Indicadores de Saúde Mental e Fatores Psicossociais de Proteção em Estudantes de Pós-Graduação
Stricto Sensu
Saúde Mental; Estudantes de Pós-Graduação; Apoio Social; Resiliência Psicológica; Orientador.
A saúde mental de estudantes de pós-graduação tem se consolidado como uma preocupação crescente
em âmbito nacional e internacional, em razão da elevada prevalência de sofrimento psíquico e de seus
impactos sobre a formação acadêmica, a produção científica e a permanência na pós-graduação. Embora
a literatura descreva amplamente os fatores de risco associados ao adoecimento mental, ainda são
limitadas as evidências sobre fatores psicossociais de proteção potencialmente modificáveis pelas
instituições de ensino superior. Nesse contexto, esta tese teve como objetivo investigar a relação entre
indicadores de saúde mental e fatores psicossociais como o apoio social, a resiliência e a relação
orientador-orientando entre estudantes de pós-graduação stricto sensu de duas universidades públicas
brasileiras, bem como identificar intervenções descritas na literatura voltadas à promoção da saúde
mental dessa população. Trata-se de uma pesquisa desenvolvida em três etapas complementares: uma
revisão sistemática da literatura, conduzida conforme as recomendações do PRISMA; um estudo
quantitativo, analítico e transversal, realizado com 566 estudantes de mestrado e doutorado, utilizando
um Questionário Sociodemográfico, o Questionário de Saúde Geral de Goldberg (QSG-12), a Escala de
Apoio Social Percebido e a Escala de Resiliência. O Questionário Sociodemográfico continha, além de
uma questão fechada, uma pergunta aberta sobre a relação orientador-orientando, cujos dados foram
analisados com auxílio do software IRaMuTeQ. A revisão sistemática identificou 23 estudos sobre
intervenções voltadas à promoção da saúde mental de estudantes de pós-graduação, evidenciando
resultados predominantemente favoráveis e a ausência de estudos brasileiros que atendessem aos
critérios de elegibilidade. No estudo quantitativo, observou-se elevada frequência de sofrimento
psíquico, com média de 5,63 pontos no QSG-12; 51,77% dos estudantes relataram estar em tratamento
para saúde mental, 31,63% referiram diagnóstico prévio de transtorno mental e 31,27% utilizavam
alguma medicação para melhorar a saúde mental. O sofrimento psíquico apresentou associação negativa
com o apoio social percebido (r = –0,29) e associação moderada e negativa com a resiliência (r = –0,53),
evidenciando que maiores níveis de apoio social e resiliência estiveram associados a menores níveis de
sofrimento psíquico. Adicionalmente, o apoio social apresentou associação positiva com a resiliência (r
= 0,25), indicando que estudantes que percebem maior apoio social tendem a apresentar níveis mais
elevados de resiliência e menores indicadores de sofrimento psíquico. Estudantes que avaliaram a
relação com o orientador como problemática apresentaram aproximadamente três vezes mais chances
de estar em tratamento para saúde mental. A análise qualitativa identificou cinco classes lexicais,
revelando que a experiência da orientação é influenciada por dimensões formativas, pedagógicas,
relacionais, psicossociais e organizacionais. Conclui-se que o apoio social, a resiliência e a qualidade da
relação orientador-orientando constituem importantes fatores psicossociais de proteção à saúde mental
de estudantes de pós-graduação. Os resultados indicam que a promoção da saúde mental nesse contexto
requer uma abordagem sistêmica, que articule ações preventivas, fortalecimento das redes de apoio,
qualificação das práticas de orientação e políticas institucionais comprometidas com a construção de
ambientes acadêmicos mais saudáveis.