IMPACTO DE UMA DIETA ANTI INFLAMATÓRIA NA QUALIDADE DE VIDA E NA MODULAÇÃO DE CITOCINAS EM MULHERES COM ENDOMETRIOSE EM USO DE DIENOGESTE
Endometriose; Dienogeste; Dieta anti-inflamatória; Citocinas;
Este estudo tem como objetivo avaliar o papel da dieta anti-inflamatória, correlacionando com o perfil de resposta inflamatória e os fatores de qualidade de vida em mulheres com endometriose frente ao uso do dienogeste. Neste estudo, foram estratificadas 82 mulheres no ambulatório de endometriose de um Hospital Universitário terciário. Amostras de sangue foram colhidas por punção venosa para quantificação de citocinas pró inflamatórias, utilizando a técnica da citometria de fluxo, utilizando o kit CBA de inflamação (Human Inflammatory Cytokines Kit: IL-8, IL-1, IL-6, IL- 10, TNF, IL-12p70 – Catálogo 551811, Becton Dickinson Biosciences Pharmingen, BD, San Diego, CA, EUA) no tempo 0 e após um seguimento de 6 meses utilizando uma dieta anti-inflamatória. Ademais, para avaliar a qualidade de vida foram aplicados instrumentos validados, como: EHP-30 e GSRS.
As análises foram realizadas pelo teste de normalidade de Shapiro-Wilk, que foi aplicado para verificar a aderência das variáveis quantitativas à distribuição normal. A análise descritiva das variáveis que obtiveram aderência à distribuição normal foi realizada pela média e desvio-padrão (Média ± DP). Para as variáveis que não apresentaram distribuição normal em pelo menos um dos grupos, foram utilizados mediana e intervalo interquartil (IIQ). As variáveis categóricas foram analisadas por meio de frequências absolutas e relativas.
A análise dos parâmetros bioquímicos e dietéticos revelou reduções estatisticamente significativas nos valores medianos de glicemia, hemoglobina glicada, colesterol total, triglicerídeos, transaminase glutâmica oxalacética e transaminase glutâmica pirúvica após a adesão da dieta, com efeitos moderados (0,434 ≤ r ≤ 0,737). Observou-se também um aumento significativo nos níveis de vitamina D (p = 0,003, r = 0,467). Não foram observadas diferenças estatisticamente significativas entre mulheres que usaram ou não dienogeste nos marcadores bioquímicos, IID e escore de adesão à dieta, antes ou após a intervenção (p > 0,05). Ambos os grupos apresentaram melhorias com a dieta, sugerindo que o uso de dienogeste não influenciou a resposta metabólica e inflamatória à intervenção.
Após a intervenção com a dieta anti-inflamatória, observou-se melhora significativa em quase todos os domínios avaliados pelo EHP-30.
Posteriormente, esses dados foram correlacionados com os dados sociodemográficos, clínicos e laboratoriais dessas pacientes. A avaliação dos mecanismos relacionados à fisiopatologia da endometriose traz uma abordagem inovadora dentro do universo científico e, desta maneira, ampliará os conhecimentos científicos sobre a descoberta de biomarcadores como ferramenta de diagnóstico, prognóstico e/ou tratamento da endometriose.
Os resultados sugerem que a dieta anti-inflamatória gerou um índice inflamatório independente do uso do dienogeste e teve impacto positivo, com melhora significativa na maioria dos domínios avaliados pelo instrumento validado EHP-30.