DINÂMICA DEMOGRÁFICA E URBANA: UMA ANÁLISE COMPARATIVA DAS REGIÕES METROPOLITANAS DE NATAL E JOÃO PESSOA (2000-2022)
Transição demográfica; Urbanização; RMN; RMJP; Redistribuição populacional; Espraiamento urbano
Esta dissertação investigou a relação entre a transição demográfica e o processo de expansão urbana nas Regiões Metropolitanas de Natal (RMN) e João Pessoa (RMJP), abrangendo o período entre 2000 e 2022. O estudo fundamentou-se na hipótese de que a desaceleração do crescimento populacional absoluto, impulsionada pela queda acentuada da fecundidade e pelo progressivo envelhecimento populacional, não impediu a contínua expansão física das manchas urbanas nestas duas metrópoles litorâneas do Nordeste. O fenômeno é caracterizado por um intenso processo de espraiamento urbano (urban sprawl) e por uma redistribuição populacional intrametropolitana que reconfigura o tecido urbano. Metodologicamente, a pesquisa caracteriza-se como um estudo descritivo e analítico de abordagem quantitativa, fundamentado na análise de indicadores demográficos e espaciais. A análise utiliza microdados dos Censos Demográficos (IBGE) de 2000, 2010 e 2022, integrados a dados vitais do Sistema de Informações sobre Nascidos Vivos (SINASC), com foco nos nascidos vivos por residência da mãe para eliminar distorções de local de ocorrência. Foram calculados e analisados indicadores de fecundidade (TFT e TEF), estrutura etária (RDI, RDJ, IE), razão de sexo e dinâmica domiciliar. Os resultados revelam uma convergência para níveis de fecundidade abaixo da taxa de reposição em ambas as RMs até 2022, com a RMJP apresentando um processo mais precoce e a RMN um ritmo de queda mais acelerado nas últimas duas décadas. Identificou-se um nítido descompasso entre a dinâmica demográfica e a produção do espaço: enquanto os núcleos centrais (Natal e João Pessoa) registram sinais de saturação e perda ou baixo crescimento populacional, os municípios periféricos e eixos de expansão, como Extremoz e Conde, apresentam taxas elevadas de crescimento populacional e habitacional. A análise espacial confirma que a expansão urbana tem ocorrido de forma horizontal e dispersa, frequentemente sobre áreas de vegetação e mangue, resultando em uma urbanização de baixa densidade. Conclui-se que o espraiamento urbano na RMN e na RMJP é condicionado por novos padrões de consumo e pela fragmentação dos arranjos domiciliares, onde o número de domicílios cresce em ritmo superior ao da população. Essas transformações exigem um planejamento urbano metropolitano integrado que considere a transição para uma estrutura populacional madura e a necessidade de preservação dos recursos ambientais frente à expansão imobiliária.