FORMAÇÃO PARA A AUTONOMIA: ANÁLISE DE UMA SEQUÊNCIA DIDÁTICA NO ENSINO DE BIOLOGIA
Autonomia; Disposições; Ensino de Biologia; Questões sociocientíficas; Sequência didática.
Embora a promoção da autonomia seja recorrente nos documentos normativos da educação brasileira, persiste a lacuna sobre sua operacionalização no cotidiano escolar, o que motivou o seguinte problema de pesquisa: como fomentar, no contexto do Ensino de Biologia, práticas educativas orientadas por princípios vinculados à autonomia, compreendida não como uma competência adquirida, mas como uma disposição formativa a ser continuamente mobilizada? Para responder a essa inquietação, esta pesquisa possui como objetivo central analisar o potencial de uma sequência didática (SD), baseada em questões sociocientíficas (QSC), para a mobilização das disposições para a autonomia. A investigação fundamenta-se nos pressupostos teóricos de Monteiro (2021), que se baseou na perspectiva político-filosófica de Cornelius Castoriadis para criar o conceito de disposições para a autonomia — liberdade, criação e criticidade —, bem como os seus respectivos indicadores. Metodologicamente, a pesquisa caracteriza-se como qualitativa, de natureza aplicada e descritiva, configurando-se como um estudo de campo interventivo. O percurso aborda a reelaboração e aplicação de uma SD centrada no tema da crise hídrica estrutural do município de Macau/RN, uma QSC de extrema relevância socioambiental local. Os participantes da pesquisa são 53 estudantes de duas turmas do 1° ano do Ensino Médio Técnico Integrado em Recursos Pesqueiros do IFRN – Campus Macau. A produção dos dados ocorrerá por meio de observação direta não participante com registro em diário de campo digital, gravações em áudio e vídeo e registros escritos das atividades. Todo o material empírico obtido será submetido à análise de conteúdo, na perspectiva de Laurence Bardin, visando à identificação e à sistematização dos indicadores que evidenciam a mobilização das referidas disposições formativas. Como expectativas dos resultados, espera-se que a imersão na controvérsia mobilize as disposições para a autonomia nos estudantes, indicando movimentos de ruptura com a heteronomia e consolidando a autonomia como um processo emancipatório contínuo.