Banca de QUALIFICAÇÃO: JULIANA MARIA SCHIVANI ALVES

Uma banca de QUALIFICAÇÃO de DOUTORADO foi cadastrada pelo programa.
DISCENTE : JULIANA MARIA SCHIVANI ALVES
DATA : 10/04/2026
HORA: 14:30
LOCAL: https://meet.google.com/dvo-wtyv-pyu
TÍTULO:

UMA HISTÓRIA DA EDUCAÇÃO FINANCEIRA NO CURRÍCULO DE
MATEMÁTICA: MERCANTILISMO MODERNO OU POLÍTICA

EMANCIPATÓRIA?

 


PALAVRAS-CHAVES:

História Social; Educação Financeira; Homo oeconomicus; Homo
consumens; Novum homo socialis; Formação de professores.

 


PÁGINAS: 385
RESUMO:

A Educação Financeira tem ocupado, nas últimas décadas, um espaço crescente nas
políticas nacionais, especialmente a partir das recomendações internacionais difundidas
pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) a partir
de 2005. No Brasil, esse movimento intensifica-se ao longo dos anos seguintes e
culmina na inserção da Educação Financeira no currículo de Matemática da Educação
Básica por meio da Base Nacional Comum Curricular (BNCC), em um contexto marcado
por reformas educacionais e fortalecimento de racionalidades neoliberais. Diante desse
cenário e da necessidade de problematizar a naturalização da Educação Financeira
como conteúdo escolar, este trabalho busca compreender como e por que a Educação
Financeira foi inserida no currículo de Matemática da BNCC, tendo como objetivo geral
erigir uma interpretação histórica da Educação Financeira no currículo de Matemática
da Educação Básica no Brasil, no recorte temporal que se inicia com a Recomendação
da OCDE de 2005 e se estende até o governo de Bolsonaro. Parte-se da hipótese de
que essa inserção não ocorre de modo neutro, podendo estar associada à adaptação
dos indivíduos às exigências do sistema capitalista, cuja ações visam à formação de um
homo oeconomicus, na visão contemporânea de Foucault e de um homo consumens,
na perspectiva de Bauman, em detrimento de uma política educacional de caráter
emancipatório que possibilitaria a formação de um novum homo socialis crítico,
reflexivo, politizado e coletivo. Utilizamos a História Social, conforme as contribuições
de Hobsbawm e José d’Assunção Barros, como fundamentação teórica e metodológica
para analisarmos criticamente documentos oficiais (leis, decretos, deliberações etc.) e
livros didáticos de Matemática e de Educação Financeira para as séries finais do Ensino
Fundamental e o Ensino Médio, orientados pelo paradigma indiciário, buscando
identificar evidências, regularidades e silêncios nos textos examinados e
compreendendo os documentos como monumentos e produtos de relações de poder,
não neutros aos seus contextos sociopolíticos e socioeconômicos, sob a ótica de
Foucault. Os resultados parciais indicam que os documentos oficiais analisados tendem
a conceber a Educação Financeira prioritariamente como instrumento de regulação dos
comportamentos individuais relacionados ao consumo, à poupança, ao crédito e ao
investimento. Observamos em nossas análises documentais uma tentativa recorrente
de adaptar os indivíduos às exigências do mercado, com limitada abertura para
abordagens que promovam a problematização crítica das estruturas econômicas e
sociais mais amplas.

 


MEMBROS DA BANCA:
Presidente - 3147364 - ADRIEL GONCALVES OLIVEIRA
Externo ao Programa - 1289535 - FERNANDO CAUDURO PUREZA - UFRNExterna à Instituição - ARLETE DE JESUS BRITO - UNESP
Externo à Instituição - SÉRGIO CÂNDIDO DE GOUVEIA NETO - UNIR
Notícia cadastrada em: 04/03/2026 07:20
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