Tríade Analítica na Violência contra a Mulher: Uma Abordagem Multimetodológica com Dados do VIVA/SINAN do Brasil ao Rio Grande do Norte
Violência Contra a Mulher; Análise de Dados; Redes Bayesianas; Regressão Logística; Sistema VIVA (DATASUS)
Esta tese de doutorado em Demografia investiga a violência contra a mulher no Brasil a partir de três estudos empíricos, utilizando dados do Sistema VIVA (DATASUS) de 2009 a 2022. Os artigos analisam o fenômeno em diferentes escalas geográficas — nacional, regional e estadual — empregando distintos métodos estatísticos para identificar padrões e fatores associados à violência de gênero. O primeiro artigo examina a violência contra mulheres nas cinco regiões do Brasil por meio de regressão logística, identificando que a violência sexual, psicológica e ameaças são mais frequentes entre mulheres, especialmente em relações com parceiros íntimos. Em contrapartida, a violência com armas e objetos cortantes está mais associada aos homens. Apesar das diferenças socioeconômicas e culturais entre as regiões, observa-se um padrão recorrente de violência contra a mulher, reforçando a necessidade de políticas públicas nacionais integradas. O segundo artigo foca no Nordeste, realizando uma análise descritiva e exploratória dos dados. Os resultados revelam que quase 80% das agressões ocorrem no ambiente doméstico e destaca a desigualdade racial na vitimização, além da alta reincidência da violência (30% das vítimas já sofreram agressões anteriormente). O terceiro artigo adota uma abordagem preditiva, aplicando redes bayesianas aos dados do Rio Grande do Norte para prever a ocorrência de violência física contra mulheres. A modelagem revela que a violência psicológica é o principal preditor da violência física, com uma probabilidade condicional de 84%. Outros fatores relevantes incluem o vínculo com parceiro íntimo e o consumo de álcool. Os resultados da tese evidenciam a persistência da violência de gênero no Brasil e a importância de estratégias preventivas e políticas públicas específicas para mitigar seus impactos, considerando as particularidades regionais e estruturais desse fenômeno.