Adesão Aos Marcadores De Consumo Alimentar E Sua Associação Com O Controle Glicêmico De Mulheres Com Diabetes Mellitus Gestacional
1.Consumo Alimentar; 2.Vigilância Alimentar e Nutricional; 3.Controle da Glicemia; 4.Diabetes Induzida pela Gravidez.
Os marcadores de consumo alimentar do Sistema de Vigilância Alimentar e Nutricional (SISVAN), têm se mostrado com bom potencial para refletir a qualidade global da alimentação, no entanto, ainda não se sabe se sua adesão repercute no perfil glicêmico de mulheres com Diabetes mellitus gestacional (DMG). Sabe-se que uma boa adesão à dieta saudável melhora o controle glicêmico, reduz a hiperglicemia materna e fetal, diminui complicações obstétricas e neonatais e controla o ganho de peso materno e fetal, sendo importante realizar essa avaliação na atenção à saúde pública especializada. Esse estudo examinou a associação entre a adesão aos marcadores de consumo alimentar do SISVAN e o controle glicêmico obstétrico e neonatal de mulheres com DMG atendidas no ambulatório de pré-natal de alto risco da Maternidade Escola Januário Cicco. Tratou-se de um estudo de coorte com mulheres com DMG entre 14a a 32a semanas de gravidez acompanhadas em três momentos (T1, segundo trimestre gestacional), (T2, terceiro trimestre gestacional) e (T3, após o parto) e agrupadas segundo o tratamento em: Grupo controle, tratadas com mudança de estilo de vida e dieta, e grupo Insulina, aquelas em uso de insulinoterapia. Foram coletadas informações sociodemográficas; informações clínicas, dados antropométricos, controle glicêmico pré-natal e recordatório alimentar de 24 horas (R24h), além de desfechos obstétricos no pós-parto. A adesão aos marcadores foi verificada segundo escores de marcadores de consumo saudável (MCS) e marcadores de consumo não saudável (MCNS) adaptado do SISVAN. O controle glicêmico materno foi avaliado pela glicemia capilar de jejum, pós-café da manhã, pós-almoço e pós-jantar resultante do automonitoramento, e pela diferença entre a glicemia entre os T1 e T2 pelo delta. As 190 participantes apresentaram média de idade de 31,5 anos e 48,4% tiveram um alto ganho de peso cumulativo ao final da gestação. Observou-se consumo frequente de feijão (82,1%), entretanto quase 1/3 das mulheres não apresentaram o consumo de verduras/legumes e frutas e elevada ingestão de bebidas adoçadas (58,4%) e de macarrão instantâneo/salgadinhos (45,8%), caracterizando um padrão alimentar misto. A adesão aos MCS e MCNS esteve associada ao perfil de macronutrientes da dieta (p<0,05). No grupo controle, mulheres que apresentaram a ingestão de três MCS, apresentaram uma redução da glicemia em jejum em relação ao T1 e T2 (β = -5,91 mg/dL; IC95%: -11,45 a -0,38; p = 0,037; R2 = 0,0865). Mulheres no grupo insulina que apresentaram mais de três MCNS, apresentaram um aumento na glicemia ao comparar T1 e T2 (β = 16,24 mg/dL; IC95%: 7,03 a 25,45; p = 0,001; R2 = 0,2235). Entretanto, glicemias no pós-almoço e no pós-jantar aumentaram conforme a adesão a MCS. A hipoglicemia neonatal ocorreu em 31,1% dos bebês e esteve associada ao maior consumo de MCNS (p = 0,026; r2=0,002). Apesar de boa associação entre os marcadores de consumo alimentar com a ingestão de macronutrientes e micronutrientes e com a glicemia de jejum, os resultados divergentes entre os diferentes momentos do automonitoramento glicêmico sugerem que os marcadores de consumo alimentar do SISVAN devem ser avaliados com cautela na DMG.