FASES E FACES DA MOBILIDADE INTRAESTADUAL E SELETIVIDADE DO MIGRANTE NO CEARÁ: EVIDÊNCIAS ENTRE A RMF E O INTERIOR (2010–2022)
Migração intraestadual; Desmetropolização; Metropolização expandida; Seletividade migratória; Rede urbana
A redistribuição populacional entre capitais e cidades do interior tem recebido crescente atenção nos estudos demográficos e urbanos. No Ceará, compreender se há um movimento de desconcentração populacional da RMF para o interior ou, ao contrário, de expansão metropolitana, ou ambos, é essencial para identificar mudanças na rede urbana e nas dinâmicas socioeconômicas regionais. Tais transformações influenciam diretamente o planejamento territorial, a oferta de serviços públicos e as estratégias de desenvolvimento. Além disso, a análise da seletividade migratória permite entender como atributos como escolaridade, ocupação e renda moldam as migrações e as desigualdades territoriais. Esta dissertação tem como objetivo analisar se o estado do Ceará vivencia um processo de desmetropolização, com deslocamento populacional da RMF para cidades do interior (diferenciadas por porte populacional), ou de metropolização expandida, com redistribuição no entorno da Região Metropolitana de Fortaleza (RMF) ou ambos. Também investiga em que medida os fluxos migratórios intraestaduais, os diferenciais de rendimento e o porte dos municípios revelam novos arranjos territoriais e implicações para as redes urbanas e para a seletividade dos migrantes. A análise utiliza microdados dos Censos Demográficos de 2010 e 2022 do IBGE, considerando duas áreas: RMF e Interior (subdividido por categorias de porte populacional). Os fluxos migratórios são mensurados por matriz de origem-destino e indicadores de Migração Bruta, Saldo Migratório e Índice de Eficácia Migratória. A seletividade é examinada por meio de modelo econométrico de rendimentos com correção para viés de seleção, controlando características sociodemográficas. Espera-se comprovar duas hipóteses centrais: (i) o avanço da desmetropolização intraestadual, com redução da atratividade da RMF, saldos migratórios positivos no interior, especialmente em cidades médias, e emergência de novas centralidades; e (ii) a seletividade positiva dos fluxos intraestaduais, com migrantes apresentando maior escolaridade, formalização e renda em comparação aos não migrantes. Ao articular mudanças espaciais e perfis socioeconômicos, a pesquisa contribui para o entendimento das reconfigurações territoriais no Ceará e oferece subsídios para políticas públicas voltadas à redução das desigualdades regionais e ao fortalecimento da rede urbana estadual.