PERMEABILIDADE DA BARREIRA INTESTINAL E SUA RELAÇÃO COM VARIÁVEIS ANTROPOMÉTRICAS, BIOQUÍMICAS E DIETÉTICAS
Lactulose, manitol, síndrome do intestino permeável, recordatório alimentar de 24 horas, MSM, classificação de processamento de alimentos NOVA.
Introdução e Objetivos: A barreira intestinal é uma das primeiras linhas de defesa imunológica do corpo humano e responsável pela absorção de nutrientes da dieta. Este estudo teve como objetivo avaliar a permeabilidade da barreira intestinal e suas associações com variáveis antropométricas e bioquímicas, ingestão alimentar habitual e nível de processamento dos alimentos.
Métodos: Trata-se de um estudo transversal envolvendo 101 indivíduos maiores de 18 anos, realizado entre outubro de 2019 e março de 2023. A coleta de dados incluiu variáveis antropométricas (peso, altura, circunferências da cintura e do quadril) e bioquímicas, estimativa da ingestão alimentar habitual (a partir de dois recordatórios alimentares de 24 horas) utilizando o método MSM e avaliação do nível de processamento dos alimentos, considerando a classificação NOVA. O teste de Lactulose/Manitol (L/M) foi utilizado para avaliar a permeabilidade intestinal, e a regressão logística foi realizada para avaliar as associações entre variáveis antropométricas e dietéticas e a permeabilidade intestinal.
Resultados: A excreção urinária de manitol apresentou correlação direta com o IMC e as circunferências da cintura e do quadril, bem como correlação inversa com a ingestão dietética habitual de magnésio. A excreção urinária de lactulose apresentou correlação inversa com o retinol sérico e a gordura total. A razão L/M apresentou correlação inversa com o retinol sérico, a circunferência do quadril e a ingestão dietética habitual de gordura total e saturada, e correlação direta com a ingestão dietética habitual de magnésio. Não foi encontrada associação entre o grau de processamento dos alimentos e a permeabilidade intestinal. O modelo de regressão demonstrou que concentrações séricas mais elevadas de retinol (AOR = 0,533; IC 95% = 0,312–0,910; p = 0,021) e maior ingestão dietética habitual de gordura monoinsaturada (AOR = 0,850; IC 95% = 0,742–0,974; p = 0,019) foram inversamente associadas à probabilidade de aumento da permeabilidade da barreira intestinal.
Conclusões: IMC, circunferências da cintura e do quadril mais elevados resultam em uma área de absorção intestinal maior, representando uma adaptação fisiológica que permite ao intestino absorver uma quantidade maior de nutrientes que entram no lúmen e se tornam disponíveis para absorção. A ingestão alimentar habitual de gorduras totais, saturadas e monoinsaturadas, bem como o retinol sérico, têm um efeito benéfico sobre a barreira intestinal. Em relação ao grau de processamento dos alimentos, não encontramos nenhuma relação entre o consumo de alimentos ultraprocessados e a permeabilidade intestinal em nosso estudo.