“DIZEM QUE SOMOS LIVRES. COMO ALGUÉM PODE USAR SUA LIBERDADE ASSIM?”: OS SENTIDOS DE LIBERDADE NA UBERIZAÇÃO
Uberização; Plaformização; Liberdade; Sentidos.
As plataformas digitais de serviço, como as de entrega de mercadorias, se apresentam como parte da "economia do compartilhamento" promovem a ideia de autonomia e liberdade para os trabalhadores. Essa narrativa, no entanto, mascara a precarização do trabalho e as novas formas de gerenciamento, controle algorítmico e organização do trabalho.O objetivo geral do estudo é analisar como os entregadores uberizados elaboram os sentidos de liberdade. O estudo se baseia na Psicologia Histórico-Cultural, utilizando em especial o conceito de sentido a partir de Vigotski. Utilizamos entrevistas semi estruturadas, o campo ocorreu em Natal/RN, Goiânia/GO, Uberlândia/MG (108 participantes no total). A análise dos dados foi feita a partir do método Núcleo de Significação. Obtivemos 5 núcleos "Trocando seis por meia dúzia e meia" discute a contradição entre a percepção de liberdade dos trabalhadores e a descrição de opressão no trabalho por plataforma, que é visto como melhor que outras atividades apesar das semelhanças nas opressões. "Na medida da necessidade" mostra como as plataformas utilizam estruturas sociais para manter o trabalhador disponível, transferindo a responsabilidade para a necessidade material. "A Face mais visível da subordinação" descreve como a vigilância e o controle são percebidos através de figuras humanas próximas, minimizando o papel da plataforma. Em "Quem arrisca petisca?", o trabalho de entregador é visto como livre por se contrapor ao trabalho formal, mas essa liberdade tem como contraponto os riscos, que são vistos como característica pessoal do trabalhador. Por fim, "Vai ficando, vai ficando..." aborda a percepção do trabalho por plataforma como temporário, mas com planos de futuro frágeis que dificultam a transição de carreira.