AVALIAÇÃO DA TOXICIDADE E DO POTENCIAL BIOATIVO DE NANOPARTÍCULAS CONTENDO COMPOSTOS FENÓLICOS DA POLPA DE MELÃO CANTALOUPE (Cucumis melo L.) EM MODELO DE Caenorhabditis elegans
Cucurbitaceae. Nanotecnologia. Testes de Toxicidade. Antioxidantes. Extratos Vegetais.
O aumento da prevalência de doenças crônicas não transmissíveis tem estimulado a busca por compostos bioativos com potencial de promoção da saúde, entre os quais se destacam os compostos fenólicos por suas propriedades antioxidante, anti-inflamatória e antimicrobiana. O melão Cantaloupe (Cucumis melo L.), amplamente cultivado no Nordeste do Brasil, apresenta polpa rica nesses compostos. Contudo, a aplicação em produtos é limitada pela instabilidade física e química e pela baixa biodisponibilidade, o que justifica o emprego da nanoencapsulação como estratégia de proteção e potencialização das propriedades funcionais. Este estudo objetivou avaliar a toxicidade e o potencial bioativo do extrato rico em compostos fenólicos da polpa de melão Cantaloupe, na forma livre e nanoencapsulada, em modelo experimental de Caenorhabditis elegans. O extrato bruto (EB) foi obtido por maceração da farinha da polpa em metanol 50% e acetona 70% (v/v), seguida de liofilização, enquanto as nanopartículas contendo o extrato (EFPC) e as partículas sem EB (EPC) foram produzidas por nanoprecipitação em antissolvente, utilizando proteína concentrada do soro do leite como agente encapsulante. As formulações foram caracterizadas por Microscopia Eletrônica de Varredura, Espalhamento de Luz Dinâmico, Espectroscopia no Infravermelho por Transformada de Fourier e eficiência de incorporação, além da determinação da atividade antioxidante in vitro pelo método de sequestro do radical ABTS●. Nematoides sincronizados foram expostos a diferentes concentrações (0,2, 0,5, 1, 5 e 10 mg/mL) de EB, EFPC e EPC desde o estágio larval L1, avaliando-se parâmetros de toxicidade (taxa de eclosão, batimento faríngeo, ovoposição, progênie e área corporal), resistência ao estresse oxidativo induzido por peróxido de hidrogênio e acúmulo intracelular de espécies reativas de oxigênio. As nanopartículas (EFPC) apresentaram formato esférico, diâmetro nanométrico (59,74 - 91,01 nm por Microscopia Eletrônica de Varredura e 76,46 ± 12,00 nm por Espalhamento de Luz Dinâmico, eficiência de incorporação de 90,61 ± 2,34 %, e um aumento de aproximadamente três vezes na atividade antioxidante de EFPC em relação a EB. Nenhum dos tratamentos alterou a taxa de eclosão ou o batimento faríngeo em relação ao controle (p > 0,05), indicando ausência de toxicidade embrionária e funcional. EFPC aumentou o tamanho corporal dos nematoides (p < 0,05) e preservou os parâmetros reprodutivos, enquanto EB reduziu predominantemente o crescimento corporal (p < 0,05), e EPC apresentou resposta bifásica sobre a reprodução. Tanto o extrato bruto quanto o nanoencapsulado aumentaram a resistência ao estresse oxidativo e reduziram o acúmulo intracelular de espécies reativas de oxigênio, sendo esse efeito mais consistente e abrangente para a formulação nanoencapsulada. Conclui-se que as formulações avaliadas apresentam baixa toxicidade e que a nanoencapsulação potencializa o efeito antioxidante dos compostos fenólicos do melão Cantaloupe, reforçando seu potencial como estratégia segura e promissora para o desenvolvimento de ingredientes funcionais.