O COLEGA: PLATAFORMA DE INTELIGÊNCIA COLETIVA PARA SERVIDORES JUDICIÁRIOS
Gestão do conhecimento. Processos de negócio. Inteligência artificial. Inovação no setor público. Design Science Research
O conhecimento prático acumulado na rotina diária dos servidores públicos constitui um ativo valioso, porém vulnerável, que, ao residir apenas na memória individual, gera dependência de pessoas-chave e riscos de descontinuidade administrativa no Poder Judiciário. Nas secretarias judiciais da Justiça Federal do Rio Grande do Norte (JFRN), a execução dos atos cartorários é tensionada pelo excesso de sistemas e frequentes alterações normativas. Diante disso, este estudo delimitou-se a investigar como projetar e avaliar uma plataforma baseada em inteligência artificial (IA) capaz de apoiar a externalização do saber tácito nesse ambiente. O objetivo geral consistiu em desenvolver uma solução tecnológica-organizacional para mitigar a dependência desse conhecimento nas rotinas operacionais cartorárias da JFRN. Metodologicamente, adotou-se a abordagem da Design Science Research (DSR), conduzindo uma pesquisa aplicada e de estratégia mista. Para o diagnóstico do problema e a ideação, aplicaram-se um questionário estruturado com 43 servidores, oficinas do Framework Criativo (Etapa Empresa) e sessão de Triztorming assistida por IA, além do mapeamento em notação BPMN do fluxo piloto de requisições de pagamento. A modelagem de negócio foi estruturada por meio dos frameworks Lean Canvas e Value Proposition Canvas. Os requisitos extraídos guiaram a construção de um protótipo de alta fidelidade da plataforma denominada "O Colega", a qual integra repositório de conhecimento explícito, fluxogramas e um assistente conversacional inteligente focado no domínio jurídico-cartorário. A avaliação tecnológica foi realizada por meio de testes de usabilidade baseados em tarefas com 12 participantes, seguidos de um formulário fundamentado no Modelo de Aceitação de Tecnologia (TAM) e de análise de conteúdo qualitativa. Os resultados do diagnóstico confirmaram que 83,7% dos servidores recorrem à interação direta com colegas para resolver dúvidas e que o tempo de serviço ou a formação jurídica não reduzem significativamente a percepção de dificuldade nas tarefas. Na avaliação do protótipo, todas as dimensões do TAM superaram o limiar de aceitação de 4,0 pontos, destacando-se a utilidade pedagógica e funcional com escore médio de 4,83, além da validação institucional obtida pela seleção da ferramenta para o portfólio de projetos prioritários da JFRN. Conclui-se que o artefato é viável, possui elevada intenção de adoção e cumpre com as diretrizes de governança da Resolução nº 615/2025 do CNJ.