Grao crematorio-parque: anteprojeto com enfase nas atmosferas arquitetonicas
Crematório. Fenomenologia. Atmosferas. Projeto arquitetônico-paisagístico.
Este Trabalho de Conclusão de Curso do Mestrado Profissional tem como propósito conceber um crematório-parque com ênfase nas atmosferas arquitetônicas em potencial. Na conjuntura atual, os crematórios surgem como alternativa para enfrentar problemas ambientais e de uso do solo associados aos cemitérios convencionais, além de oferecer maior flexibilidade diante das transformações culturais ligadas à morte, ao morrer e ao luto. O estudo se apoia em reflexões sobre a morte na contemporaneidade e a evolução da prática da cremação, com foco no contexto brasileiro. Também discute os fundamentos da fenomenologia e sua influência na arquitetura, a fim de compreender como essa vertente filosófica, cujos cruzamentos existenciais dialogam diretamente com o tema, pode orientar a concepção de espaços funerários. A análise de projetos de referência, por sua vez, amplia o repertório e proporciona uma compreensão mais empírica. Somou-se a isso a imersão no sítio de intervenção, localizado no bairro de Felipe Camarão, em Natal/RN, voltada à identificação de condicionantes físicos, ambientais e legais. Com base nesse processo, foram estabelecidos dilemas e metas projetuais com a intenção de superar a visão estritamente funcional, incorporando dimensões simbólicas que pudessem dialogar com públicos distintos. O partido buscou equilibrar aspectos materiais e imateriais, conciliando a diversidade de usos com o entorno e respeitando o percurso ritual-arquitetônico do enlutado. Assim, o Grão, como foi denominado, apresenta em sua versão final a integração entre ambiente natural e construído, estruturada no espraiamento de oito setores ao longo do terreno: Psicologia do Luto, Acolhimento, Administração, Cremação, Cerimônia, Memória, Apoio e Vivência, que totalizam 5.876,73 m² de área construída. A implantação intenta valorizar a permeabilidade do parque, que envolve e conecta os volumes, fazendo da paisagem um elemento estruturador da experiência. Do ponto de vista técnico, o anteprojeto adota soluções estruturais viáveis, associadas a materiais de forte carga simbólica e sensorial, como concreto ciclópico em tonalidade terrosa, pedras naturais e madeira. As estratégias sustentáveis incluem captação de águas pluviais, coberturas verdes, ventilação cruzada, iluminação natural e uso de espécies nativas no paisagismo, favorecendo a biodiversidade e a identidade local. Como resultado, oferta-se à população norte-rio-grandense a proposta de um equipamento funerário integrado a um parque, compatível com a demanda emergente e capaz de abarcar todas as etapas do rito – da separação à transição e à incorporação da memória.