CONFORMIDADE COM AS PRÁTICAS DE PREVENÇÃO DE QUEDAS EM PESSOAS IDOSAS INTERNADAS EM UNIDADE DE TERAPIA INTENSIVA: ESTUDO TRANSVERSAL EM HOSPITAL UNIVERSITÁRIO BRASILEIRO
Acidentes por Quedas; Prevenção de Acidentes; Idoso; Unidades de Terapia Intensiva; Segurança do Paciente; Indicadores de Qualidade em Assistência à Saúde.
As quedas são eventos adversos relevantes na assistência hospitalar e podem ocasionar lesões, declínio funcional, prolongamento da internação, aumento da complexidade do cuidado e sofrimento psicológico, especialmente entre pessoas idosas. Nas unidades de terapia intensiva, a prevenção de quedas exige avaliação estruturada do risco, reavaliação contínua, segurança ambiental, vigilância clínica e adesão aos protocolos institucionais. Este estudo teve como objetivo avaliar a conformidade com critérios de qualidade para prevenção de quedas entre pessoas idosas internadas em uma unidade de terapia intensiva de um hospital universitário brasileiro. Foi realizado estudo transversal, descritivo-analítico, com 498 registros de avaliação referentes a 449 pessoas idosas internadas na Unidade de Terapia Intensiva Adulto do Hospital Universitário Onofre Lopes, da Universidade Federal do Rio Grande do Norte, Brasil. As variáveis analisadas incluíram características sociodemográficas, condições clínicas, histórico de quedas, mobilidade, classificação do risco de queda, ocorrência de quedas, aplicação da Escala de Quedas de Morse nas primeiras 24 horas, reavaliação do risco após a admissão, medidas de segurança ambiental, orientações ao paciente e à família e condutas após a queda. Foram utilizadas estatísticas descritivas, com frequências absolutas e relativas, medidas de tendência central e dispersão, intervalos de confiança de 95%, análise de Pareto e análise de sensibilidade com exclusão dos critérios pós-queda. A mediana de idade foi de 70 anos, com intervalo interquartil de 64,25 a 76 anos. Foi registrada uma queda entre as 498 avaliações, correspondendo à proporção de 0,20%. A conformidade global com todos os critérios avaliados foi de 89,17%. Na análise de sensibilidade restrita aos critérios preventivos, a conformidade foi de 89,16%. As não conformidades mais frequentes estiveram relacionadas à reavaliação do risco de queda após a admissão e à aplicação da Escala de Quedas de Morse nas primeiras 24 horas. Embora a ocorrência de quedas tenha sido baixa, foram identificadas lacunas relevantes nos processos essenciais de rastreamento e reavaliação do risco. Os achados reforçam a necessidade de fortalecer a avaliação sistemática de enfermagem, aprimorar as rotinas de documentação e priorizar ações de melhoria da qualidade direcionadas às pessoas idosas em terapia intensiva.