O ENSINO DE CIÊNCIAS NAS ESCOLAS INDÍGENAS POTIGUARA DA PARAÍBA SOB A PERSPECTIVA DA TEORIA DA OBJETIVAÇÃO
ensino e aprendizagem; saberes ancestrais; cultura; teoria da objetivação; ciências; professores indígenas.
A educação formal apresenta possibilidades para a criação de um mundo mais justo e equitativo. O ensino e a aprendizagem, por sua vez, são as bases para que isso seja possível, tendo em vista que ensinar e aprender são processos que permitem a apreensão do saber em diversos contextos, com vistas à mudança e transformação da realidade. No tocante ao Ensino de Ciências, há diversos papéis que as Ciências detêm na sociedade contemporânea, servindo de alicerces para que possamos compreender e refletir sobre os fenômenos que acontecem na sociedade. Quando refletimos sobre os saberes do mundo natural, nota-se que há várias cosmovisões que problematizam a realidade de cada sociedade. Como exemplo, temos os saberes da Ciência Ocidental e também os saberes dos povos originários. O Ensino de Ciências implica-se com essas duas realidades, possibilitando confluências entre esses saberes. Partindo desse pressuposto, a presente pesquisa objetiva investigar as relações entre saberes ancestrais e científicos no Ensino de Ciências da comunidade indígena Potiguara da Paraíba, utilizando como lente teórica a Teoria da Objetivação (TO) para a compreensão dos elementos semióticos existentes nas subjetividades das práticas pedagógicas de três professores indígenas colaboradores da pesquisa. Esse estudo caracteriza-se por sua natureza qualitativa, de cunho fenomenológico, cujos instrumentos de coletas de dados partem de diário de campo, observação do contexto, entrevistas semiestruturadas e reuniões com os professores. A análise dos dados se sustenta na base teórica-metodológica da TO e na análise do discurso de Mikhail Bakhtin. Até o momento, o principal resultado encontrado das entrevistas realizadas com os professores indígenas evidenciou a presença de alguns elementos que dialogam com a TO, como os indícios de colaboração entre os professores e estudantes em suas atividades de ensino e aprendizagem e o aparecimento do saber ancestral nos momentos de aula. Foi averiguado elementos da prática pedagógica dos professores que tangem imbricações entre os saberes da comunidade e os saberes científicos ocidentais, sendo isso, possíveis consequências das formações que eles tiveram de caráter ocidental, fazendo com que tenham maiores esforços para que o saber da sua cultura não se perca, ao mesmo tempo que necessitam garantir que os estudantes tenham acesso ao conhecimento ocidental. Conclui-se até o momento que esse processo é de natureza dialética, pois mobiliza os professores a refletirem continuamente sobre suas identidades, em um movimento simultâneo de afirmação cultural e construção do ser docente indígena, no qual se entrelaçam experiências profissionais que podem gerar contradições, quando considera-se a formação ocidental, os saberes ancestrais e as exigências da educação escolar formal.