SÍNDROME PÓS-CUIDADOS INTENSIVOS: REPERCUSSÕES MULTIDIMENSIONAIS E EVIDÊNCIAS PARA
INTERVENÇÕES EM SAÚDE MENTAL
Unidade de Terapia Intensiva; Síndrome Pós-Cuidados Intensivos; Saúde Mental; Família; Realidade Virtual
A Síndrome Pós-Cuidados Intensivos (PICS) compreende alterações físicas, cognitivas e psicológicas
que podem persistir após a alta da Unidade de terapia Intensiva (UTI), afetando pacientes e familiares.
Esta tese teve como objetivo investigar os desfechos de saúde mental, funcionalidade e cognição em
pacientes no período pós-terapia intensiva, bem como a saúde mental de seus familiares, além de
sintetizar evidências sobre intervenções de saúde mental, com ênfase na realidade virtual. Trata-se de
uma tese composta por três estudos observacionais analíticos de corte transversal e duas revisões
sistemáticas. Os estudos observacionais foram realizados em um hospital universitário do Nordeste do
Brasil e incluíram 80 pacientes, 80 familiares e 80 díades paciente-familiar avaliados no quinto dia
após a alta da UTI. Foram utilizados instrumentos validados para avaliação de ansiedade, depressão e
estresse pós-traumático, funcionalidade e cognição. As revisões sistemáticas foram conduzidas
conforme as diretrizes PRISMA 2020 e incluíram ensaio clínicos randomizados sobre intervenções em
saúde mental no contexto pós-UTI. Os resultados evidenciaram elevada frequência de sintomas de
ansiedade, depressão e estresse pós-traumático em pacientes e familiares, além de importante
comprometimento funcional em pacientes. Observou-se associação dos desfechos emocionais com
fatores socioeconômicos, histórico de sofrimento psíquico e condições prévias de saúde. A análise
diádica indicou interdependência emocional parcial entre pacientes e familiares, com predominância
de efeitos intrapessoais e limitada influência interpessoal. As revisões sistemáticas demonstraram que
as evidências sobre intervenções em saúde mental, incluindo realidade virtual, permanecem limitadas,
heterogêneas e metodologicamente frágeis. Conclui-se que os desfechos pós-UTI apresentaram caráter
multidimensional e clinicamente relevante, reforçando a necessidade de estratégias sistemáticas de
triagem, acompanhamento longitudinal e desenvolvimento de intervenções multiprofissionais baseadas
em evidências para pacientes e familiares.