TRANSIÇÃO À VIDA ADULTA DOS JOVENS NO NORDESTE NO INÍCIO DO SÉCULO XXI: MODALIDADES, DESIGUALDADES E DESAFIOS NO MERCADO DE TRABALHO
Transição à vida adulta; Jovens sem-sem; Trabalho; Educação; Nordeste.
A literatura sobre juventude tem apontado uma diversificação nos modos de ser jovem, e no Brasil as desigualdades estruturais desempenham um papel importante nesse processo. Essa diversidade também se reflete na transição para a vida adulta, em que as trajetórias das novas coortes de jovens no processo de aquisição do status de adulto se tornam mais heterogêneas, tanto entre si quanto em relação a coortes anteriores. Essas diferenças, sejam intra ou intergeracionais, podem resultar nas chamadas 'não-transições', a exemplo dos 'jovens sem-sem'. As dificuldades dos jovens no mercado de trabalho, que perduram e se agravam em certas conjunturas, afetam a passagem do papel de estudante para o de trabalhador. A consequente dificuldade em alcançar independência financeira também influencia outras dimensões da transição. Nesse contexto, esta tese investiga os diferentes modos de transição juvenil com foco na região Nordeste, que combina padrões convencionais e dinâmicas emergentes, e permanece registrando maiores vulnerabilidades em relação às demais regiões do Brasil, no que se refere a aspectos demográficos, econômicos, educacionais e de inserção no mercado de trabalho. A pesquisa se pauta na seguinte questão central: como um contexto desigual e incerto influencia as mudanças no processo de transição para a vida adulta na passagem do século XX para o XXI? Essa questão compõe-se de outras mais específicas que favoreceram a idealização da tese em dois diferentes ensaios. O primeiro destina-se a caracterizar a transição para a vida adulta na região Nordeste. O segundo analisa a influência do mercado de trabalho, indicativo para o efeito de período, na configuração de uma modalidade de transição mais específica: os jovens sem estudo e sem trabalho (jovens sem-sem). Para isso, são utilizados os microdados dos Censos Demográficos de 1991 e 2010 (ensaio 1), e a PNAD de 1993, 1998, 2003, 2008 e 2013, bem como a PNADC de 2018 e 2023 (ensaio 2). Como principais métodos de análise são utilizados a análise de entropia de coortes sintéticas (ensaio 1) e o modelo Idade-Período-Coorte (APC) com Logito Multinomial (ensaio 2). Conjuntamente, os ensaios mostram que o contexto desigual e incerto coloca educação e trabalho como forças em contraste na padronização ou despadronização entre as modalidades de transição dos jovens no Nordeste, assim como na configuração da modalidade sem-sem. Em meio às desigualdades, os jovens com menor rendimento e do meio rural têm maiores chances para integrar os sem-sem, apesar da tendência mais acentuada de homogeneização enquanto estudantes e do crescimento notável das chances para o estudo em coortes mais recentes. A incerteza, em especial para esses perfis, é evidenciada pelo estabelecimento do status ocupacional como principal componente da heterogeneidade crescente entre os jovens na região, junto a relação direta entre a taxa de desocupação e as chances de integrarem os sem-sem.