Estimativas populacionais pós-censitárias para pequenas áreas: integração de métodos demográficos e espaciais na Amazônia Legal
Estimativas populacionais; variáveis sintomáticas; pequenas áreas
O campo das estimativas e projeções populacionais transcende sua dimensão formal na ciência demográfica, tornando-se cada vez mais relevante para o planejamento territorial e para o alcance dos Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (ODS). Dentre as diversas características deste campo de estudo, destaca-se o aprimoramento de métodos que buscam refletir a dinâmica complexa das populações e seus desafios, garantindo que as análises permaneçam atualizadas e aplicáveis às realidades sociais em constante transformação. Nesse contexto, observa-se o grande potencial das estimativas baseadas em variáveis sintomáticas, como estatísticas vitais, matrículas escolares, número de eleitores e consumo de serviços básicos, para a criação de modelos capazes de associar mudanças populacionais às variações observadas nesses indicadores. De forma semelhante, informações espaciais, como dados de luzes noturnas, classificação do uso do solo urbano, dados sobre arruamentos e imagens orbitais, têm ganhado destaque no campo das estimativas populacionais. Por meio de correlações estatísticas e combinações de variáveis, é possível capturar tendências recentes e adaptar as projeções às dinâmicas locais. Por ser uma região estratégica que reúne múltiplas realidades socioterritoriais, elemento fundamental para se estudar metodologias de fronteira no campo das estimativas, a Amazônia Legal configura-se como o recorte espacial deste projeto de pesquisa, cuja pergunta principal é: quais são as potencialidades e os desafios na utilização de dados geoespaciais, integrados a registros administrativos, em modelos de correlação de razão (ratio correlation) para estimar populações municipais na Amazônia Legal? A partir desse questionamento, esperam-se resultados que evidenciem as potencialidades dos dados geoespaciais para melhorar a precisão das estimativas populacionais na região, bem como sua aplicabilidade em outros contextos geográficos semelhantes. Também se busca identificar os desafios técnicos e metodológicos, como a qualidade e a periodicidade dos dados, além das dificuldades em aplicá-los em regiões de baixa densidade populacional. Por fim, pretende-se construir modelos baseados em dados espaciais e registros administrativos para avaliar sua eficácia na produção de estimativas pós-censitárias para pequenas áreas, considerando diferentes usos e ocupações do solo, destacando a relevância destes resultados na gestão do território.