Banca de DEFESA: JULIANA MARIA SCHIVANI ALVES

Uma banca de DEFESA de DOUTORADO foi cadastrada pelo programa.
DISCENTE : JULIANA MARIA SCHIVANI ALVES
DATA : 27/08/2026
HORA: 08:30
LOCAL: meet.google.com/tym-yunf-dct
TÍTULO:

 

Uma história da Educação Financeira no currículo BÁSICO de Matemática (2005-2022): racionalidades E PROJETOS DE FORMAÇÃO EM disputa


PALAVRAS-CHAVES:

História Social; Educação Financeira; Homo oeconomicus; Homo consumens; Novum homo socialis; Formação de professores.


PÁGINAS: 400
RESUMO:

A Educação Financeira tem ocupado, nas últimas décadas, um espaço crescente nas políticas nacionais, especialmente a partir das recomendações internacionais difundidas pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) a partir de 2005. No Brasil, esse movimento intensifica-se ao longo dos anos seguintes e culmina na inserção da Educação Financeira no currículo de Matemática da Educação Básica por meio da Base Nacional Comum Curricular (BNCC), em um contexto marcado por reformas educacionais e fortalecimento de racionalidades neoliberais. Diante desse cenário e da necessidade de problematizar a naturalização da Educação Financeira como conteúdo escolar, este trabalho busca compreender quais concepções de Educação Financeira (mercadológica, comportamental ou crítica) se evidenciam na trajetória dos documentos oficiais brasileiros, tendo como objetivo geral erigir uma interpretação histórica da Educação Financeira no currículo de Matemática da Educação Básica no Brasil, no recorte temporal que se inicia com a Recomendação da OCDE de 2005 e se estende até o governo de Bolsonaro (2005-2022). Parte-se da hipótese de que essa inserção não ocorre de modo neutro, associando-se à adaptação dos indivíduos às exigências do sistema capitalista, em um processo no qual o currículo escolar, compreendido como espaço de disputa e também como expressão de Aparelhos Ideológicos de Estado, pode contribuir para a produção de subjetividades ajustadas às racionalidades econômicas dominantes. Nesse movimento, as ações formativas vinculadas à Educação Financeira podem visar à formação de um homo oeconomicus, compreendido tanto na perspectiva foucaultiana do empresário de si mesmo quanto na perspectiva bourdieusiana de um sujeito cujas disposições econômicas são historicamente produzidas e incorporadas socialmente, e de um homo consumens, na perspectiva sobretudo de Bauman, em detrimento de uma política educacional de caráter emancipatório que possibilitaria a formação de um novum homo socialis crítico, reflexivo, politizado e coletivo. Utilizamos a História Social,  conforme as contribuições de Hobsbawm e José d’Assunção Barros, como fundamentação teórica e metodológica para analisarmos criticamente documentos oficiais (leis, decretos, deliberações etc.), orientados pelo paradigma indiciário (Ginzburg) e pela história a contrapelo (Benjamin), buscando identificar evidências, regularidades e silêncios nos textos examinados e compreendendo os documentos como monumentos e produtos de relações de poder, não neutros aos seus contextos sociopolíticos e socioeconômicos, sob a ótica de Foucault. Os resultados indicam que os documentos oficiais analisados tendem a conceber a Educação Financeira prioritariamente como instrumento de regulação dos comportamentos individuais relacionados ao consumo, à poupança, ao crédito e ao investimento. Observamos em nossas análises documentais uma tentativa recorrente de adaptar os indivíduos às exigências do mercado, com limitada abertura para abordagens que promovam a problematização crítica das estruturas econômicas e sociais mais amplas.


MEMBROS DA BANCA:
Presidente - 3147364 - ADRIEL GONCALVES OLIVEIRA
Externo ao Programa - 1289535 - FERNANDO CAUDURO PUREZA - UFRNExterna à Instituição - ARLETE DE JESUS BRITO - UNESP
Externa à Instituição - MARIA EDNÉIA MARTINS - UNESP
Externo à Instituição - SÉRGIO CÂNDIDO DE GOUVEIA NETO - UNIR
Notícia cadastrada em: 17/06/2026 15:11
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