ENVOLVIDAS: MULHERES-MÃES E NARRATIVAS AMOROSAS NA
TRANSIÇÃO DE GÊNERO DE SUAS/SEUS FILHAS/ES/OS
Maternidade; Pessoas trans; Transição de gênero; Amor.
A presente dissertação é fruto da minha experiência enquanto uma filha lésbica, que no final
de seu trajeto no final do curso de psicologia, esteve presente em um dispositivo de grupo no
ambulatório trans de Natal/RN, composto por mulheres-mães de pessoas trans. A partir dessa
experiência, pergunto–me: “Como é a experiência de mães de pessoas trans durante o
processo de transição de gênero?” e objetivando co-construir narrativas com mães sobre suas
experiências do processo de transição de suas/seus filhas/os/es trans, proponho dialogar
pesquisa narrativa, grupos e entrevistas no ambulatório Trans da UFRN com as perspectivas
de mulheres-mães de pessoas trans sobre a transição de gênero. As narrativas (co)construídas
apontam para as seguintes questões: a percepção das pressões sociais dos filhos e da
sociedade dirigidas às mães; as dúvidas, culpas e questionamentos em relação às suas
maternagens; o lugar que ocupam como mediadoras entre as/os filhas/es/os e as outras partes
da família; o contato com a transição de gênero favorecendo um novo encontro delas com as
suas sexualidades e a mobilização política em torno dos seus afetos em defesa da vida
das/es/os filhas/es/os. O amor apareceu no entre, como principal motor de transformação. Na
articulação de novas formas de cuidar, o amor se mostrou como fenômeno social e ato
político, que impulsiona a mobilização política-afetiva. O estudo mostra que essas mulheres,
ao acompanharem a transição de suas/seus filhas/es/os, também atravessam seus próprios
processos de transição, o que evidencia a importância de políticas públicas em prol da
construção de redes coletivas de cuidado às pessoas trans e suas famílias.