EDUCAÇÃO SOCIOESTUARINA NO RIO FUNDO EM ESTÂNCIA-SE (2022-2026): TRAVESSIA PARA UMA PEDAGOGIA PÉ NA LAMA
Educação Socioestuarina; Pedagogia Pé na Lama; Justiça Socioambiental; Estuário Rio Fundo; Aprendizagem coletiva.
O uso racional dos recursos dos territórios costeiros estão sendo marcados por fatores autoritários e eurocêntricos em que os critérios de proteção da história, cultura, etnia, natureza e participação social, são negligenciados em nome de resultados econômicos. Nesse contexto, o fazer educacional coletivo tem sido uma forma de contribuir para a justiça socioambiental no atual momento de regulação dos ordenamentos territoriais, por meio do diálogo, da pesquisa e de ações que considerem a totalidade política da área de atuação e as contribuições dos conhecimentos e saberes das pessoas que vivem em simbiose com os ecossistemas dos estuários costeiros. Especificamente, o litoral sul sergipano passa por transformações com a construção de rodovias e pontes pelo Programa de Desenvolvimento do Turismo do Nordeste (PRODETUR) tornando-se um local de conflitos socioambientais, que se manifesta na naturalização do racismo ambiental e na exclusão socioeconômica dos ribeirinhos frente à pressão imobiliária, ao turismo predatório e ao distanciamento da educação formal. Por outro lado, as ações de educação ambiental na realidade local têm baseado suas práticas para os indivíduos, por meio do conceito de sujeito ecológico, sem colocar a coletividade no centro das práticas educacionais. O objetivo geral desta tese é propor uma Educação Socioestuarina para os ambientes costeiros, materializada na prática da Pedagogia Pé na Lama nos povoamentos Farnaval e Massadiço, às margens do estuário Rio Fundo, Estância-SE. O que motivou as escolhas desses povoamentos foram suas posições estratégicas no estuário como locais de turismo, exploração de recursos naturais e pela invisibilidade dos grupos tradicionais. Esta proposta justifica-se pela necessidade de aproximação dos conhecimentos escolares aos estuarinos, por meio do processo de aprendizagem coletiva. A metodologia fundamenta-se na dialética da totalidade concreta e na pesquisa-ação, utilizando os seis fatores de Thiollent (2022) que envolvem pesquisadores e participantes em um processo cooperativo. O percurso metodológico incluiu observação participante, uso de diários de campo e registros audiovisuais, além de adotar uma postura decolonial para valorizar os saberes locais. A pesquisa envolveu a participação direta de 20 estudantes voluntários do Instituto Federal de Sergipe (IFS) e de lideranças das comunidades supracitadas. Os resultados da pesquisa-ação na elaboração coletiva da trilha fluvial entre os povoamentos Farnaval e Massadiço aponta a Educação Socioestuarina enquanto instrumento didático para facilitar o diálogo entre escola e estuário para o fortalecimento do saber/fazer comunitário, através de ações concretas de geração de renda, como o "Florescer" (costura e artesanato) e a valorização da culinária local "Os Filhos da Maré", além de mobilizações que resultaram em reivindicações de infraestrutura junto ao poder público municipal. O caminho percorrido apresenta a Pedagogia Pé na Lama, uma prática que transforma o aprender em um instrumento tangível de resistência e re-existência, de contraposição da natureza vendida para a natureza vivida, que flui colocando os saberes e conhecimentos tradicionais enquanto guardiões dos ecossistemas. Ou seja, a Educação Socioestuarina tem sido uma forma de contribuir para inspirar outros pesquisadores a seguirem os ciclos das marés, olhando para a totalidade política da relação ser humano e ecossistema, sempre com os pés sujos da lama do manguezal.
Objetivos de Desenvolvimento Sustentável: #04 - Educação de Qualidade; #05 -
Igualdade de Gênero; #08 - Trabalho Decente e Crescimento Econômico; #11 - Cidades e
Comunidades Sustentáveis; #17 - Parcerias e Meios de Implementação.