Amor, liberdade e transformação: uma análise narratológica de Titanic (1997)
Comunicação. Titanic (1997). Narratologia. Narrativas. Amor.
Esta dissertação analisa a estrutura narrativa do filme Titanic (1997), dirigido por James Cameron, investigando a função do amor romântico enquanto elemento estruturante da trama cinematográfica. O estudo adota como fundamentação teórica os preceitos da Narratologia, com base nas proposições de Mieke Bal, e a Morfologia do Conto Maravilhoso, formulada por Vladimir Propp. Além disso, a pesquisa contextualiza os aspectos históricos e sociais do ideal de amor romântico na cultura ocidental — desde Platão e Shakespeare até a cultura de massas contemporânea —, bem como resgata a história real do transatlântico RMS Titanic. A análise demonstra que Rose DeWitt Bukater figura como a verdadeira protagonista e focalizadora da narrativa do filme. Embora o romance entre Jack e Rose atue como a grande força condutora e dramática da história, constata-se que a busca primária de Rose não é estritamente pelo amor, mas pela liberdade e emancipação em relação às convenções sociais de sua época. A aplicação das funções proppianas ao enredo revela que, apesar de pequenas variações na sequência tradicional, o filme encaixa-se na estrutura do "conto único", em que o sacrifício e a morte de Jack funcionam como catalisadores para a transformação e o renascimento de Rose. Conclui-se que o amor romântico em Titanic atua como uma ponte simbólica de maturação individual e libertação, perpetuando o paradigma trágico-romântico de que o amor é capaz de superar a própria morte.