Relações de Gênero e Dinâmicas de Poder no Turismo em Comunidades Indígenas no Rio Grande do Norte
Turismo em comunidades indígenas; Mulheres indígenas; Relações de gênero; Dinâmicas de poder; Epistemologias indígenas.
O turismo em comunidades indígenas tem se consolidado como um campo de crescente interesse acadêmico e político, especialmente em razão de sua contribuição para a valorização dos conhecimentos tradicionais, o fortalecimento da autonomia comunitária e a defesa dos territórios indígenas. Nesse contexto, esta pesquisa tem como objetivo analisar como as relações de gênero e as dinâmicas de poder se configuram no turismo desenvolvido em comunidades indígenas do Rio Grande do Norte, buscando compreender seus desdobramentos na participação das mulheres indígenas nos espaços de liderança e nos processos de tomada de decisão. Para tanto, adota-se uma abordagem qualitativa, fundamentada no paradigma interpretativista, desenvolvida por meio da etnografia e orientada pelas epistemologias indígenas, pelos estudos decoloniais e pela perspectiva interseccional. O campo empírico é constituído por três comunidades indígenas do Rio Grande do Norte que desenvolvem atividades turísticas: Mendonça do Amarelão, Tapuia-Paiacu de Apodi e Katu. Os procedimentos metodológicos compreendem pesquisa documental, observação participante, entrevistas semiestruturadas, diário de campo e triangulação dos dados, possibilitando a construção de uma análise contextualizada das experiências e percepções dos sujeitos participantes. A interpretação dos dados será orientada pela triangulação entre diferentes fontes e perspectivas, buscando produzir uma leitura crítica, situada e sensível às múltiplas realidades vivenciadas pelas mulheres indígenas, bem como às relações de gênero e às dinâmicas de poder que permeiam o desenvolvimento do turismo em seus territórios. Espera-se que a pesquisa contribua para o aprofundamento das discussões sobre turismo em comunidades indígenas, ampliando a compreensão acerca da participação feminina e oferecendo subsídios para a formulação de políticas públicas e estratégias de gestão turística comprometidas com a autonomia dos povos indígenas, a equidade de gênero, a valorização dos saberes tradicionais e o fortalecimento de práticas turísticas sustentáveis, éticas e culturalmente enraizadas.