CICLO DE MELHORIA NA IMPLEMENTAÇÃO DO PROTOCOLO SEPSE EM HOSPITAL DE ENSINO TERCIÁRIO
Sepse,Protocolo clínico, Segurança do paciente, Indicadores de Qualidade em Assistência à Saúde, Hospitais de Ensino
Introdução/Justificativa: A sepse é uma das principais causas de mortalidade hospitalar, demandando estratégias organizacionais eficazes para seu reconhecimento e manejo precoce. Protocolos clínicos baseados em evidências têm sido amplamente recomendados como instrumentos para melhoria da qualidade assistencial. No Hospital Universitário Walter Cantídio, observava-se elevada taxa de mortalidade por sepse, associada à ausência de um protocolo gerenciado estruturado, falhas na padronização dos processos assistenciais e baixa adesão às práticas recomendadas. Objetivo: Avaliar os resultados do ciclo de melhoria na implementação e no gerenciamento do Protocolo de Sepse no HUWC/UFC, ao longo de um ano. A análise concentra-se em três eixos principais: indicadores de qualidade assistencial, adesão da equipe multiprofissional e desafios operacionais enfrentados durante a execução. Método: Estudo quase experimental, do tipo antes e depois, sem grupo controle, com abordagem quanti-qualitativa, conduzido por meio de um ciclo de melhoria da qualidade. Foram analisados indicadores de processo e desfecho em pacientes adultos com suspeita ou diagnóstico de sepse, a partir de dados coletados por revisão de prontuários e fichas assistenciais padronizadas.Intervenção: A intervenção incluiu a implementação do Protocolo Sepse institucional, com definição de critérios de qualidade, capacitação da equipe multiprofissional, implantação do escore MEWS, padronização da coleta de dados e monitoramento contínuo dos indicadores assistenciais. Resultados: Foram analisadas 719 internações, com 161 casos de suspeita de sepse, dos quais 87 evoluíram para abertura do protocolo. Observou-se tempo médio de 41,5 minutos para administração de antibióticos, com alcance da meta institucional na maioria dos meses. Houve redução da mortalidade ao longo do período, embora com variabilidade temporal. Persistiram fragilidades na coleta laboratorial, com baixa conformidade e variabilidade nos processos assistenciais. Não foi identificada associação estatisticamente significativa entre o tempo de antibioticoterapia e o desfecho de óbito (p = 0,75).Conclusões: O uso do ciclo de melhoria para a implementação do protocolo sepse, contribuiu para avanços na qualidade assistencial e redução da mortalidade, embora com resultados ainda heterogêneos. A sustentabilidade da intervenção depende do monitoramento contínuo, da educação permanente e do fortalecimento dos processos organizacionais.