EFEITOS DIRETOS E INDIRETOS DA PANDEMIA NA MORTALIDADE E NA EXPECTATIVA DE VIDA POR SEXO, IDADE, RAÇA NO BRASIL E REGIÕES, NOS ANOS DE 2019 A 2024
COVID-19; mortalidade; expectativa de vida; decomposição; desigualdades raciais.
A pandemia de COVID-19 provocou uma inflexão brusca na mortalidade sem precedentes no Brasil, revertendo tendências históricas de ganhos de expectativa de vida ao nascer e aprofundando desigualdades sociais. Esta dissertação analisa os efeitos da pandemia sobre a mortalidade e a expectativa de vida ao nascer (e0) no Brasil e Regiões, no período de 2019 a 2024. O objetivo central é analisar o excesso de óbitos, quantificar as perdas na e0 e identificar como elas se distribuíram de forma desigual entre diferentes grupos populacionais, com recortes interseccionais por sexo, idade e raça. A metodologia utiliza dados de óbitos (SIM) e de população, corrigidos por omissão e compatibilizados com a revisão 2024 das projeções populacionais (IBGE, 2024). Para corrigir o denominador pelo efeito da reclassificação racial, implementou-se o Método Iterativo Intercensal (MII). O método calibrou a matriz populacional de exposição ao risco, limpando as distorções intercensitárias de autodeclaração, para estimar tábuas de vida abreviadas por sexo, raça e região, permitindo analisar os impactos diretos e indiretos da pandemia para além das tábuas oficiais do período. Aplicou-se o método de decomposição de Arriaga para mensurar a contribuição das faixas etárias nos diferenciais de expectativa de vida, complementado por uma versão estendida que permite analisar a contribuição proporcional das principais causas de morte. A análise por idade e causa de morte, desagregada por sexo, região e raça, permitiu identificar os efeitos diretos e indiretos da pandemia desagregados por características sociodemográficas das populações nas diferentes regiões do Brasil. Com as taxas devidamente ajustadas pelo MII, constatou-se que as populações historicamente vulnerabilizadas já partiam de desvantagens estruturais na sobrevivência. Os resultados oferecem evidências robustas para o debate demográfico e para a formulação de políticas públicas sensíveis à equidade em saúde, destacando como a pandemia aprofundou as vulnerabilidades estruturais historicamente presentes na sociedade brasileira.