QUALIDADE DE VIDA E ASPECTOS INDIVIDUAIS DE PACIENTES COM ÚLCERAS VENOSAS CICATRIZADAS ATENDIDOS EM UM SERVIÇO ESPECIALIZADO EM LESÕES CRÔNICAS: Estudo longitudinal não-randomizado
Úlcera Venosa; Qualidade de Vida; Cicatrização de Feridas; Atenção Primária à Saúde; Terapia de Compressão.
Introdução: As Úlceras Venosas de Perna (UVP) são lesões crônicas recorrentes decorrentes de insuficiência venosa, que impactam severamente a Qualidade de Vida (QV). Objetivo: Avaliar e comparar as alterações na QV entre pacientes com UVP cicatrizadas e não cicatrizadas após um ano de tratamento em serviço especializado. Método: Estudo longitudinal, observacional e não randomizado, realizado no Centro Especializado em Tratamento de Úlceras Crônicas em Parnamirim/RN, entre agosto de 2020 e novembro de 2021. A amostra de conveniência incluiu 103 pacientes adultos com UVP ativa e cadastro na Atenção Primária à Saúde. O tratamento padrão consistiu em terapia compressiva com bota de Unna e orientações de autocuidado. A coleta de dados ocorreu em dois momentos (T1 e T2), com intervalo mínimo de 12 meses, utilizando um formulário sociodemográfico/clínico; o Medical Outcomes Short-Form Health Survey (SF-36); e o Charing Cross Venous Ulcer Questionnaire (CCVUQ). A análise estatística envolveu testes não paramétricos, teste de sinais para mudanças longitudinais e regressão logística binária para identificar o potencial preditivo da cicatrização sobre a QV. O estudo foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa da Universidade Federal do Rio Grande do Norte, sob o parecer nº 2.322.176. Resultados: Os resultados desta tese estão consubstanciados um artigo intitulado, aceito para publicação no periódico International Journal of Clinical Practice, que apresentou que ao final do acompanhamento, 41,7% (n=43) dos pacientes alcançaram a cicatrização completa. A regressão logística demonstrou que a cicatrização foi o determinante primário para a melhora da QV. No SF-36, os domínios mais impactados foram Desempenho Físico, Funcionamento Físico, Dor Corporal e Desempenho Emocional. No CCVUQ, a melhora foi consistente em todas as dimensões, com destaque para Atividades Domésticas e Estética. Variáveis sociodemográficas e de saúde ajustadas não atuaram como fatores de confusão no desfecho clínico. Conclusão: A cicatrização da UVP é um preditor robusto de melhora na QV, confirmando a hipótese de que o fechamento da lesão restaura a autonomia funcional e o bem-estar emocional. Os resultados reforçam a eficácia da terapia compressiva na APS e a necessidade de protocolos que integrem a avaliação da QV como indicador de sucesso terapêutico.