CARACTERIZAÇÃO GENÉTICA DO VÍRUS CHIKUNGUNYA CIRCULANTE NO ESTADO DO RIO
GRANDE DO NORTE (2022–2025): ANÁLISE EVOLUTIVA, ESTRUTURAL E IMUNOINFORMÁTICA
Chikungunya; evolução molecular; filogenia; mutações; imunoinformática;
modelagem estrutural; ECSA.
O vírus Chikungunya (CHIKV), pertencente à família Togaviridae e ao gênero Alphavirus, mantém circulação contínua no estado do Rio Grande do Norte (RN) desde sua introdução no Brasil em 2014.
Considerando a escassez de estudos recentes sobre a diversidade genética viral na região, este trabalho teve como objetivo caracterizar filogeneticamente o CHIKV circulante no RN entre 2022 e 2025, identificar mutações estruturais relevantes e avaliar possíveis implicações imunológicas associadas às substituições observadas, além de realizar modelagem estrutural preditiva para visualização espacial das substituições identificadas. Foram analisadas 154 sequências do gene E1 e 51 sequências da poliproteína estrutural (E3–E2–6K–E1), obtidas em bancos de dados públicos e submetidas a rigorosa curadoria de qualidade. As análises filogenéticas, conduzidas por Máxima Verossimilhança, demonstraram que todas as amostras pertencem ao genótipo East-Central-South African (ECSA), formando um agrupamento monofilético consistente, compatível com manutenção local e transmissão endêmica contínua. As sequências de 2025 agruparam-se em subclado coeso, sugerindo circulação recente de linhagem derivada regionalmente. A análise mutacional identificou dez substituições distribuídas principalmente nas glicoproteínas E1 e E2, com destaque para A98T, recorrente entre 2022 e 2023; K211T, detectada em múltiplos anos; I317T, caracterizada como mutação emergente em 2025; e N214S, classificada como transitória. As análises imunoinformáticas indicaram manutenção quantitativa do repertório de epítopos preditos para MHC classes I e II ao longo do período analisado, embora tenha sido observada substituição qualitativa pontual em MHC-I, com perda e surgimento de epítopos específicos. A predição de epítopos lineares de células B revelou conservação de regiões potencialmente antigênicas na glicoproteína E2, compatível com estabilidade relativa do perfil antigênico teórico. A modelagem estrutural foi empregada para localizar espacialmente as mutações nas proteínas E1 e E2, permitindo contextualização estrutural das substituições identificadas. De forma geral, os achados indicam baixa diversificação estrutural do CHIKV no RN entre 2022 e 2025, com manutenção da linhagem ECSA e ocorrência de mutações pontuais sem evidência de remodelamento amplo do repertório imunogênico predito. Os resultados reforçam a importância da vigilância genômica contínua para monitoramento evolutivo e compreensão da dinâmica viral regional.