FATORES ASSOCIADOS AO DIABETES MELLITUS E DESIGUALDADES NA EXPECTATIVA DE VIDA LIVRE DA DOENÇA NO BRASIL: UMA ANÁLISE INTERSECCIONAL POR GÊNERO E RAÇA
Diabetes Mellitus; Expectativa de Vida saudável; Transição Demográfica;Raça/cor; Interseccionalidade
O diabetes mellitus (DM) constitui um dos principais desafios para a saúde pública devido à sua elevada prevalência, às complicações associadas e ao impacto sobre a expectativa e a qualidade de vida. No Brasil, as desigualdades relacionadas ao diabetes são influenciadas por fatores demográficos, socioeconômicos, raciais e de gênero. Esta tese teve como objetivo analisar as desigualdades relacionadas ao diabetes mellitus na população adulta com 40 anos ou mais, segundo gênero, raça/cor e Grandes Regiões do Brasil, investigando as mudanças na composição racial autorreferida entre 2013 e 2019, os fatores associados ao diabetes mellitus e às suas complicações, bem como estimar a expectativa de vida (EV), a expectativa de vida saudável (EVS) e a expectativa de vida com diabetes mellitus (EVCDM) por diferentes métodos de construção de tábuas de vida. Foram utilizados dados das Pesquisas Nacionais de Saúde de 2013 e 2019, do Sistema de Informações sobre Mortalidade e do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Inicialmente, analisou-se a distribuição da população segundo raça/cor, gênero e região, evidenciando mudanças compatíveis com processos de reclassificação racial e fortalecimento da identidade negra. Em seguida, estimaram-se as prevalências de DM autorreferido e de suas complicações, utilizando modelos de regressão de Poisson com variânvia robusta considerando o efeito de desenho do plano de amostragem complexo. Posteriormente, foram construídas tábuas completas de vida pelos métodos observado, corrigido pela padronização das taxas específicas de mortalidade segundo o padrão etário das tábuas oficiais do IBGE e pelo Método Iterativo Intercensitário (MII). A partir dessas tábuas, aplicou-se o método de Sullivan para estimar a EV, a EVS e a EVCDM. Os resultados evidenciaram aumento da prevalência do diabetes entre 2013 e 2019, associado principalmente ao avanço da idade, à pior autoavaliação da saúde, às condições socioeconômicas e ao acesso aos serviços de saúde. As análises interseccionais indicaram maior vulnerabilidade entre mulheres negras, refletindo a interação entre desigualdades raciais, de gênero e socioeconômicas. As estimativas da EVS revelaram importantes diferenciais segundo gênero, raça/cor e região. Enquanto a padronização das taxas específicas de mortalidade alterou predominantemente o nível das estimativas, preservando sua estrutura, o Método Iterativo Intercensitário modificou parcialmente os diferenciais raciais ao harmonizar a composição populacional entre os censos e redistribuir os óbitos segundo raça/cor. Como principal contribuição, esta tese integra, o Método Iterativo Intercensitário ao método de Sullivan para estimar a expectativa de vida saudável segundo gênero, raça/cor e Grandes Regiões brasileiras, demonstrando que a escolha do método de estimação influencia a mensuração das desigualdades em saúde e fornece evidências mais robustas para o planejamento de políticas públicas voltadas à equidade em saúde.