Banca de DEFESA: EMMANOEL HOLANDA MELO FERREIRA

Uma banca de DEFESA de MESTRADO foi cadastrada pelo programa.
DISCENTE : EMMANOEL HOLANDA MELO FERREIRA
DATA : 13/02/2026
HORA: 14:00
LOCAL: LABPSI e Google Meet
TÍTULO:

“Mais coragem do que homem”: narrativas e resistências de homens que se fazem gays na cidade-rural de Severiano Melo/RN

 


PALAVRAS-CHAVES:

Um-corpo-bicha, Andarilhagens, Modos de Subjetivação, Práticas de Resistência, Severiano Melo - RN.

 


PÁGINAS: 147
RESUMO:

O que é um-corpo-bicha numa cidade-rural? Derivado de ‘Biche’, que significa corça, o feminino de veado, em francês, a bicha historicamente foi associada à passividade, à animalidade e à abjeção. É um corpo que o colonialismo, o cristianismo e a ciência criminalizou e patologizou. Contudo, a bicha torna-se um modo de existir e performar gênero fora das normas, desestabilizando os binarismos coloniais e reconfigurando o espaço urbano-rural em práticas de cuidado e subversão frente aos processos normativos de emasculação. Mas de que cidade-rural estamos falando? Severiano Melo, conhecida também como a Terra do Cajú, fica localizada no interior do Rio Grande do Norte (RN), na mesorregião oeste potiguar, há 357km de distância de Natal, capital do estado, e com população estimada de 5.487 habitantes (IBGE, 2022). A cidade é marcada pela cajulcutura enquanto fonte econômica, sua dimensão territorial subdivide-se em zona urbana e uma zona rural composta por mais de 12 sítios. Trata-se de uma cidade influenciada pelo Cristianismo, principalmente pela Igreja Católica, que tem Nossa Senhora das Graças por padroeira da cidade (totem importante para pensarmos como a cidade se organiza subjetivamente) e pelo poder político da Prefeitura Municipal. Compreendemos por cidade-rural um território com marcas de interioridade (Gontijo e Erick, 2015). Nesse sentido, o presente trabalho tem como Objetivo Geral: Fiar escrevivências coletivas a partir das andarilhagens de corpos-bichas em uma cidade-rural, com enfoque nas performatividades e práticas de resistências produzidas no território. E como Objetivo Específicos: Analisar a experiência de corpos-bichas no tocante aos modos de subjetivação, práticas de resistência e de cuidado na cidade; Acompanhar itinerários de vida e invenções políticas de corpos-bichas no território rural-urbano de Severiano Melo - RN. Esta trata-se de uma intervenção-pesquisa, de cunho qualitativo, orientada por uma perspectiva feminista decolonial e queer, por entendermos a necessidade de balizar as dinâmica de reprodução e manutenção da colonialidade do poder, do saber e do ser no fazer pesquisa (Lugones, 2014; Maldonado-Torres, 2009). Nomeamos esse método de Andarilhagens, conceito freiriano que configura um movimento de caminhada/procura ininterrupta do andarilho; é a andarilhagem, com as práticas e vivências que vai dar o respaldo à teoria (Borges, Avelar e Costa, 2022), uma forma de deixar que o caminhar trace, no percurso, suas metas” (Barros & Passos, 2009). Na composição desse método, contamos com a escrevivência e a escutatória como ferramentas. As escrevivências, a partir dos elementos: corpo, condição e experiência (Oliveira, 2009) nos permitiu acessar dimensões político-afetivas desses sujeitos. A escutatória, como intervenção de desinstitucionalização do silenciamento de homens gays na cidade, constrói um espaço de dizibilidade e de questionamentos sobre o que se pede passagem na língua e o que ganha verbo no que acontece (Costa, Angeli e Fonseca, 2012). Dividimos o método em dois tempos: I) Inserção no campo, utilizando-se de um diário de um campo de memórias que é um texto invisível a ser construído pelo pesquisador (Lourau, 1988), que revelam as implicações do pesquisador e realizam restituições insuportáveis à instituição científica (Lourau, 1993) e II) Escutas individuais dos pesquisadores-participantes. A partir disso foram realizadas quatro escutas, em que três delas estão presentes neste trabalho. Alguns temas foram emergentes nesse processo de escuta, quais sejam: 1- A relação afetiva de cada sujeito com a cidade; 2- A amizade como possibilidade de aliança e resistência frente à cisheteronormatividade no território; 3- A díade família e religião nos processos de constituição subjetiva de homens gays na cidade; e 4- O ato de esconder-se como tecnologia de resistência; e 5- A política de educação como ferramenta de libertação. O processo de pesquisa resultou em torções e deslocamentos de noções coloniais cisheteronormativas sobre sujeitos dissidentes de sexo/gênero, fazendo desta pesquisa um caminho educativo no tocante ao letramento de gênero nos espaços da cidade. Ademais, a construção de espaços de dizibilidade, agrupamento para pensar/discutir/elaborar/construir saídas outras e dignas para homens gays violados pela norma emasculadora da ci(s)dade, produzindo formas de vinculação e de cuidado são tecnologias de alto custo desenvolvidos nesse percurso. Tais efeitos permite-nos afirmar sobre as contribuições epistêmico-metodológicas desta dissertação ao campo dos estudos de gênero e sexualidades e dos estudos sobre psicologia rural.

 


MEMBROS DA BANCA:
Externo à Instituição - ANTONIO CESAR DE HOLANDA SANTOS - UFAL
Externo à Instituição - ANTÔNIO LEONARDO FIGUEIREDO CALOU - FCST
Presidente - 2086520 - CANDIDA MARIA BEZERRA DANTAS
Externo à Instituição - MAURICIO CIRILO DA COSTA NETO - UnP
Notícia cadastrada em: 03/02/2026 15:46
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