FASES E FACES DA MOBILIDADE INTRAESTADUAL NO CEARÁ (1995/2000 E 2005/2010): METROPOLIZAÇÃO EXPANDIDA, DESMETROPOLIZAÇÃO E SELETIVIDADE MIGRATÓRIA
Migração intraestadual; Desmetropolização; Metropolização expandida; Seletividade migratória; Rede urbana.
Esta dissertação analisa as dinâmicas da mobilidade intraestadual no Ceará entre 1995/2000 e 2005/2010, considerando as fases e faces migratórias, a seletividade dos migrantes e os efeitos do porte populacional dos municípios sobre os fluxos e rendimentos. O estudo parte do debate sobre os processos de metropolização expandida e desmetropolização, buscando compreender se há redistribuição populacional da Região Metropolitana de Fortaleza (RMF) para cidades do interior, especialmente as de porte médio, se prevalece a centralidade metropolitana ou a coexistência de ambos os processos. A pesquisa utiliza microdados dos Censos Demográficos de 2000 e 2010 (IBGE), organizados em matrizes migratórias de origem-destino e analisados por indicadores clássicos de Migração Bruta, Saldo Migratório e Índice de Eficácia Migratória. A seletividade migratória é examinada por meio do modelo de Heckman, considerando características sociodemográficas, ocupacionais e diferenciais de rendimento. Os resultados revelam que a mobilidade intraestadual no Ceará reflete a coexistência de dois processos: de um lado, a metropolização expandida, marcada pela perda populacional de Fortaleza em direção a municípios vizinhos da RMF, como Caucaia e Maracanaú; e, de outro, sinais de desmetropolização intraestadual, evidenciada pela emergência de cidades médias do interior (porte 4: Juazeiro do Norte, Crato, Sobral e Itapipoca), que passaram a registrar saldos migratórios positivos. Essa dupla dinâmica mostra que a mobilidade reforça hierarquias urbanas, mas também amplia a centralidade de polos regionais intermediários. Quanto às características individuais, verificam-se padrões seletivos consistentes: predominância de migrantes jovens, homens, pardos e com maior escolaridade, embora desigualdades de gênero e raça permaneçam estruturais. No campo econômico, confirma-se a hipótese de seletividade positiva: migrantes auferem rendimentos superiores aos não migrantes, sobretudo nos municípios de maior porte. Em 2000, cidades de porte 2 e 3 já apresentavam diferenciais salariais em relação às de porte 1, mas em 2005/2010 foram os municípios de porte 4 que consolidaram posição de destaque, oferecendo remunerações mais elevadas e reforçando sua atratividade. Assim, os ganhos econômicos da migração variam segundo o porte municipal: menores nos pequenos (porte 1), intermediários nos portes 2 e 3 e mais expressivos nos municípios médios (porte 4). Conclui-se que a mobilidade intraestadual no Ceará não é neutra: ela combina metropolização expandida e indícios desmetropolização intraestadual, reproduzindo hierarquias urbanas e sociais, mas também revelando a emergência de cidades médias como novos polos regionais. As evidências contribuem para o entendimento das reconfigurações territoriais e oferecem subsídios para políticas públicas voltadas à redução das desigualdades regionais e ao fortalecimento da rede urbana estadual.