Suicídio em homens no Brasil uma Análise sob a perspectiva demográfica
Suicídio; Demografia; Efeito da idade, Período e coorte; Modelos logísticos
O suicídio é fenômeno social multideterminado por questões socioeconômicas, biológicas, psicológicas, políticas e culturais. Maiores taxas são apresentadas por homens, adultos jovens e idosos. Em nível conjuntura correlaciona-se às crises econômicas, ajuste fiscal, crises sanitárias, taxas de divórcio, taxas de desemprego e mudanças na estrutura etária da população (descontinuidade de coorte e envelhecimento populacional). Esta dissertação visa analisar o efeito da idade, período e coorte nos suicídios em homens totais e perpetrados por arma de fogo no Brasil e Grandes Regiões no período de 1980 a 2019. E avaliar a distribuição espacial das taxas de mortalidade por suicídio em homens nos municípios da região Nordeste, no período de 2015-2019, na faixa etária de 10 a 80 anos, e sua correlação com indicadores socioeconômicos e demográficos. Foram realizadas correções para qualidade e subnotificação dos registros de óbito. Modelos idade, período e coorte (APC) foram estimados por meio de regressões estimáveis. No período em estudo o Brasil apresentou 10,22 óbitos por 100 mil homens, e as regiões Sul e Centro-Oeste apresentaram coeficientes superiores ao nacional, e as menores no Sudeste e Nordeste. O mesmo perfil foi verificado nos suicídios cujo meio foi o enforcamento, intoxicação exógena e arma de fogo. Após a estimação dos modelos idade, período e coorte, verificou-se tendência idade-drift ascendente para suicídio totais para o Brasil e todas as regiões, exceto para a região Sul em que foi estacionária. E tendência descendente para os suicídios perpetrados por arma de fogo para todas as localidades. O efeito da idade, período e coorte para os suicídios totais foi distinto do observado para os suicídios por arma de fogo. Para os suicídios totais houve gradiente positivo com o avançar da idade, e no perpetrado por arma de fogo identificou-se pico de incidência entre 35-44 anos, com posterior estabilização. Redução no risco de morte (RR<1) foi observado para os suicídios perpetrados por arma de fogo em relação ao período de referência (1995-199) para todas as localidades, exceto na região Norte em que o efeito não foi significativo. As gerações mais jovens a partir da década de 1960 apresentaram maior risco de morte por suicídio total e menor risco para os perpetrados por arma de fogo. Estes resultados podem correlacionar-se com o efeito de período promovido pelo Estatuto do Desarmamento que reduziu a circulação de arma de fogo no Brasil, pois os suicídios por arma de fogo são os principais indicadores de presença de arma de fogo nos domicílios. O desamparo vivenciado pelos idosos brasileiros devido à insegurança previdenciária, mudanças na estrutura das famílias, violência econômica, física, negligência e abono que estes vivenciam, podem estar correlacionados com o efeito da idade e coorte observado nos suicídios totais.