saber científico, atendendo aos objetivos e ao projeto pedagógico desta especialização. Objetivos Geral Estimular e qualificar a produção, a pesquisa e o pensamento crítico dedicados ao audiovisual em diversos formatos no Rio Grande do Norte e no Nordeste. Específicos Incentivar a pesquisa científica aplicada ao audiovisual, em diálogo com estudos desenvolvidos nos programas de pós graduação em comunicação, artes e ciências sociais ou áreas afins; Fomentar a produção audiovisual de alto nível especialmente de séries e longas metragens, em sinergia com coletivos, produtoras e outras organizações, contribuindo para o desenvolvimento da cadeia produtiva; Potencializar o pensar sobre o audiovisual, na forma de resenhas, relatos de experiência, reportagens críticas e ensaios, que tenham como foco a produção potiguar, vista no contexto brasileiro ou no contexto mundial. Contribuir para a consolidação de cursos em nível de graduação relacionados à cinema, em especial a graduação em audiovisual. Estimular a experimentação audiovisual, partindo de diálogos entre documentário e ficção, envolvendo as artes, ciências humanas e demais ciências.
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