SABERES, DIZERES E FAZERES: ESTRATÉGIAS DE SOBREVIVÊNCIA DAS MULHERES BENZEDEIRAS DO MARANHÃO
Saberes tradicionais; Benzedeiras; Territorialidade; Ancestralidade; Justiça ambiental.
A pesquisa Saberes, dizeres e fazeres: estratégias de sobrevivência das mulheres benzedeiras do Maranhão busca compreender como as mulheres do Maranhão, especificamente as de Nova Iorque e a Senhora Maria Barbosa em São Luís estão agenciando sua identidade étnica e (re)construindo saberes tidos como ancestrais para dialogar com a sociedade nacional nos domínios ecológicos, antropológicos e do “buen vivir”. Por ser este estudo referente ao uso de ervas no cotidiano das mulheres de Nova Iorque e utilização de ervas para “banhos” curativos preparados a partir da religião de matriz africana, confere à pesquisa um elevado grau de originalidade. Além de promover um amplo debate sobre questões sociais, culturais e audiovisuais referentes às mulheres benzedeiras no Brasil, este estudo também auxiliará a discutir os contextos históricos que forjam as condições dessas mulheres ao “buen vivir” e meio ambiente: discursos elencados nas rezas, silenciamentos frente ao desmatamento crescente e o uso de ervas na religião de matriz africana no que tange a Senhora Maria Barbosa, mãe de santo com 52 anos de atividade em São Luís), temas relevantes para a tese. A metodologia escolhida para a investigação é pesquisa qualitativa, de caráter etnográfico.
fundamentação na análise da narrativa (Ricoeur) e antropologia interpretativa (Geertz); observação participante sustentada pelo pertencimento da pesquisadora à comunidade; uso do vídeo participativo como método colaborativo; entrevistas semiestruturadas, individuais e coletivas; questionários abertos voltados especialmente à juventude.; rodas de conversa e relatos orais com benzedeiras e herdeiras do saber.; pesquisa documental em arquivos públicos, pessoais e digitais.; estudos de caso etnográficos sobre práticas e transmissão de saberes.; geração de produto audiovisual (documentário) como devolutiva à comunidade. As experiências em Nova Iorque (MA), em São Luís, no convívio com a Senhora Maria Barbosa e nas pesquisas que venho realizando têm se mostrado de grande relevância para contribuir com o debate em curso em diversos campos, acerca de um paradigma que colabore para as estratégias de sobrevivência dessas mulheres no contexto do mundo moderno e do desmatamento crescente.