Sarcopenia, obesidade sarcopênica e parâmetros funcionais na insuficiência cardíaca: uma análise de das associações entre os critérios isolados e combinados
Insuficiência cardíaca, composição corporal, massa muscular, desempenho físico funcional, força de prensão palmar.
A insuficiência cardíaca (IC) é uma síndrome clínica complexa acompanhada por alterações na composição corporal, resultando em diferentes fenótipos como obesidade, sarcopenia e obesidade sarcopênica, os quais estão associados à redução da capacidade funcional e o pior prognóstico. Entretanto, ainda são escassos os estudos que exploram a associação entre esses fenótipos, caracterizados a partir de métodos objetivos como a absorciometria por dupla energia de raios X (DXA) e a capacidade funcional no IC. Este estudo tem como objetivo investigar as associações entre os critérios isolados e combinados relacionados à sarcopenia e a obesidade sarcopênica com a capacidade funcional em pacientes com IC atendidos ambulatorialmente. Foi delineado um estudo transversal com amostragem de conveniência composta por 74 indivíduos com diagnóstico prévio de IC, atendidos ambulatorialmente. Foram coletados dados sociodemográficos e clínicos e a composição corporal avaliada por DXA. A força muscular foi verificada por meio de testes de preensão palmar (FPP) e da força muscular específica (FME). Foram. A capacidade funcional foi medida pelo teste de sentar/levantar da cadeira (TSL) e pelo teste de caminhada de 6 minutos (TC6M). Considerou-se como desfecho primário a funcionalidade anormal avaliada pelo TSL. As associações entre os critérios isolados (percentual de gordura corporal, índice de tecido mole magro apendicular, FPP e FME) e os critérios combinados (obesidade, sarcopenia e obesidade sarcopênica) com o desempenho no TSL foram analisados por regressão de Poisson, ajustada por idade, sexo e fração de ejeção. Como desfecho secundário exploratório foi analisada a distância no TC6M, utilizando correlação de Pearson e a regressão linear. A amostra total (n=74) foi predominantemente composta por pessoas do sexo masculino (64,9%), idade média de 58 ± 11,9 anos e FEVE reduzida (54,05%). Os indivíduos com TSL classificados como alterado apresentaram menor FPP entre os homens (19,62 ± 6,54 vs. 28,37 ± 7,03 kg; p < 0,001) maior frequência de baixo índice de tecido mole magro apendicular (44,44% vs. 19,64%; p = 0,036) e de FME (50,0% vs. 25,0%; p = 0,046) quando comparados aos indivíduos com TSL normal. Os maiores valores de FPP associaram-se independentemente ao melhor desempenho no TSL [RP = 0,94 (IC95% 0,90-0,99); p=0,028], enquanto a sarcopenia e a obesidade sarcopênica aumentaram significativamente a prevalência de TSL classificado como alterado [RP = 2,23 (IC95% 1,08 - 4,60); p = 0,030 e RP = 2,75 (1,45 - 5,23); p = 0,020, respectivamente]. A cada aumento de 1 kg na FPP, observou-se incremento de 3,15 m no TC6M (p=0,050) e redução de 0,25 s no TSL (p=0,008), permanecendo essa variável como a única associada de forma significativa nos modelos complementares. Conclui-se que a FPP representa um marcador independente de melhor capacidade funcional em pacientes ambulatoriais com IC, enquanto a sarcopenia e a obesidade sarcopênica associaram-se ao TSL alterado, reforçando a importância da avaliação integrada da força muscular e dos fenótipos de composição corporal em conjunto com testes de capacidade funcional no acompanhamento clínico na IC.